Aí vem o general!

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O acampamento do exército americano não é muito confortável; os soldados têm apenas tendas e alguns pertences. Mas a camaradagem entre alguns compensa o pouco conforto. Respiro fundo e aperto a mão de George Washington.

- Robin Church, sir. Ao seu dispor. - Tento sorrir. Juro que tento. O general Washington me analisa de cima a baixo, conseguindo a proeza de me deixar mais nervoso ainda. 

- Quantos anos tem, mr. Church?

- Quinze.

- O que sabe fazer? 

- Lutar e negociar.

- Negociar? Mmm...- Ele arqueia uma sobrancelha e alisa o queixo. - O que negocia?

- Bom...noite passada me meti em um massacre dos casacas-vermelhas, e saí vencedor e sem nenhum arranhão, apenas usando a inteligência. E ainda fiquei com as armas deles.

- Interessante. Quantos eram?

- Dois.

- Foi sorte, meu rapaz. Pura sorte. Mas, feliz ou infelizmente, tivemos muitas baixas nas últimas batalhas, então, se me permite dizer...está contratado. Ficará na equipe do barão Von Steuben, a dos recrutas, meu jovem, e se tiver algum progresso significativo, ficará na equipe mais avançada. Seu treinamento começa amanhã.

- Obrigado, sir.

Saio da barraca e encontro Alexander conversando com outras três pessoas.

- Robin, deixe-me apresentar Hercules Mulligan, Marquis de Lafayette e John Laurens.

- Prazer.- Aperto a mão dos três rapidamente. Um deles fala:

- Se prepare, monsieur Robin. O exército não é para fracos. - Seu forte sotaque é francês.

-  Parlez français?- Falo, com um sotaque quase impecável.

- Oui. Je m'appelle Lafayette. 

- John Laurens. - Um homem mal-encarado e com cara de durão me cumprimenta.

- Hercules Mulligan.- Um homem mais velho, parecendo ter a idade de George Washington me cumprimenta. - Alexander nos contou sobre o ocorrido como os casacas-vermelhas. você parece ter talento, garoto!

- Obrigado- sorrio. Alexander me chama para um canto.

- Não pense que me enganou com essa sua mentira de ser da Virgínia, Robin.- Ele diz. - Calma, não vou brigar com você; apenas vou perguntar uma coisa... você é da Inglaterra, certo?

Engulo em seco.

- S-sim...mas...

- Ninguém vai saber disso, Robin! Fique tranquilo!

Tento me tranquilizar. Fecho os olhos.

- Está com medo, eu sei! Mas você parece ser um bom rapaz, Robin!

- Eu podia ser um espião.

- Jovem demais para ser um.

- Mas... como você confia em mim, mr. Hamilton? Nós mal nos conhecemos!

- Você tem algo... algo que não sei explicar, Robin. Algo que é especial. Por isso confio em você.

Dou de ombros e saio. Amanhã será um longo dia.


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