0.5 Luta contra os lobos

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N I C O L A S


— Você ta falando sério? Tem certeza que é ela? E se for só mais uma humana normal como todas as outras?

— Ela colheu a rosa e foi espetada, mas não morreu. A rosa não a envenenou, só a adormeceu. E... não sei o que fazer quando ela acordar. — confessei olhando para a menina em meu sofá. Parecia uma espécie de anjo enquanto dormia.

— Isso que dá passar anos sem interagir com humanos. — ele disse do outro lado da linha.

— E com quem eu iria conversar? Com meus prisioneiros? Com as pessoas que entram na floresta? Sério, não tem como conversar com elas. Sempre dizem a mesma frase, o mesmo roteiro do "Ah, não me mate!". — digo lembrando de um caso bem recente.

Ela se mexeu um pouco no sofá como se fosse acordar, então dei alguns passos na escuridão para me esconder dela e desliguei a chamada com Marcos. Então ela se sentou, esticou os braços para cima de modo preguiçoso, em seguida ainda meio ensonada puxou uma almofada para o seu colo e vi os seus olhos azuis, que me lembravam o céu e que observavam o lugar atentos.

— Você gosta de flores? — perguntei, em parte por estar curioso. Mas é claro que ela gostava de flores, caso contrário não teria arrancado a rosa.

— Amo. — ela simplesmente responde, distante.

— E porque colheu minha rosa? — perguntei.

Traduzindo: Me dê um bom motivo para não te matar. Agora vamos ver qual vai ser a desculpa da vez.
— Responda!

— Então é assim que trata suas visitas? Se escondendo delas, fazendo interrogatórios e nem sequer se apresenta? Cadê suas boas maneiras? — ela disse cruzando os braços e mordendo o lábio inferior, depois acrescentou. — E para a sua informação, colhi a rosa porque eu a queria para mim.

— O que faz aqui? — perguntei. Por mais que eu soubesse que os invasores entravam na floresta, nunca perguntei como ou porque. Isso nunca me interessou. Então porque agora?

— Não sei, simplesmente desmaiei e vim parar aqui... — respondeu a menina de fios loiros acariciando as pétalas da rosa.

— Não foi isso que eu perguntei. _— O que faz aqui? — perguntei.

— Não sei, simplesmente desmaiei e vim parar aqui... — respondeu a menina de fios loiros acariciando as pétalas da rosa.

— Não foi isso que eu perguntei.

— Então deveria formular melhor suas perguntas. — ela respondeu grossa.

— O que faz aqui? — repeti a mesma pergunta, me fazendo revirar os olhos.

— Eu... estava fugindo, não tinha para onde ir, corri pelas ruas e parei de frente para a floresta, lembrei me de todas as lendas que dizem sobre este lugar e adentrei. — a humana se explicou. 

— Então deveria formular melhor suas perguntas. — ela respondeu grossa.

Que menina grossa. Quem ela acha que é para falar comigo assim? Agora era minha vez de me divertir. Me aproximei por trás de modo que a luz não me alcançasse e enrolei uma mecha de seu cabelo loiro em torno do dedo, o que provocou arrepios em sua pele, sua postura se tornou rígida, demonstrando o quão desconfortável ela estava, mas continuei. Seus fios eram macios, tanto que eu poderia passar o dia os acariciando. n

— Não toque em mim! — ela elevou o tom de sua voz e no momento seguinte, estava de pé, se afastando de mim.

— E se eu não quiser?

Ela me ignorou, e começou a andar em direção da porta.

"Ela está indo embora!" Meu subconsciente alertou quase gritando dentro da minha mente. Ela não poderia ir. Comecei a andar em sua direção, sem me importar se ela iria me ver e cheguei antes de ela girar a maçaneta, coloquei minha mão sob a dela tentando faze-la parar.

— Aonde você pensa que vai?

Ela olhou para nossas mãos e depois para mim.

— Para bem longe de você, seu cretino!

Em um movimento brusco, retirou a sua debaixo da minha e abriu a porta, sumindo por ela.

Decidi segui-la de uma distância razoável, pois, a floresta podia ser perigosa para  humanos durante a noite, e notei quando ela parou, parecia perdida.

Aconteceu rápido demais, os lobos surgiram das moitas fazendo ela cair. Sem pensar duas vezes, me coloquei em sua frente, sabia onde estava me metendo. Já havia lutado muito com esses lobos durante a vida e sabia exatamente como coloca-los em seu devido lugar.

Eles tinham uma pequena parte da floresta, a qual lhes pertencia. Então eu não colocava os pés no território deles e vice versa, paz. Além disso, as vezes eu permitia que eles matassem os invasores por mim. Mas eles estavam em meu território. 

Eu deveria pôr fogo nesses lobos e deixa-los sem pelos, pensei. 

Depois de uma batalha, modéstia a parte, acho que fui bem, deixei meu corpo fraco cair de encontro com o chão. Deixei meus olhos fechados e esperei meu coração se acalmar.

Ela iria embora agora, como todas as outras pessoas. Quando mais precisei, elas sumiram. Como todos de sua espécie.

Então, como se para me surpreender ainda mais, senti seu rosto encostar em meu peito e seus fios encostarem de leve na minha pele. Segurei o riso por sua inocência e preocupação. Eu não morreria por causa de uma luta com lobos, mas ela parecia assustada.

E foi assim que ela perdeu a chance de escapar de mim.

*
Hey! AGORA A HISTÓRIA VAI COMEÇAR A ESQUENTAR! 

Obrigada por ler até aqui. Já entrou no grupo de leitores do livro? O link está na minha bio. Ou pode me enviar seu número no meu pv. Obrigada. Esse capítulo ficou bemm pequeno.

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Até o próximo capítulo!

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