- Ciclos de Vestígios -

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As estrelas surgem espalhadas, contornando a lua, e você pensa tê-las visto brilhar em dourado, como a aura de Alquemena Una. Pensa se a Rainha estava olhando por seus caminhos, orgulhosa, querendo o melhor para suas realizações. Ela era uma figura admirável, invocá-la através das palavras era trazê-la à tona, quase tátil em vida, e te deixava com vontade de provar valor para receber suas possíveis bênçãos.

Bastien encontrara luz ao pensar em Una, quem sabe, você também encontraria, pensou.

— Este conto que trago ocorreu logo abaixo destas montanhas – o fauno apontou para as florestas, mostrando a trilha que levava a uma imensa casa na base das Colinas. – Parte dele, ao menos. Lembram-se do Barão das Colinas Brancas? Vamos fazer uma visita à sua casa, mas com companhias bem melhores que as dele... 


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O relógio solar em frente a escadaria da mansão dos Caustenheim já havia caminhado com a sombra por todo um período das marcações no mármore, batiam à porta desde que chegaram à Álamus, no aguardo da dona recebê-las para que pudessem seguir com as tarefas antes de continuarem a viagem para Asgaha. A estufa ao lado do casarão estava vazia, Khalina havia verificado cada canto das plantas secas e abandonadas, revirado vasos à procura de algum alçapão em que Serena Caustenheim pudesse estar escondida, ou ocupada com alguma tarefa trivial, mas não haviam sinais de que qualquer pessoa estivera ali nas últimas semanas.

Os degraus estavam sujos, grossas camadas de terra e farelos de folhas faziam companhia à Elysia. Ela amarrava em torno dos dedos os caules que não estavam quebradiços, criando anéis para ocupar o tédio incessante. A montaria da Amazona de Opala, sua companhia desde Ilihad, o Reino das Águas, descansava diante da fonte destruída na fachada da construção. A paz da égua lhe causava certa inveja, queria ter a habilidade de dormir à noite com tamanho sossego.

— Vamos embora – pediu mais uma vez, vendo Khalina socar os punhos na porta. – Ou podemos invadir também, assim temos certeza de que a menina não morreu aí dentro.

Virando-se, a Amazona lhe encarou com os olhos cor de esmeralda:

— Já tentou contatá-la?

— Sim – Elysia limpou os grãos de terra do colo, levantando para ir até a companheira. – Mas há um fluxo muito grande de energia por perto, eu precisaria de, pelo menos, umas quatro horas até rastreá-la.

— Ótimo – respondeu Khalina, pedindo para a garota se afastar. – Então entraremos à força.

Com a colocação da mulher, a égua acordou agitada. A crina balançando conforme o movimento de Khalina na varanda da mansão. Estavam ligadas pela aura opaca que se exibida em torno dos contornos de ambas, e Elysia sentia fisgadas em sua mente ao perceber as nuances daquele elo etéreo.

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