Corremos pela rua, eu forçava ao máximo minhas pernas que já começavam a cansar e vacilar. Minha respiração estava ofegante e eu tentava aumentar minha velocidade para acompanhar Chanyeol que segurava meu pulso fortemente e me puxava a todo sinal de cansaço que meu corpo demonstrava.
Eu sabia que eles estavam atrás de nós, sabia pelos gritos e os barulhos de tiros. Eram cerca de cinco caras e eram enormes, eu diria da altura do ruivo. Eu não tinha certeza de onde nós estávamos indo, a vizinhança era pouco conhecida por mim, pelo menos naquele lado.
Chanyeol me puxou para uma rua sem saída e eu me desesperei, ele me puxou de volta e corremos em direção a entrada porém os cinco homens adentraram a rua que era quase como um beco, rindo e soltando xingamentos e provocações à Chanyeol. O mesmo me colocou atrás dele e me colocou contra a parede, me protegendo. Ah, como acabamos aqui?
Nós somos novos, eu estava no meio da minha faculdade de Moda e Chanyeol havia acabado sua faculdade de música a alguns meses, quando estávamos no primeiro ano da faculdade ele me pediu para morar com ele e quem sabe um dia ser a senhora Park. Óbvio que eu aceitei, achamos uma casa pequena e a alugamos, dividimos tudo mas o difícil era que eu trabalhava e Chanyeol não estava conseguindo dinheiro. Até que uma hora ele apareceu com um emprego, segurança noturno de algum lugar e ele recebia tão bem. Fiquei feliz pelo seu sucesso e conseguimos manter a casa e uma vida melhor do que imaginei.
Mas mês passado Chanyeol chegou muito machucado em casa e nesse mês não recebeu seu salário, apenas disse que teve uma discussão com um dos bêbados que estava no lugar. Eu estranhei mas não questionei, sabia que ele estava fazendo o seu melhor.
E então ele começou a sumir mais e agir estranho e sinceramente eu não entendia mais, mas nunca questionei. Mantive a casa tranquilamente com meu salário, mas sem os luxos anteriores, nada preocupante. Até que um dia ele quebrou, o encontrei tão bravo no quarto, havia quebrado um espelho e gritava de ódio.
Então, ele me contou tudo. O quanto se sentia incapaz de me dar a vida que prometeu e se sentia incapaz de conseguir algo bom. E que um amigo havia lhe arrumado um emprego de segurança, de um clube onde uma grande máfia agia. E uma das ordens que recebeu era inquestionável, precisava se livrar de um homem que estava dando muitos problemas.
E Chanyeol meu bobo alegre de quase dois metros não conseguiu matar ele. E pediu para sair do trabalho, mas ele estava ali a uns meses e sabia demais e quando ameaçou contar tudo se não saísse da companhia, espancaram ele. E agora estavam atrás dele, cobrando todo o dinheiro de volta para então “esquecer” dele.
Mas era muito dinheiro e ele não estava conseguindo arrumar, e eles decidiram pesquisar sobre ele e eu entrei na história. Começaram a fazer ameaças a minha vida e colocaram um homem para me seguir e descobrir tudo que eu fazia e mandaram fotos e ameaças para ele.
Nem meu salário era possível de cobrir toda a dívida em tão pouco tempo, mas iríamos dar um jeito. O que não aconteceu, e hoje durante a preparação do almoço, Chanyeol entrou correndo pela porta e me tirou da cozinha, pegando um casaco para mim e nossos celulares, seu rosto estava machucado e sangrando um pouco, junto de suas mãos.
E quando saímos do prédio, podemos claramente ver caras entrando pela porta de trás, eles estavam lá para me matar. Eu sabia disso. Então nós corremos ao máximo, por todas as ruas até que começam a nos seguir, e em algum momento começam a disparar contra nós. Umas bala quase acertou minha cabeça e uma atingiu o ombro de Chanyeol.
E mesmo com a dor ele não parou de correr, nem diminui a corrida. Apenas seguiu, me dizendo em tom baixo para não desistir e dizendo que iria me proteger, eu queria chorar e gritar mas tudo que fazia era me esforçar para acompanhar seu passo.
E ali estávamos, sem saída. Eu estava tremendo, a adrenalina e o medo deixou meu coração acelerado.
