0.6 Quem és tu?

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A N G E L

— Deixe-me lhe mostrar seus aposentos.  — ele disse, saindo da cozinha.

Eu o segui, passando pela sala de estar, onde havia acordado há poucas horas, em seguida subimos uma escada com muitos degraus, que logo me cansaram, e continuamos andando por um corredor que nos levou até uma porta. Nicolas parou de frente para ela que me fez parar o seu lado, curiosa.

Ali seria o quarto onde eu passaria a noite?

— Aqui tem uma biblioteca... Talvez... pensei que... bem... Talvez você goste de ler. — Nicolas se atrapalhou com as palavras e lhe lancei um sorriso.

— Então abre a porta. — mandei, olhando para a porta de madeira, que parecia pesada. Ele a empurrou e eu passei cheia de expectativa. Assim que entrei me deparei com muito além do que imaginava.

— UAU! — estava sem palavras, e isso foi tudo o que saiu de minha boca enquanto olhava aquilo.

O lugar era enorme, com prateleiras cheias de livros. Eu nem conseguiria contar ou ler tantos livros assim. Uma janela com grades, que dava para ver o céu. Era o lugar mais confortável e acolhedor da casa.

Sem pensar duas vezes, me aproximei de uma das estantes. Encostei os dedos nos livros empoeirados até o fim da prateleira.

Um deles me chamou atenção e me fez retira-lo de seu lugar. Em seguida, o levei próximo ao rosto de maneira que conseguia sentir seu cheiro. Amava cheirinho de livros, não só de novos, mas também cheiro de velhos, livros que já foram lidos por várias pessoas, e aqueles pareciam guardar o cheiro eternamente.

Eu nunca tinha estado em uma casa com biblioteca, apesar de ter estado em muitos lugares.

— Então ama livros tanto quanto eu? — ele perguntou pegando um livro aleatório da estante.

— Sim, meus preferidos são os de suspense, me deixam curiosa para chegar a última página. — respondi lendo o título do livro que segurava.

Ele retira um livro do alto da estante e me entrega. — Esse é pra você.

— Para mim? — perguntei surpresa, segurando o livro. Ele assentiu com a cabeça. Abracei o livro contra meu peito. — Obrigada.

— Quando terminar, pode pegar outro. — ele murmura e foi na direção da porta, o sigo novamente.

Ele me guiou pela casa, enquanto eu observava a decoração. A casa era bem maior do que parecia ser por fora.

— Não toque nas minhas coisas. — ele disse bravo quando toquei uma estátua pequena que estava em cima de um tipo de mesinha.

— De qualquer forma, partirei amanhã de manhã cedo, assim não terei de lhe aguentar. — anunciei sem me importar.

— Me aguentar? Eu...

— Shhh... fique calado, estou com dor de ouvido. — sussurrei, fazendo uma careta de dor, antes de acrescentar. — É mentira, só não quero ficar ouvindo você tagarelar.

— Não me interrompa, isso é falta de educação. — Nicolas comentou, se virou e tornou a andar, como se não houvesse acabado de xingá-lo. — E não minta para mim, Angel.

— É como dizem "atura ou surta" bebê. — falei e mandei um beijo no ar para Nicolas. Minha voz soou provocante.

Silêncio. Só nossos passos.

— Quem é você? — Perguntei quebrando o silêncio que se formava no ambiente.

Um estranho. Desconhecido.

Tudo por causa de uma RosaLeia esta história GRATUITAMENTE!