Capitulo 1

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Sem Revisão

Norah

Mais um dia, não paro de limpar quartos, estou agora em uma suite, o banheiro esta repleto de camisinhas, coloco a minha luva, me abaixo e pego todas, eles não têm nem a capacidade de jogar na lixeira, eu devo ter recolhido umas 10, essa prostituta trabalhou muito.

Já estou acostumada com isso, não me importo mais, eu passo o dia limpando os sêmens e os fluidos que o sexo deixa nos lençóis, muitas vezes vejo sangue, tenho certeza que uma das prostitutas apanhou. Hoje terei que limpar a Suite do Senhor Falcon, ele veio ontem à noite, todas as vezes que ele vem as noites ficam piores, ele trás aqueles homens que andam com ele, todos são homens cruéis, porém as poucas prostitutas que tem coragem de falar, dizem que o Senhor Falcon é um animal na cama. Estremeço, graças a Deus nunca cruzei com ele e nunca pretendo cruzar, agradeço a Madame por me manter trancada a noite, porém, sinto muito medo dela me obrigar a ser uma prostituta, por isso faço tudo que ela manda sem reclamar.

Termino de limpar aquele quarto e saio, agora vou para a Suite do Senhor Falcon, é a mais luxuosa, tudo ali demonstra poder e luxúria. Entro, a cama com lençóis de cetim preto está em desordem, há copos de Whiskey vazio, o cinzeiro está cheio de pontas de charuto, ele fuma muito. Entro no banheiro, a hidromassagem foi usada, eu acredito que haviam mais de uma prostituta com ele.

Eu tenho contato com algumas prostitutas que moram aqui na casa, mas muita delas, vão embora ao amanhecer, essa vida delas é paralela, não as julgo, elas estão trabalhando e ganhando seu dinheiro. Começo a limpeza distraidamente, não percebo alguém entrar no banheiro
— Norah
Me viro para ver quem me chamou e vejo Aline, ela está com o rosto machucado, vou até ela e pergunto:
— O que aconteceu?
— Foi ele
— Quem?
— O Senhor Falcon, aqui nessa suite
Ela começa a chorar, eu a abraço, Aline é nova prostituta, ela é muito bonita, tem um corpo lindo, cabelos castanhos e uma boca carnuda de deixar qualquer homem de joelhos
— Ninguém te avisou que não pode contrária-lo?
— Madame me avisou e eu não fiz nada para contrária-lo, ele simplesmente depois de transar comigo me bateu dizendo que eu não lhe dei prazer suficiente
— Que desgraçado
— Você acha que madame vai me mandar embora?
— E você não quer ir?
— Não, eu preciso do dinheiro que ganho aqui.
—  Mas ontem você viu que é perigoso, esse Senhor Falcon é um monstro em forma de gente
— Mas eu gostei de trepar com ele, me senti lisonjeada por ele ter me escolhido, ele é muito gostoso, só que ele não gostou de mim, ele me bateu e disse que não lhe dei prazer, então ele mandou chamar mais meninas. Por favor, fale para madame não me mandar embora.
— Eu não posso fazer isso, madame não me escuta para essas coisas, Somente fala comigo para saber dos matérias que precisa providenciar para a limpeza.

Nesse momento alguém entrou  na suite já gritando
— O que está acontecendo aqui?
Eu imediatamente me afasto de Aline e abaixo a minha cabeça, Madame está ali com uma cara de poucos amigos
—  O que você está fazendo aqui com a faxineira Aline?
— Eu só estava pedindo um conselho a ela
Madame riu com deboche
— Pedir conselho a essa ai? Só se for para saber como desentupir um vaso. Vai para meu escritório, vamos ter uma conversinha.
Aline saí imediatamente e Madame fica ali me olhando, não tenho coragem de olhá-la,  meu coração está batendo forte, sinto-a se aproximando de mim, ela fala:
— Levanta o rosto
Eu o faço, ela aponta o dedo em minha cara e diz:
— O seu trabalho aqui é só limpar, não quero você de papinho com as prostitutas
— Eu não estava se papinho Madame, ela realmente estava me pedindo para falar com madame sobre ontem à noite com o Senhor Falcon
— Pode parar, quem você pensa que é para se meter nesses assuntos?
— Eu só....
Não completei a frase, Madame me deu um tapa no rosto, imediatamente às lágrimas começaram a descer.
— Volta a fazer o seu trabalho, você já me dá muito prejuízo, tenho que vesti-la e alimenta-lá e ainda tem a insolência de se meter onde não é chamada. É melhor limpar essa suite muito bem, o Senhor Falcon voltará hoje à noite.

