Capítulo 3 - Terra Caída

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O treinamento passou mais rápido do que eu previ e fui informada que Lammar estava um verdadeiro caos depois do sumiço do seu Príncipe. Ou seja, minha cabeça deveria valer muito entre os demônios, porém não sabiam que tinha sido eu, pelo visto, já que a Rainha das Fadas tinha me deixado fora de circulação para os servos dele. Resumindo, eu morri e ele sumiu. Fim da história. Por isso, o sumiço de Samael era tratado por todos como um mistério. O que essa distração traria para o nosso mundo, era algo incerto para nós. Contudo, Frida e eu traçamos um plano para que eu consiga chegar a Capital.

E hoje, eu o colocaria em prática.

Abred, um dos servos da Rainha e meu mentor desde que me entendo por gente, me guiava pelas montanhas para que eu não precisasse passar por Lammar. Tudo que eu não precisava agora era que os demônios da cidade soubessem que eu estava viva. Por mais que passando pelas cidades demoníacas fosse mais rápido já que eles se utilizavam dos sistemas de trens e metrôs humanos que conectava todas as regiões, seria muito arriscado e eu precisaria de uma moeda cara para pagar um simples bilhete.

Uma moeda que eu não queria pagar.

Olhei para o colar que Frida tinha me dado e que agora estava escondido dentro das minhas novas roupas, que as fadas tinham roubado de alguns demônios. E me lembrei do que ela disse, aquilo ia me proteger de novas maldições e me livrar da maioria do domínio dos poderes deles. Ia distorcer meu rosto que agora estava estampado nas saídas e entradas das cidades, como a última pessoa que viu Samael vivo. Se duvidassem que eu tinha realmente morrido, aquilo seria meu fim.

 Minha cabeça era cara e, por isso, não podia tirar aquilo de forma alguma.

Olhei para a pequena adaga que ela tinha me dado para me defender deles, uma fanier, banhada em ouro e bronze das fadas, porém sua recomendação foi clara: precisava encontrar um jeito de possuir uma arma demoníaca, só assim mataria o Rei, com uma de suas próprias lâminas. Armas das fadas são efetivas com demônios, menos com Ele, mas assim que estiver na frente de qualquer um deles e retirar uma fanier de qualquer nível ou formato, estava sentenciando não só a minha alma, como também todas as fadas caso ficasse viva. Caso pudesse ser torturada.

Eu resisti bem aos abusos de Samael, porém... Vi que minhas mãos ainda estavam trêmulas somente de relembrar aquilo. Ainda podia senti-lo em mim, mesmo que tivesse sobrevivido. Não ia ser assim com todos. Não ia ser assim se não fosse efetiva na hora de matar o Rei.

— Abred, estamos chegando? — questionei, segurando minhas próprias mãos que ainda não tinham parado de tremer e ele suspirou fundo, tinha percebido meu ressentimento.

— Estamos nos limites de Lammar, em breve veremos Terra Caída, é onde fui incumbido de te deixar, Perséphone. Contudo, não acho uma boa ideia...

— Não preciso de ajuda, você me treinou muito bem desde sempre. Este é o momento para colocarmos seu treinamento em prática!

— Isso não significa nada nessa situação. Pense na Sam, em tudo que estamos arriscando agora. E eu não preciso da sua autorização, já que estou desrespeitando a da Rainha por sua causa. Nós seguiremos juntos. Me obedeça!

— Você é uma fada, Abred. Mesmo que se passe por um humano comum, seus olhos o denunciarão. — rosnei, o que ele estava pensando?

— Eu darei um jeito nisso... — sorriu.

A cidade de Terra Caída ficava entranhada no meio da montanha, em torno de todas aquelas árvores secas e sem vida e apareceu no meio dos meus olhos como uma surpresa. E rapidamente tive que desviar o olhar uma vez que toda vez que qualquer luz batia nela, produzia um reflexo incomodo que vinha para o meu rosto mesmo numa enorme distância.

Os Pecados de PerséphoneRead this story for FREE!