Capítulo 25

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Aprendi a bater laje no Youtube. Todos os serviços de casa eu aprendi no Youtube ou conversando com vendedor de loja de construção. Primeiro aprendi a trocar resistência de chuveiro depois que Dona Lúcia foi mexer nos fios sem desligar a chave geral da casa. Depois instalei prateleiras, desentupi ralos, troquei o sifão da pia e fui me virando.

Para bater laje foi a mesma coisa. Todo mundo acredita que engenheiro sabe fazer tudo dentro de uma obra, mas não sabem. O Lipe até tinha uma planta, os cálculos desnecessários de fundação e medidas, falou comigo de igual pra igual, como se eu fosse engenheiro também, me contou alguns podres da irmã dele como se eu já não soubesse, mas não meteu a mão. Engenheiros não metem a mão, quem faz a obra girar é quem recebe uma mixaria e rala o dia inteiro.

Ninguém acha que pedreiro tenha técnica, mas tem. E é passado de pai para filho, mesmo quando faz um curso. Um bom azulejista custa caro, todo mundo está a procura dele, mas ninguém quer pagar. Nem pintor, nem gesseiro, nem porra nenhuma. Porque não é trabalho que se precise de curso universitário, então, não vale de nada.

Mas bota um time só de engenheiro para erguer um ateliê em cima da casa da minha mãe, para você ver o estrago. Eles sabem o papel, as contas, mas não sabem nem misturar cimento. E vai o nome dele no prédio, não de quem colocou a mão na massa e fez o projeto.

Veja, não tô falando mal do Lipe. Minha mãe viu o projeto em 3D que o Lipe fez com uma amiga arquiteta e chorou. Mas eu fui pedir ajuda do Lipe para checar se a parede estava reta, e ele não sabia. O sol ardendo nas costas, os braços queimando de colocar tijolo em cima de tijolo, e eu surpreso com o conhecimento prático que faltava no cara que dá todas as cartas da mesa.

Gabriel abria um vídeo de Youtube, bem no meio da areia e da poeira, para a gente descobrir, antes de secar, se a parede estava reta, ou se não estava. O Lipe matando horas de serviço com a gente para saber como faz, porque ele também se envergonhou de não saber o que mantém o trabalho dele em pé.

Não deixei Manuela carregar cimento e tijolo para a laje. Pode me chamar de machista o quanto quiser. Falei que não e fiquei bravo quando ela jogou a carta do "você não é ninguém para mandar em mim". Ela podia ir em loja de construção, negociar preço, pesquisar revestimento, barganhar com a arquiteta do projeto em 3D o quanto ela quisesse, mas parede e rejunte sou eu e o Gabe quem colocamos.

E não, não sobrou verba para contratar pedreiro. A gente tinha verba para o material, mas preferiu guardar a grana do pedreiro para o marketing. Gabriel torrou duas correntes e não torrou uma pulseira também porque não deixamos.

Quando a faculdade começou, aprendemos a dividir nosso tempo entre a novidade e a laje. Levamos mais tempo por causa disso e a casa virou um caos. Passei seis meses emburrado com a bagunça, ninguém tinha culpa, reforma é uma merda, mas passei seis meses, até que eu visse qualquer coisa parecida com ordem de novo, reclamando e brigando com todo mundo.

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