O sol estava se pondo mas mesmo assim os fortes raios adentraram as janelas e iluminaram o cômodo bagunçado. Eu não tinha certeza de que horas eram, eu estava apenas sentada em meio aquela bagunça toda, olhando o pôr-do-sol. E pensando em Jongdae.
Crescemos juntos, nossas mães eram melhores amigas o que tornou nosso convívio quase que diário. Fomos para as mesmas escolas, mesmos cursos e sempre fomos tratados como irmãos e honestamente por muitos anos nós nos travamos como irmãos.
Porém óbvio que não foi pra sempre, na nossa fase de adolescência Jongdae ficou estranho. Se afastou de mim e começou a usar um apelido, Chen. Andava com uma galera mais velha e me cumprimentava por educação, na escola. Já que quando estávamos em ambiente familiar ele agia como se nada tivesse acontecido.
Nunca o enfrentei, achava que era coisa de adolescente mesmo que na minha época nada disso ocorresse, eu era apenas dois anos mais velha que ele e me questionava se algo havia aço tecido. Nossa mudança e afastamento foi definitivo no meu último.
Eu havia acabado de começar a namorar JongIn, o capitão do time de basquete de nossa escola e ele era amigo de Jongdae sendo assim contou para ele logo no começo, lembro que depois disso Jongdae não fala comigo nem mesmo na presença de nossas famílias, de alguma forma e por algum motivo que eu não entendia na época, ele me apagou de sua vida.
Eu tentei relevar e continuei, segui minha vida. Já na faculdade nos estávamos em campos diferentes mas estávamos no mesmo prédio. Quando esbarrei nele pela primeira vez fiquei surpresa, não ouvia sobre ele a um tempo. Nossas mães continuavam amigas mas nossos afastamento acabou afetando elas também que se viam menos.
E eu nem sabia que Jongdae havia escolhido uma faculdade, principalmente que fosse a mesma que a minha. E ele não era o único que fingia que eu era invisível. JongIn e eu terminamos no meu segundo ano de faculdade, ele me traiu com alguma professora estranha de artes e eu apenas terminei com ele, não está a dando certo mesmo.
E agora ele fingia que nem me conhecia mais, doia no começo mas depois apenas relevei. E em alguma tarde ensolarada, de sábado se não me engano. Provavelmente era algum fim de semana já que o campus se encontrava mais vazio do que o normal, ele veio falar comigo. Após anos Jongdae sentou do meu lado no Jardim e iniciou uma conversa.
E de alguma forma tudo fluiu naturalmente, éramos como se estivéssemos na adolescência ainda, no começo quando não havia nenhuma complicação e nos apenas conversamos por horas, dias na verdade já que decidimos manter contato depois daquela tarde e voltar ao normal.
E ele me explicou que havia se apaixonado por mim e se tornado um tremendo de um babaca com aquilo já que sentia que era errado, eu me surpreendi mas decidi compreender ele, não queria perder meu irmão novamente. E tudo voltou ao normal, até a festa de fim de ano, todos estávamos animados, havia sido um ano difícil.
Eu e Jongdae decidimos jogar jogos universitários, o que obviamente envolvia álcool, muito álcool. E foi ali que cometemos um erro. Eu não entendi bem quando ele se tornou tão importante mas ali em estado de completa embriaguez, mais do que ele até. Eu me declarei e nos subimos para algum cômodo e transamos.
Quando acordamos, naquela situação nós não agimos como crianças, entendemos o que havia acontecido e decidimos tentar. E deu certo. Por alguns meses, já que após um tempo de namoro, quando tudo estava estável, eu descobri que estava grávida.
E eu fui egoísta, sabia que um bebê poderia arruinar tudo, a faculdade estava perfeita e nossa família havia voltado ao normal e mais importante, eu e Jongdae nos amávamos mas não estávamos prontos pra ter um bebê, eu não estava pronta pra ser mãe. E então eu abortei, falei com algumas amigas mais velhas e fiz o procedimento.
Claro que houve consequências, eu fiquei mal por tempos e em algum momento desse meu mal estar, minha consciência começou a me torturar e eu contei tudo a Jongdae, todos meus pensamentos, todos meus atos e simplesmente comecei a chorar. Me sentia irresponsável e burra, eu matei nosso bebê.
Porém o que mais doeu foi os olhos de Jongdae, a dor deles era o que me machucada e me fazia chorar mais e mais. Foi saber que eu estraguei tudo e que ele estava decepcionado comigo, que eu machuquei ele por não estar pronta pra uma consequência de nosso atos.
E então nós tivemos aquela terrível briga, e no meio da noite nos discutíamos aos berros, ele estava machucado e queria descontar em mim e estava certo mas ele sempre foi tão bom que decidiu sair de casa para esfriar a cabeça e novamente eu fui infantil. Eu corri atrás dele, chorando e instável. Eu queria o perdão dele, queria que tudo estivesse bem de novo.
E enquanto eu te distraia, o carro te acertou.
Aquela foi a pior dor que eu senti na minha vida, ver o carro vindo em alta velocidade e te atingindo enquanto eu te dizia minhas dores e palavras sem sentido, enquanto você se sentia preocupado comigo eu apenas fiz tudo errado de novo.
Eu não pude ir ao seu velório, nem ao seu enterro. Eu estava tão destrói, Dae. Eu me sentia um monstro, e eu apenas chorava. Eu fui egoísta novamente e me afundei em minha dor sem me importar com os outros nem com você. E demorou um tempo até eu melhorar, mudei de cidade e recomecei tudo aos poucos. Hoje tenho o DongHae, um garotinho que eu adotei. Ele gosta do pôr-do-sol assim como Jongdae.
E mesmo que tudo já tenha passado, eu fico pensando em como eu errei.
Em não ter te consultado antes de tudo, para saber se você estava pronto.
Você provavelmente me ajudaria e nós teríamos tido uma linda família.
Iríamos casar e nossa bebê seria saudável e forte.
Será que ele teria seus olhos?
Porém, nunca irei saber disso.
Porque eu matei nosso bebê e matei você, Dae.
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°•Details•°
RomancePequenos detalhes são o que mais marcam. ◇ Coletânea de One-shot sobre os membros do EXO em situações tristes ◇
