- O Entardecer dos Justos -

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Agitados, alguns convidados da roda de contos vão até as moitas para fazer suas necessidades, outros pedem à Naví para que deem uma volta antes de ouvirem os próximos episódios. A correria de Ezra e Declan para fugir da terrível criatura sombria até te deixou com vontade também de espairecer um pouco, mas você aprecia a presença do fauno e não quer vê-lo sozinho. Ter a companhia do Filho do Elemental da Terra é inquietante, mas a curiosidade que ele lhe desperta te faz continuar fiel às narrações e, vez ou outra, as loucuras ditas ao vento: acha lindo ter um ser desses dispostos a trazer tanto encanto para a sua vida e dos outros colegas.

— Você acredita no poder da magia? – O fauno aproveita a quietude e lhe pergunta, entregando um papel com ilustrações dos contos anteriores. – Um presente! Mas me responda, acredita?

Explanando, você diz que sim, acredita, contudo, que de onde vem a magia tem ficado extinta, tanto do coração das pessoas quanto na utilização da mesma no dia a dia. Fala ao fauno que não vê mais entusiasmo quando o assunto é trazido, que há certo ceticismo no mundo sendo incômodo e tirando a esperança daqueles que creem nas energias emanadas pelos seres mágicos:

— Existe uma tendência de destruirmos tudo que pode trazer bem ao mundo. A magia quebra padrões, vai além, e queremos afastá-la para manter as coisas como são. Digo isto como um Filho de Elemental, imagina isto para vocês, humanos, Filhos da Chimera, deve ser ainda pior. – Ele olha para os lados e percebe, junto a você, o retorno dos outros colegas. – Falando em magia, venham conhecer mais sobre os Feiticeiros conosco.

Alguns suspiros soam ao seu redor, mas o fauno logo os silencia:

— Não, não. Não falaremos sobre nossa cara Lady Noctis – Alguns reclamam e ele ri. – O paradeiro dela é incerto, mas outra Feiticeira agora está presente em Asgaha. Olhem bem para as chamas e vamos continuar nossas histórias.


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As colunas que erguiam o edifício do Observatório no coração do Vilarejo Real eram de mármore puro, com cristais amarelos – marcas de Asgaha – cravados em torno da arquitrave, como porções pequenas de sol que ali decidiram formar um lar, reluzindo da base que sustentava a construção até o caminho vítreo onde o palanque, as arquibancadas e a mesa do Conselho ficavam alojados.

A paisagem do crepúsculo civil nos territórios do Sagrado Castelo das Luzes refletia a glória no olhar dos homens e mulheres de roupas pomposas, em contrapartida, causava ânsia na mulher de cabelos brancos que era apontada por todos aqueles abutres da Rainha – era como ela costumava vê-los, ao menos, enquanto insistiam em marcá-la como culpada por um crime que jamais cometera.

O céu era um privilégio para quem habitava as muralhas do lar da Rainha Alquemena, mesmo acostumada com ele a agraciando, a mulher deleitava-se com o toque quente dos raios solares sobre a pele alva e deitava a cabeça para trás no encosto da cadeira. Os grilhões que prendiam seus pés e mãos deixaram de ser incômodos depois de horas a fio ali sentada, sendo interrompida toda vez que inflava os pulmões para libertar tudo que jazia engasgado dentro de si, os pulsos e calcanhares coçavam um pouco, porém, ela preferia atentar-se aos pequenos prazeres e continuava inerte em seu transe, de olhos fechados, absorvendo o calor e focando as energias em pensamentos aleatórios.

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