Con Clavi Con Dio

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Saindo da sala fria o mais rápido possível com sua bolsa na mão, Carina corre para o banheiro e se tranca em um dos espaços individuais colocando uma mão no peito e sentindo seu coração retumbar. 

Que coisa esquisita! Podia jurar que estava sendo seguida no corredor! 

A jovem professora recosta-se numa das paredes e tenta se controlar, respirando fundo repetidas vezes, tentando se convencer de que estava imaginando coisas.

Dizendo a si mesma para deixar de ser boba, Carina abre sua bolsa e pega o pequeno cantil metálico que contém seu calmante de sempre. Desrosquea a tampinha do gargalo e vira o líquido que desce quente pela garganta. Tinha o costume de beber entre as aulas, especialmente quando uma das crianças resolvia testar sua paciência.  

Goles vorazes dados, ela recoloca o frasco dentro da bolsa e vai até o espelho do banheiro. "Não seja boba, Carina. Tá imaginando coisa por causa da pivete estranha." Diz a seu reflexo molhando seu rosto  e se recompondo. 

Enquanto lava sua boca do gosto e cheiro de alcool, a luz do banheiro oscila três vezes assim como ocorrera na sala de aula. 

Carina olha para cima, observando a luz apagar e acender sozinha. Quando finalmente pára e sente um suave arrepio lhe percorrer a pele, resolve dar mais alguns goles de seu frasco metálico. 

Com a boca no gargalo e acabeça inclinada para trás, Carina não vê quando uma rarefeita fumaça branca começa a sair de dentro do ralo da pia, tênue gás que toma forma saliente, serpenteando o ar ao redor da professora que no momento está concentrada demais em terminar o que havia na garrafinha. 

Quando a fumaça branca e grossa começa a adentrar as narinas de Carina, pouco a pouco toma conta do espaço dentro do corpo dela, dominando assim a nova carne humana. 

Carne humana que agora usaria para executar a ordem que recebera.

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De volta a sala de aula alguns minutos depois, Carina já se sente mais calma, mais leve que o ar e mais preparada para falar com Viviana sobre as mortes em sua família. 

"Vivi..." Ela chama a garota assim que se senta a sua mesa. "Eu gostaria de conversar com você." Carina sorri largamente e faz um gesto indicando a garota para vir até ela. "Agora." Ela diz antes que a garota proteste o convite que atrapalharia sua tarefa. 

A menina dá pequenos passos até a mesa da professora que a pega pela cintura e a faz sentar sobre sua mesa para que pudesse falar com ela frente a frente. Viviana segura uma mãozinha na outra e as coloca sobre seu colo, balançando os pézinhos que agora estavam tão distantes do chão. 

"Vivi..." A professora coloca uma das mechas dos longos cabelos castanhos da garota atrás de uma de suas orelhas. "Sabe porquê sua irmã morreu?"

"Ela tava doente. Que nem a minha mãe, tia Carina." 

"Exatamente." Carina sorri de forma exageradamente meiga. "E sabe por quê ela estava doente, minha princesinha?" Carinha toca na ponta do nariz de Viviana que simplesmente faz que não com a cabeça em resposta. "Porquê a sua família é composta de víboras peçonhentas e malditas que vendem a alma até de quem nem nasceu ainda para conseguirem o que querem." A professora sorri e a menina apenas a ouve. "O seu sangue é maldito." Carina aperta a bochecha da menina. "E todos que possuem sangue maldito tem que morrer, minha florzinha."  Carina se levanta, colocando-se em frente a menina que apenas a acompanha com o olhar. "E os que não morrem sozinhos..." A mulher lentamente afasta as cabelos que cobriam o pequeno pescoço de Viviana. "Precisam ser eliminados da face da terra." 

Haresis DeaOnde as histórias ganham vida. Descobre agora