Ward C

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Uma semana. Uma semana desde que a Lauren chegou a esta instituição. Ela não fez nada do gênero como eu tinha pensado que poderia fazer. Simplesmente, limitou-se a seguir as regras e fez tudo o que tinha a fazer. Sem causar problemas. A maior parte dos pacientes iriam ter um colapso mental, por vezes logo na primeira semana, mas eu sabia que a Lauren não era como a maior parte das pessoas. Ela era bastante diferente. Seguia sempre as regras. Era suposta ser reconfortante, mas me assustou pra caramba. Sempre estive habituada a que os pacientes enlouqueçam. Gritem, me ataquem. Eu saberia exatamente o que fazer nessas situações e como reagir. Mas a Lauren parecia bastante obediente, e fazia tudo o que lhe era pedido. Pessoas malucas não fazem isso. Ficam imediatamente mal-humoradas porque sabem que serão trancadas imenso tempo aqui e ficam assustadoas. O comportamento de Lauren mostrava que ela não estava assustada, não estava preocupada em ficar aqui trancada para sempre. Sabia que estava tramando alguma, e isso me assustava.

Estava pensando nisto enquanto estava na enfermaria, sem fazer nada. Ouvir a porta se abrir e apareceu a Lily, ela era a enfermeira principal apesar de ser a única enfermeira aqui. Ela tinha cabelo comprido cinzento, pele pálida e tinha 60 anos.

– Olá, a senhora Jude quer que vá entregar o café-da-manhã ao quarto 419. – Ela me disse.

Eles chamavam de quartos mas para mim eram mais celas do que outra coisa. Abanei a cabeça em confirmação e sem vontade nenhuma me levantei, agarrei num tabuleiro de comida e comecei a andar até a cela. Não conseguia me lembrar quem estava na cela 419 mas iria descobrir daqui a pouco. Abri a porta pesada da cela e entrei. O que vi quase me fez deixar cair o tabuleiro da comida.

Era a cela da Lauren.

Estava sentada na ponta da cama com os braços descansados sobre as pernas. Estava olhando para o chão e parecia estar pensando profundamente. As mangas estavam puxadas para cima e o seu cabelo escuro estava cheio de cachos desarrumados. Me ouviu entrar e olhou na minha direção.

– Olá. – Disse e sorriu.

– Hey. – Eu disse baixinho. – Hum...

Não sabia onde pôr o tabuleiro e me sentia estranha e intimidada, então fiquei apenas ali parada.

– Aqui, eu fico com ele. – Ela disse enquanto se levantava na minha direção. instintivamente dei um passo para trás e bati contra a parede.

Lauren riu da minha reação e chegou ainda mais perto. Me engasguei quando ela chegou o mais perto que poderia, o tabuleiro entre nós deixou apenas centímetros de espaço entre os nossos corpos. Tive que levantar os olhos para poder ver o seu rosto, os olhos dela como poças numa cor de verde-esmeralda. Tinha um sorriso afectivo plantado na cara enquanto lambia os lábios para ficarem ainda mais molhados.

– Não se preocupe, eu não vou te machucar. – Disse numa voz grossa e pautada. – Qual é o teu nome, bebê?

– Camila.

Curvou-se ainda mais. Um pouco demais. Estava surpresa como é que ela conseguia cheirar tão bem num lugar como aquele. Levou seus lábios até ao meu ouvido e consegui sentir a sua respiração no meu pescoço. Deu arrepios ao meu corpo que tremia.

– Sou a Lauren. – Suspirou.

Simplesmente abanei a cabeça em confirmação. O meu coração batia descomunalmente. Uma assassina estava apenas a uns centímetros do meu corpo. Não havia como dizer o que ela iria fazer a seguir. Mas para minha surpresa, não fez nada, simplesmente ficou ali parada.

– Posso ter a minha comida agora? – Perguntou ainda com o sorriso na cara.

Olhei para baixo e percebi que ainda estava segurando no tabuleiro com tanta força que a minha mão estava se tornando branca.

WeckleniffeOnde as histórias ganham vida. Descobre agora