Oh Sehun, The Artist

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O museu não era muito antigo, mais velho do que meus pais , talvez. Mas recebia obras recentes todos os meses, era uma das minhas atividades mensais preferidas. Mas hoje era especial, eles estariam recebendo obras de um artista coreanos, que começou no exterior até ganhar fama aqui, na sua terra natal.

Oh SeHun.

Eu reconheceria o nome em qualquer circunstância, e poderia reconhecer os traços das obras mesmo que estivesse cega. Os quadros expressavam tudo de forma clara e limpas mas ainda sim era avassalador. Tinhas algumas obras surrealistas também, normalmente minhas preferidas mas eu estava cativada por uma em particular.

O quadro era abstrato, mas não riscos e cores diversas. Era como se fosse um deserto, areia por todos quadro e lá em cima, perto da moldura a noite. O céu escuro com pequenas estrelas brilhantes era o ponto principal, ao olhar eu sentia uma calma inexplicável mas acima de tudo uma confusão, o que ele queria expressar com isso?

Sehun sempre foi um bom menino, se destacando em artes. No começo era mais em desenhos, ele pintava paisagens como ninguém porém em raras ocasiões desenhava as pessoas, e a paisagem era só um fundo.

Seus traços eram precisos e decididos mas o lápis passava suavemente sobre o papel, sempre. Eu lembro de ter sido a primeira pessoa que ele verdadeiramente pintou. Ele gostava de desenhar mas achava que esse era seu limite, até eu pegar seu caderno de artes escondido e achar um desenho meu, ele havia me desenhado na última aula.

Os traços era lindos e era um desenho tão detalhado, o fato de que ele precisou me observar muito e por muito tempo fez meu coração acelerar naquele dia, e no mesmo segundo o caderno foi arrancado de minhas mãos, por ele mesmo que estava com o rosto vermelho e um olhar que só pude caracterizar como raiva.

Não falou comigo por dias e quando voltou, era formal e evitava contato visual. E então eu nos tranquei numa sala e o forcei a conversar comigo, e não foi uma conversa na verdade. Após um pouco de pressão ele apenas gritou que era apaixonado por mim e que não queria que eu fosse ruim com ele.

Eu fiquei sem palavras e enquanto ele estava encolhido num canto da sala com a cabeça baixa, eu corri em sua direção e o beijei. Foi um dos meus melhores beijos, pela inocência. E disse o quanto havia amado o desenho e que talvez ele devesse fazer uma pintura de mim, baseada naquela foto.E corri para fora da sala.


Sehun foi o primeiro garoto que me fez sentir borboletas no estômago .
E então as férias começaram e eu não tinha seu celular, nem pude conversar com ele. Então, apenas esperei. E quando as aulas começaram, me lembro de correr para a sala, esperando ver ele já sentado em alguma carteira da primeira fileira. Mas ele não estava lá.

E durante as aulas eu soube por seus amigos. Sehun havia se mudado para a França naquelas férias, iria morar com sua avó. Não consegui prestar atenção em nada naquele dia, eu alimentei falsas esperanças todos os dias e a cada minuto pensei nele, ansiava por vê-lo novamente.

Mas não aconteceu. Eu me formei no ensino médio e fui para a faculdade de Direito, me formei a pouco tempo como Delegada. Era uma ótima profissão e exigia muito de mim, eu gostava dessa sensação. Mês passado quando peguei o folheto com o nome dos artistas que iriam expor suas obras esse mês eu li as palavras do topo. O nome dele estava desenhado como uma verdadeira obra.

Eu calculei as possibilidades e não queria acreditar, era somente um coincidência. Mas curiosa como era decidi pesquisar o tal artista na internet, e encontrei um homem lindo que era um dos maiores pintores atuais e possuía fama incalculável na Europa, e decidiu agraciar o Seoul Arts com suas obras.

E sua pintura que era a mais famosa, a que lhe deu fama no começo era uma moça de cabelos longos, escuros e uma silhueta bela, ela estava escrevendo algo numa mesa e seu cabelo cobria o rosto, a única coisa visível de seu rosto era seus lábios. Era umas pintura surrealista, as cores eram quentes e a imagem me cativou.

Era eu.

Ele havia se tornado famoso por ter transformado aquele desenho em uma obra de arte.