Dizendo isso ela se virou e foi embora, coloquei a mão no meu rosto que estava quente no local onde ela me bateu. Ela disse que dou despesas mas tenho certeza que não, a quatro anos que nos mudamos para o bordel que ela não compra uma única peça de roupa para mim, tenho apenas dois vestidos que uso para fazer a limpeza e uma roupa para dormir, o pouco mais que tenho, ganhei de alguma prostituta mas nunca vesti as roupas que elas me deram, pois se madame descobrir ela vai me tomar e ainda  me bater. Alimentação também é algo restrito, eu só como o que Madame liberava, o que não era muito, sempre que eu comia algo como chocolate ou outra coisas diferente de peanut butter, fruta e leite, eram sempre as prostitutas que me davam.

Suspirei fundo e resolvi voltar para o trabalho, tenho que deixar a suite do Senhor Falcon brilhando. Começo a esfregar a hidromassagem.
Depois de algum tempo, consigo terminar, está tudo limpo, agora vou para os outros quartos, ainda faltam 4 para eu terminar. Meu estômago está roncando, madame só libera alimento depois que eu limpo tudo, não tem outras pessoas para me ajudar, somente eu limpo todos os quartos dali.

Depois de muito trabalhar, finalmente terminei de limpar todos os quartos, agora vou procurar as gêmeas, elas são responsáveis por liberar a comida, estou faminta. Vou até o quarto delas e bato, escuto uma delas perguntar:
— Quem é?
— Norah
Hortência abre a porta e vai logo falando:
— Você não limpou nosso quarto direito hoje, pode limpar de novo
— Mas Hortência, eu estou com fome
— Quer comer? Faça o seu trabalho direito
Com tristeza entro no quarto, está tudo uma desordem, elas fizeram aquilo de propósito, somente para eu limpar de novo.
Começo a organizar as coisas, elas ficam olhando para mim, eu tento fazer tudo rapidamente, estou com muita fome. Quando consigo organizar tudo, me viro para elas, que estão em seus celulares e falo:
— Já terminei
— Vai ter que esperar, não está vendo que estamos ocupadas
Elas voltam a atenção para o celular, eu saio do quarto e vou para meu cubículo, sim, eu durmo em um cubículo, um espaço embaixo da escada que só dá para colocar um colchão, minha pequena estante com alguns livros, meu passatempo e um local para as poucas roupas. No canto tem uma pequena bacia onde faço a minha higiene, apesar da situação precária, eu sempre me mantenho limpa e depilada, as prostitutas sempre me dão essas coisa para higiene, madame não pode ver nunca. Vou até o banheiro do corredor e pego água, vou para meu minúsculo quarto e me lavo, coloco a calcinha limpa e lavo a outra, penduro para secar. Olho para as axilas no pequeno espelho, estão depiladas, minhas pernas também, eu tenho um creme de depilação e sempre uso.

Olho meu rosto, felizmente o tapa que levei não deixou marca mas estava vermelho. Fiquei sentada esperando a comida, depois de um tempo, alguém bateu à porta, eu abri, é uma das irmãs. Ela me entregou um prato e eu quase devoro, sem ao menos saber exatamente o que estava comendo, também tinha um copo de leite, bebi tudo. Ao terminar a refeição, deixei o prato e o copo no chão do corredor, deitei, agora vou descansar um pouco e depois escovar os dentes. As horas foram passando e uma certa altura escuto a porta do meu quarto ser  trancada, está na hora dos clientes começarem a chegar. Pego um livro que já li muitas vezes e começo a ler de novo, a uma certa altura já começo ouvir passos pelo corredor, e barulho na escada, as prostitutas levando seus clientes para o quarto.

As vezes ouço os gemidos deles, tapo o ouvido, eu queria tanto a minha liberdade, eu queria tanto ter a minha própria vida. Lembrei do meu pai e senti raiva, ele me deixou à mercê dessa mulher, ele foi covarde em tirar a própria vida. Eu queria muito me rebelar, fugir mas me faltava coragem, não saberia para onde ir. Tenho 19 anos esse ano completarei 20
e não vejo um futuro promissor. Eu não completei o ensino médio, quando meu pai morreu a primeira coisa que Odete fez foi me tirar da escola. Sinto muita falta, tenho sede de conhecimento mas não tenho acesso. Tecnologia é algo que não faz parte da minha vida, eu sei que existe mas nunca tive um celular por exemplo, nem quando meu pai estava vivo e agora, isso é algo utópico para mim.

O sons da noite estava a todo a vapor, havia show de strip-tease, eu nunca tinha acesso livre ao salão, era raro as vezes que em ia até lá. Meu lugar era sempre na área dos quartos durante o dia para a limpeza, para a área da boate, haviam outras pessoas que faziam isso, porém eu nunca falei com nenhuma delas. A minha vida se resumia aquela área, o pouco contato que eu tinha com pessoas externa era de algumas prostitutas.

Comecei a fechar os olhos, o som da música sensual ecoando em meus ouvidos, acabei caindo em um sono profundo.

Primeiro capítulo dessa história concluído
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Sob o Jugo do Mafioso +18 concluído Leia esta história GRATUITAMENTE!