Entrevistas

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Andy Guima – O alquimista

Costumam dizer que eu sou um louco sem coração, mas eu discordo. Meu nome é Andy. Com apenas dois anos de formado fui indicado para este hospício.
Era segundo ano de residência quando acabaram descobrindo o que eu fazia. Realmente passei um pouco dos limites. Onde eu cresci fui apelidado de 'O alquimista'.
Eu tenho o desejo de um dia encontrar a sensação perfeita, completa. Uma sensação tão boa quanto ninguém jamais experimentou na vida. Como fazer alguém feliz? Com o próprio composto da felicidade.
Eu usei alguns compostos isolados e misturas para testar medicações, nada melhor do que alguém já desgraçado, não acha?
Alguns se deram bem com minhas possíveis capsulas da felicidade, outros nem tanto. Algumas reações indesejadas do uso apareceram e, um deles conseguiu dizer o que eu acabara de lhe causar. Um mero ansioso transformou-se em um completo louco, mas muito mais feliz certamente.
Um alquimista, desenvolvendo suas capacidades não pode ficar parado. Eu não poderia deixar a residência, não podia perder meus pacientes tão estimados, meus tubos de ensaio ambulantes são necessários para a busca por aquilo que acreditam ser inalcançável.

João Lucas Castelli – O perfeito

Eu já nasci sabendo tudo o que podia ensinar ao mundo. Sou um homem forte, tanto física quanto mentalmente. Eu estava no último ano de residência quando eles resolveram dizer que o que eu fazia era errado. É errado limpar o mundo daqueles que não prestam?
No início apenas algumas pessoas me incomodavam a este ponto, animais eram minha preferência até por que um pré-adolescente não conseguiria todos os elementos que consigo agora. Gatos que miavam a noite toda acabavam vítimas de seu próprio som elevado a máxima altura que seus ouvidos não suportavam. Atrapalhar meu sono não é algo perdoável.
Meu último caso de justiça tratou-se de um maldito gordo que precisei atender no hospício de minha cidade. "— Quero ser magro." Ele dizia sem parar de comer compulsivamente. É por causa desse tipo de gente que o mundo está tão imperfeito, por isso falta para alguns.
Fiz o favor de interna-lo em uma área especial para que apenas eu tivesse acesso a ele. Chegava todos os dias pela manhã para tomar meu café em sua presença. Obviamente não podia oferece-lo tamanha sua vontade de ser magro.
Contido na cama e sem roupas, fiz questão de deixar que o frio entrasse. "— Frio emagrece, sabia?" Dizia eu, ao ve-lo batendo os dentes.
Não sou um homem baixo, oferecia água a ele todos os dias e alguns pedaços de rascunhos de papel que já não me serviam mais. Ser sustentável é um presente para o futuro.
Ele durou bastante antes de seus órgãos começarem a entrar em colapso. Conseguiu emagrecer o suficiente em alguns meses, dizia que eu era louco mas quem estava internado era ele.
Infelizmente minha chefe não entendeu o bem que eu queria fazer ao mundo, deixando-o lentamente morrer de desnutrição em minhas mãos.

Gabriela Andrade – A injustiçada

Não entendo realmente por que as pessoas querem tanto viver na presença de outras. Não entendo para que tantos toques e tanto contato físico.
Ter vindo para esse inferno foi um grande erro dos meus antigos chefes. Ainda estava no meu primeiro ano, sequer me deram tempo para adaptar!! Eu tenho família, tenho alguém me esperando lá fora. Eu só estou aqui para não perder meu direito de ser médica.
O meu maior erro foi ter explodido. Estava enfrentando problemas em meu trabalho com a equipe quando meus chefes chamaram-me para conversar. Imaginei que fossem me ouvir, mas a única coisa que fizeram foi forçar-me a ser quem eu não era. É um erro não querer contato?
De qualquer forma, tudo pareceu ficar pior depois de tentar me adequar aos padrões deles. As pessoas já começavam a me causar nojo. Não gosto de precisar conversar ou de qualquer coisa que me faça aparecer demais. Simplesmente não gosto!
Então veio a segunda conversa. Um toque discreto em meu ombro foi o suficiente para que eu perdesse a cabeça. Acertei o rosto do meu chefe com um belo tapa e o empurrei para longe de mim.
Por ter agredido meu superior fui mandada para esse lugar. Uma verdadeira injustiça.

Luana Evans – A piromaníaca

Como eu cheguei aqui? Oras, não está querendo saber demais?
Eu sempre gostei de ser uma bela mulher, de chamar atenção. Gosto quando olham para mim e quando elogiam meu corpo, mas infelizmente tanta beleza também traz inveja.
Em meu antigo trabalho, inveja foi o grande problema. Eu percebia como elas tinham inveja do meu corpo, do meu cabelo, da minha pele e dos traços que tenho. Eu chamei todos para uma grande festa em minha casa, para que levassem a família e comemorassem comigo o meu aniversário.
O maior presente seria o meu.
Meus vidros blindados e portas anti arrombamento deram-me meu maior presente. Derramei um pouco de vodka no primeiro piso e... Bem... Vodka tem
Muito álcool, sabia?
O fogo consumiu tudo em questão de minutos, com todo o seu calor e brilho os fez gritar por socorro enquanto eu assistia a tudo pela grande parede de vidro que dava acesso a piscina. Claro que não iria me trancar dentro de casa junto com eles. Não sou louca.
Quando os policiais e bombeiros chegaram eu estava na piscina. Tudo o que puderam admirar além do meu próprio corpo foram os restos da minha humilde ex-mansão e os restos carbonizados de todos aqueles que tiveram seus nomes na lista de convidados.
Foi a cena mais linda que vi em toda minha vida, todo aquele fogo consumindo o que via pela frente em questão de minutos. Certamente foi um exagero da polícia pedir meu afastamento profissional por causa de uma situação como essa.

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