Eu me senti chocada, e fiquei decidida em ir prestigiar ele. Me arrumei e fui, como era uma visitante conhecida me avisaram logo na entrada que eu iria poder conhecer o pintor. E agora eu encarava sua mais recente obra, era muito bela mesmo.

- Senhor Oh, quero que conheça nossa mais assídua visitante. Uma mulher muito importante na cidade, A Delegada Wang. – Ouvi a voz do Diretor daquele museu e me virei, olhando para Sehun. Ele estava lindo, seus cabelos estavam loiros e ele era muito maior do que eu, os ombros largos e vestia um terno preto com gravata carmesim.

Quando seus olhos encontraram meu rosto pude perceber o choque em seus olhos e sua face ficar séria. O Diretor falava sobre as obras dele pra mim, mas ele não parecia notar. Seus olhos fixos demonstravam a falta clara de atenção.

- É um prazer, Senhor Oh. – Estendi minha mão e ele a segurou, ela era grande e quente. Não era macia nem suave, era um aperto firme.
- O prazer é meu, Senhorita Wang. – Ele disse e esbanjei um sorriso negando e levantando a mão.

- Senhora. – Ele observou a aliança e assentiu.

- Bem, irei deixar que os artistas conversem. – O Diretor riu e se afastou, nos deixando sozinho.

- Bem, suas novas obras são realmente majestosas. – Sorri para ele e esperei uma resposta que não veio, ele apenas segurou minha mão e me puxou para uma das varandas do Museu, que era afasta do salão principal. Ao chegarmos lá ele soltou minha mão e se virou para mim.

- Eu não sabia que iria partir aquele dia. Quando as aulas começaram, Kai me contou sua reação e eu não soube o que fazer. Não consegui manter contato com ele depois disso, e só vim entrar em contato com alguém daqui esses anos. – Suas palavras saíram de forma rápida e atrapalhada e ali eu não vi o homem dono de majestosas pinturas, eu vi o garoto que fazia desenhos de flores do jardim da escola.

- Está tudo bem. No começo eu me senti chateada, havia me apaixonado por você. Mas, com os anos tudo se ajeitou e aliás, é uma honra saber que te conheci antes de toda a fama. – Sorri com toda a ternura que tinha no meu coração, eu estava feliz e orgulhosa por ele. Um sorriso fraco surgiu em seu rosto.

- Eu te amei por muitos anos. Tentava voltar todos os anos, mas nunca conseguia. E não sabia mais nada sobre ninguém daqui então após uns quatro anos eu desisti. – A revelação me surpreendeu e por um momento eu fiquei sem palavras. – Você foi meu primeiro amor.

Uma alegria preencheu meu peito.
- Você também foi meu primeiro amor, Hunnie. – Não me contive e lhe abracei com todo o meu amor. – Eu vi a pintura. Obrigada, Sehun.

Sussurei as palavras e senti seus braços me abraçarem firmemente pela cintura e me permiti relaxar em seus braços.

- Por que você não vem comigo para Paris? Para eu apresentar minha primeira e maior inspiração? – As palavras dele me assustaram e me afastei um pouco, olhando em seus olhos.

- Ah, eu não poderia. Tenho tudo acontecendo aqui, agora. Mas, esse convite é uma honra. – E em algum segundo ele apenas me segurou mais firmemente e me beijou, não foi um beijo simples e lento como o primeiro, esse teve paixão. Seu beijo era uma das melhores coisas que eu já havia experimentado. Sua boca era macia e eu me perdi ali durante segundos.

E então me afastei bruscamente dele, não poderia fazer isso com Chanyeol. Me soltei de seus braços e corri, ouvindo ele gritar meu nome e correr atrás de mim. Tirei meus saltos para aumentar o passo e entrei em meu carro, vendo ele chegando perto do automóvel. Liguei o carro e fugi, covardemente.

Me desculpe Sehun.

Não pude aceitar o fato de que apenas você me causa borboletas no estômago.

Não quero admitir que seu beijo me faz sentir coisas que só sinto com você.

Não quero que saiba que eu sempre te amei e vou amar.

O quanto pensei em você, em todos esses anos.

Que me imaginei casando com você.

Que eu ainda te amo.

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