Eram flores bonitas, eu admitia. Rosas vermelhas e rosas. Sorri com a confusão de palavras, imagino o motivo de um buquê tão belo estar dentro de uma lata de lixo. O papel da embalagem começava a molhar por conta da chuva, o dia estava frio e honestamente eu queria pegar elas para por na minha sala, mas tinha um resto de dignidade.
Talvez uma traição? Um término? A moça que passou correndo estava chorando então uma possível tentativa de reconciliação? Mas ela não jogaria as flores na lata, certo? Observo um guarda chuva preto grande tampar minha visão, em baixo dele havia um homem com uma expressão triste, seus cabelos molhados denunciava que ele tomou chuva anteriormente.
Esticou sua mão para dentro da lata e pegou o buquê, talvez ele que tivesse entregado para a moça. Olhei ao redor, havia poucas pessoas na rua devido a chuva e nenhuma prestava atenção na cena, e a garota de cabelos claros também não estava no cenário.
Eu deveria estar parecendo uma maluca.
Me assustei suavemente quando ele virou e ficou de frente pra mim, ainda olhava para o buquê que segurava, caminhou para o meu lado e fechou o guarda chuva. Agora estávamos em frente à minha cafeteria favorita pelo mesmo motivo, fugindo da chuva
Mas, eu achava que ele fugia mais do que apenas da chuva.
- Sinto Muito... – Não pude me controlar e sussurrei as palavras gentilmente para ele, sem olhar ele pude notar que fui notada, mantive meus olhos no céu para observar as gotas frias que caiam em mais quantidade.
- Eu mereço, está tudo bem. – Após um suspiro ele fez a confirmação com uma voz rouca. Não creio que alguém mereça aquilo, estávamos num dia chuvoso e dias assim deveriam ser alegres.
- Não acredito mas mesmo assim espero que tudo se resolva ou melhore. – Dei um sorriso de lado e o olhei, ele parecia triste e cansado mas forçou um sorriso fechado e assentiu antes de desviar o olhar.
- Creio que você está sendo boa por não saber os fatos. – Sua voz era a mesma mas agora possuía mais estabilidade. – Eu trai ela com uma antiga amiga.
Ah, sim. Isso fazia sentido.
- Isso não é uma coisa legal de se fazer. Mas, as pobres flores não são as culpadas. Entendo ela querer descontar mas invés de jogar as flores no lixo poderia ter jogado você ou apenas te machucado fisicamente. – Quando terminei a fala ele me olhava com os olhos surpresos e poderia até mesmo arriscar divertidos. Soltei uma risada e fui acompanhada por um riso fraco por ele.
- Acho que seria melhor, para as flores. – Sorri e concordei com a cabeça, a chuva não iria parar. Eu entendi isso. Acho melhor ir agora, minha casa não é longe então era só ir rápido. Ergui meu guarda chuva e o abri.
- Espero que tenha mais sorte da próxima vez, senhor. – Fiz uma curta reverência e me virei para caminhar pela rua.
- Espere, desculpe. Qual o seu nome? – Ele deu longos passos apressados até minha direção e entrou em baixo do meu guarda chuva me fazendo erguer o mesmo para não machucá-lo. Fiquei um pouco sem graça pela proximidade mas resolvi responder.
- Anne. – Ele sorriu e pronunciou meu nome em tom baixo.
- Obrigado, por não me julgar. E sei que não estão em boas condições mas queria que aceitasse. – Estendeu suavemente o buquê, que particularmente continuava lindo. Apenas um pouco molhado e amassado. Sorri e o segurei com minha mão livre. – Sou o Junmyeon.
- Muito obrigada, Junmyeon. – Olhei bem o embrulho, tinha um K entrelaçado com um J. Meu olhar ficou confuso e voltei a olhar seus olhos escuros. – Não sabia que eles personalizar as embalagens. – Soltei uma risada e ele pareceu corar um pouco.
- Bem, a floricultura é minha. – Fiz um som de surpresa de forma involuntária. Ele era o dono de uma floricultura, isso era impressionante.
- Fascinante. Bem, eu agradeço Junmyeon. – Ele sorriu e se afastou voltando para a frente da cafeteria, pegou o guarda chuva que estava no chão e seguiu para a beira da calçada, entrando em um carro escuro e bonito. Sorri e decidi seguir meu caminho, com um sorriso graças ao presente inesperado.
Ao chegar em casa decidi primeiramente por as flores em um vaso, iria cuidar delas. Troquei de roupa e fiquei mais confortável, mas admito que Junmyeon não saia de minha cabeça. Seria errado procurar sua floricultura? Apenas um café.
Bem, Junmyeon aceitou meu café.
E me convidou pra jantar.
Depois para um almoço. E para tomar sorvete. E outros inúmeros convites aconteceram.
Estávamos em sua sala de estar, sentados no tapete com garrafas de Soju vazias ao nosso redor. Riamos como bobos, Junmyeon era um cara legal então sempre passava na minha cabeça o motivo se nós termos nos conhecidos. Aquele cara havia traído uma mulher que dizia amar. Por que iria me envolver com ele?
- Sabe, eu amava Sojin mas discutíamos tanto que eu decidi beber e acabei dormindo com a Sohye. Foi vergonhoso e eu contei pra ela no mesmo dia, quando voltei pra casa e ela estava morrendo de preocupação. E então ela decidiu terminar e se afastou de mim por dias e eu tentei levar suas flores preferidas para ela e bem, acabamos naquele café. – Ah, eu estava com as flores de Sojin, com o namorado de Sojin e talvez no tapete que Sojin havia escolhido.
Me sentia mal, eu era um tipo de prêmio de consolo?
- Entendo, não falou com ela depois disso? – Continuei a conversa como se não tivesse me sentindo um lixo. Ele negou e começou a rir com o programa que passava na TV, Junmyeon estava bêbado. Comecei a arrumar a sala, iria me certificar que tudo estava bem e iria embora, precisava me afastar.
Não foi difícil cuidar dele, ele apenas deitou no sofá e dormiu enquanto eu arrumava a sala. Suspirei e fiquei da altura de seu rosto, o cheiro do álcool era forte e ele parecia num sono profundo, ele era bonito. Me aproximei e selei nossos lábios, era um beijo rápido e superficial mas que fez meu coração disparar.
Me afastei e suspeitei, pegando minha bolsa e indo em direção a porta. E quando abri, lá estava Sojin. Com o dedo na campanha, sorri forçado e sai do apartamento, passando por ela.
- Entre e se resolvam quando ele acordar. Ele não para de falar de você, mesmo que pareça estúpido ele ainda te ama. – E entrei no elevador antes que ela visse uma ou duas lágrimas escorregarem pelo meu rosto.
Suspirei, tudo iria passar. Foi coisa do momento.
E eu presenciei eles se resolvendo.
E soube quando noivaram.
Estava lá, do lado dela quando eles se casaram.
Por que eu era a madrinha dela.
Eu encontrei o amor também, tive filhos. Uma linda família.
Mas Junmyeon sempre estaria no meu coração nos dias chuvosos, junto de uma xícara de café e um buquê de rosas.
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°•Details•°
RomancePequenos detalhes são o que mais marcam. ◇ Coletânea de One-shot sobre os membros do EXO em situações tristes ◇