- Sabe Park você poderia ter facilitado tudo. Não era uma tarefa difícil, e você receberia o dobro mas é um merdinha medroso. – Uma gargalhada alta foi ouvida, ele se aproximava. Parecia ser o líder e em sua mão direita tinha uma arma.
- Eu não estava lá para tirar vidas, Lee. Se quer resolver isso, tudo bem. Mas deixe ela ir em segurança pra longe disso. Não a envolva. – Chanyeol dizia tudo de forma calma e mantinha o contato visual fixo. Os outros caras não se moviam, era como uma muralha atrás do tal Lee.
- Nenhum de nós tem problema com a garota, Park. Iríamos somente a usar como isca, você sabe que se temos um problema com alguém, nós resolvemos diretamente. – Eu não confiava na palavra deles e Chanyeol não parecia acreditar também. – Você quer morrer na frente dela? Certo, cada um tem seu jeito. - Após ver que ele havia apenas se movimentado de forma mais protetora o mesmo soltou a frase com puro sarcasmo.
Então ele fez um gesto com a mão e três dos brutamontes caminharam em nossa direção, e de alguma forma Chanyeol acertou um deles, e conseguiu desacordar ele de forma rápida. Mas os outros dois pareciam mais espertos e cercaram ele, enquanto um o segurava o outro batia com toda força em seu rosto e tórax.
Eu me desesperei e corri em direção a Chanyeol, precisava defender ele. Porém o quarto cara me segurou, ele me prendeu com os braços colando minhas costas ao seu tórax e me mantendo ali, parada. Eu via Chanyeol apanhar mais e mais e se defender tão pouco, comecei a gritar seu nome e as lágrimas finalmente saíram, me deixando com o coração apertado.
- É uma pena que as coisas acabem assim, garoto. Você poderia ter sido grande lá dentro. – O tal Lee se aproximou do meu noivo, seu rosto estava cheio de sangue e seu corpo estava jogado no chão, ele parecia desfigurado e acabaria ficando inconsciente a cada momento.
- Chanyeol.. – A minha voz sumia entre os soluços e as lágrimas. Eu queria fechar meus olhos e ao mesmo tempo correr e abraçar ele, proteger o doce e idiota bobão que me trazia flores todas as segundas.
- Garota, você não tem que pagar pelos erros dele. Vá embora, vá para casa. Esqueça ele e siga sua vida. Ou apenas assista. – Ele, me olhou com piedade. Eu não abandonaria Chanyeol. Balancei minha cabeça negativamente, quando eles fossem poderia chamar a ambulância. E salvar ele.
- Eu não vou sair do lado dele. – Minha voz era rouca e falhava e em algumas palavras mas ergui meu rosto e o olhei, nos olhos dele e vi apenas ele suspirar.
- Garoto, você poderia ter tudo. Dinheiro, poder e alguém fiel ao seu lado. – Lee falou as lavras lentamente, agachado próxima a Chanyeol. – Mas é mole, então acho que devo ser rápido já que até cheguei a respeitar você.
E em um instante, ele levantou e engatilhou a arma.
E atirou na cabeça de Chanyeol.
Eu gritei o nome do meu noivo, não pensei que seria daquela forma. Tão rápido e frio, ele apenas matou o garoto alegre que tocava violão e cozinhava de forma desajeitada. Em um disparo ele acabou com todos meus sonhos e as minhas esperanças. O homem que me segurava me soltou e acabei caindo de joelhos, chorando compulsivamente.
Me arrastei até o corpo, ralando meus joelhos. Eu não sabia aonde tocar e tremia , então apenas me deitei nas suas costas e chorei, tudo que havia em meu peito. Eu berrava e soluçava, chamando seu nome. Ouvi os passos se distanciando e logo éramos somente eu e Chanyeol ali, e logo chegou uma ambulância e a polícia. Algum vizinho que covardemente presenciou tudo deveria ter chamado eles.
Ah, Chanyeol você tinha que querer sempre me proteger? E querer me dar tudo?
Eu nunca quis as joias e as flores, eu queria você. Eu queria nossos filhos.
Eu queria ver você tornando seu sonho realidade e tocando pra mim.
Eu queria deitar no seu peito e cantarolar nossa música.
Mas tiraram você de mim Chanyeol.
E quando mataram você
Eu também morri.
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°•Details•°
RomancePequenos detalhes são o que mais marcam. ◇ Coletânea de One-shot sobre os membros do EXO em situações tristes ◇
