Capítulo Sete

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Adrian D'Ávila

Vejo Castiel se afastar de mim e caminhar em direção ao seu ônibus, entrando nele em seguida. Fico parado ainda por alguns minutos, até que vejo seu ônibus sair e entro em minha caminhonete novamente. Coloco o sinto de segurança e olho meu rosto por alguns segundos no espelho retrovisor. E me pergunto o porquê de eu ter dado um apelido a aquele ruivo.

Solto um suspiro e passo minhas mãos pelo meu rosto, me sentindo totalmente frustrado. Por que tudo em relação a esse garoto me tira fora do ar? Ele tem o poder de me irritar como nenhuma outra pessoa e ainda me faz dar apelidos a ele. O que esse cabelo de fogo tem para me deixar assim? Nem eu sei o que ele faz comigo!

Balanço minha cabeça algumas vezes para afastar esses pensamentos da minha cabeça e coloco meu carro em movimento.

Aproveito que estou na cidade e sigo até a casa de meu irmão Marcos. Já faz alguns dias que não o vejo e estou com saudades dele e de sua família. Apesar de ter me afastado muito dele nesses anos, eu amo muito meu irmão, assim como todos da minha família. E mesmo deixando muito a desejar, eu ainda me sinto responsável por Marcos e Maurício. Por ser o irmão mais velho e por não ter mais meu pais aqui conosco, eu tenho a obrigação de sempre estar pronto para os ajudar em qualquer situação. Só que nesses cinco anos que se passaram, acho que foram os dois que assumiram esse papel.

Lembrar dos meus pais me causa um aperto no peito muito grande. Eu daria tudo o que tenho para os ter aqui comigo novamente e poder desfrutar do amor que eles me davam. Eles eram as melhores pessoas que já conheci em minha vida e me fazem uma falta muito grande. Meu pai Felipe era a pessoa mais doce e corajosa que eu conhecia, ele lutou tanto por nós junto ao meu pai Victor. Eles sofreram muito preconceito no início, ainda mais pai Felipe que podia engravidar. Mas ele nunca ligou para a maldade do ser humano e fez de tudo para nós educar para sermos bons seres humanos e eu sou tão grado a Deus por ter dado eles para serem nossos pais.

Sinto uma lágrima solitária escorrer por meu rosto e a enxugo com minha mão.

Respiro fundo e tento afastar a dor da saudade do meu peito.

Me foco no caminho até a casa de Marcos e não demora muito para eu estar estacionando em frente a sua grande casa. Desço do carro e toco o interfone, logo me identificando para a moça que me atende. Em poucos segundos o portão de abre para mim e eu entro na propriedade, passando pelo enorme jardim até chegar a porta da casa, que se abre quando subo os três degraus.

- Até que enfim veio me visitar. - Marcos fala da porta, com seu leve tom dramático.

- Quem vê assim acha que tem décadas que não nos vemos. - Falo e puxo ele para um abraço.

- Quase isso mesmo, Ana Clara está morrendo de saudades de você. - Ele fala sorrindo e deixa espaço para que eu passe.

- Também estou com saudades daquela pequena. Cadê ela e a Mel? - Pergunto, mas minha pergunta é respondida assim que vejo minha cunhada descer as escadas com minha sobrinha no colo.

- Já não era sem tempo de aparecer hein Adrian. - Melissa fala e eu sorrio para ela, indo pegar minha sobrinha e deixo um beijo na bochecha dela.

- Vocês fazem drama demais, podem ir a fazenda me ver também. - Respondo e me sento no sofá com Ana Clara, sentindo suas mãozinhas baterem com força em meu rosto. - Calma aí lindinha, não precisa deixar seus dedinhos marcados em mim. - Falo rindo e ela gargalha também. Deixo um beijo em sua bochecha gorducha e a aperto em meus braços.

- É isso aí filha, desconta sua frustração da saudade que sentiu do seu tio ingrato. - Marcos fala e eu reviro meus olhos.

- Idiota, nem parece ser um médico de renome. - Falo e olho para minha cunhada que nos observa rindo. - Me diz como uma mulher linda igual a você, foi se casar com um cara como esse? - Pergunto e é a vez de Marcos revirar os olhos para mim.

