0.4 Machucados

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Angel narrando*

Desencostei a cabeça de seu peito e seus olhos esverdeados se abriram. Graças aos céus. Soltei um suspiro de alívio.

— Você acaba de perder sua única chance de ir embora. — ele sussurrou ofegante, em seguida continuou. — Você também não se apresentou. Meu nome é Nicolas.

Ele se pôs de pé e me estendeu a mão, hesitei antes. Parecia totalmente recuperado, quando rodeou meu corpo e me pegou em seu colo. Meus braços rodearam seu pescoço, minhas pernas rodearam seu quadril e ele segurou minha cintura. Me senti segura ali e descansei minha cabeça entre seu ombro e seu pescoço, em seguida fechei os olhos. Nada mais me importaria enquanto pudesse ouvir a batidas do seu coração acalmando o meu.

Só percebi que chegamos em casa, quando fui retirada daqueles braços quentinhos e colocada no chão. Por um momento, esqueci de seus ferimentos.

— Onde tem uma maleta de primeiros socorros? — perguntei demonstrando minha preocupação.

— Em cima do armário. — ele murmurou, não dando a mínima para os machucados.

Segurando em sua mão, o guiei até a cozinha, em direção ao armário. Quando tentei pegar a maleta, percebi que minha altura não era suficiente para tal. Me estiquei, dei alguns pulinhos e fiquei na ponta do pé, tentando alcançar, mas não funcionava.

Sentia o olhar de Nicolas sob meu corpo e isso me fazia tremer um pouco. Ousei olhar para trás por um segundo e o vi sentado no balcão, onde me esperava, observando cada movimento de meus músculos.

Voltei minha atenção para o armário a minha frente e respirei fundo, me lembrando de uma vez quando escalei uma árvore para pegar um dos gatos da vizinha que tinha ficado preso ali.

Então, apoiei um de meus joelhos na parte mais baixa e depois o outro, usando minha elasticidade que era pouca e minha força. Conseguia sentir a adrenalina correr em minhas veias, minhas mãos seguraram nas "maçanetas" das portas de vidro do armário e usei as para me erguer. Ficando de pé, soltei uma das mãos e o armário rangeu e se inclinou um pouco como se fosse cair. Meu coração veio a boca e voltou, mas o armário continuou ali parado. Então peguei a maleta, era pesada, eu iria precisar das duas mãos para retira-la dali. Mas se soltasse meus apoios, iria cair.

No entanto, eu fiz todo aquele esforço para conseguir aquela droga de maleta e agora ela iria descer comigo! Mesmo que para isso eu tivesse de levar uma queda.

Soltei a minha única mão que me mantinha segura da queda e quase me desequilíbrio e caí, mas conseguir manter o equilíbrio. Soltei o ar que estava prendendo e me agarrei a maleta de primeiros socorros, com o peso meu corpo se inclinou para trás e lá estava ele, segurando meu quadril. Ele me tirou de cima do armário e me pôs no chão.

Nicolas retornou para seu lugar, sentado no balcão e eu fui até ele, e me coloquei entre suas pernas. Abri ao maleta e peguei apenas o necessário.

Coloquei tudo ao lado de Nicolas, em cima do balcão. Sentado, ele acabou por ficar da minha altura. Encharquei um pedaço algodão com um pouco de água oxigenada  e ao passar bem de leve em um de seus ferimentos, Nicolas soltou um incompreensível gemido de pura dor.

— Fique parado. — mandei quando ele se contorceu de dor.

— Saiba que se você não tivesse fugido, isso não teria acontecido. — Nicolas retrucou, em uma tentativa falha de fazer eu me sentir culpada.

Tudo por causa de uma RosaLeia esta história GRATUITAMENTE!