- Nem eu sei! - Ela responde fingindo estar séria e meu irmão olha para ela ofendido.

- Nossa, pensei que me amasse. - Ele diz emburrado e parece uma criança fazendo birra.

- Oh modeuzo, tadinho do meu maridinho. Te amo bobo! - Mel fala e vai até meu irmão, deixando um beijo em sua boca.

Fico feliz em os ver desse modo, mas ao mesmo tempo sinto uma dor em meu peito. Olho para minha sobrinha brincando com suas mãos em meu colo e é impossível não sentir a culpa que cresce em meu peito a cada dia. Eu poderia ter tudo isso hoje... poderia ser Carolina aqui comigo junto com nosso filho ou filha, mas por minha causa eles não estão aqui.

- Adrian? - Escuto a voz do meu irmão me chamar e saio do meu transe, olhando para ele em seguida.

- Oi? - Falo, após encontrar minha voz novamente.

- Está tudo bem? - Ele pergunta preocupado e eu apenas aceno com a cabeça.

- Eu vou levar a aninha para mamar, fique a vontade Adrian. - Melissa fala com um sorriso compreensivo no rosto e pega a filha dos meus braços.

Vejo ela se afastar com a bebê no colo e me encosto no sofá, ficando em silêncio. Não dizemos nada por alguns minutos, até sentir meu irmão se sentar ao meu lado.

- Como você está? - Ele pergunta após um tempo e eu olho para ele por um segundo, antes de desviar meus olhos novamente.

- Estou bem, não está vendo? - Respondo e acabo sendo um pouco rude.

- Você sabe muito bem do que estou falando Adrian, não tente me enganar. - Ele diz e faz uma pausa. - Sabe que já esta mais do que na hora de seguir em frente Adrian. Carolina não ia querer que você parasse de viver como está fazendo. Você só fica na fazenda e não sai quase para lugar algum, além de ficar se afundando na bebida. O máximo que faz é ficar com umas e outras por aí sem compromisso algum, pessoas que nem de longe querem o seu bem. Você ainda fica com aquela Débora? - Ele pergunta e me sinto desconfortável com o rumo dessa conversa.

- Não, eu nem gosto dela só ficava para tentar sei lá... - Falo perdido.

- Viu, você só está se afundando ainda mais. Cadê aquele cara alegre de antes, o homem que tinha sonhos e lutava pelas coisas que acreditava? - Pergunta e sinto seu olhar queimar sobre mim.

- Ele morreu naquele acidente, junto com minha mulher e meu filho. - Falo e escuto ele soltar um suspiro frustrado.

- Tudo bem, se você quer continuar vivendo desse modo eu não posso fazer nada... tudo depende de você. Eu só espero que você encontre um motivo para querer viver novamente. - Ele fala e eu fico em silêncio.

Fixo meus olhos na parede e sentindo o silêncio pesado que paira entre nós, me levanto do sofá.

- Eu já vou indo, tenho muitas coisas a fazer na fazenda. - Falo e não olho em sua direção.

- Tudo bem, qualquer dia desses nós aparecemos por lá. - Ele fala e eu concordo com a cabeça, indo até a porta da sala em seguida.

Abro a mesma e sigo a passos lentos até a saída. Entro em minha caminhonete e volto para a casa com a cabeça cheia.

Meu caminho é silencioso e sinto meu peito cheio de emoções conflitantes. Passo pela porteira que dá acesso a minha fazenda e assim que chego perto de casa, consigo ver um pouco ao longe dona Clarisse sentada embaixo de uma árvore brincando com Evan.

Estaciono minha caminhonete e fico os observando por um tempo. Sinto uma emoção diferente toda vez que estou perto daquele pequeno menino e também as vezes com seu pai e eu só queria entender o que é isso tudo.

Fecho meus olhos com força e nesse gesto, só consigo enxergar em minha cabeça, dois pares de olhos claros me olhando com sorrisos no rosto e cabelos lindos na cor do fogo.

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Será que está rolando uma paixão aí com nosso cowboy?

Espero que tenham gostado! Voltarei mais rápido do que imaginam 😉🤗

Bjus da Juh até a próxima 😙😙

Cowboy Indomável (Mpreg) - Duologia "Indomável" - Livro 02Onde as histórias ganham vida. Descobre agora