1 - Sersei das Bruxas

149 30 242

Naquela mesma noite fria iluminada pela lua, a casa de Madame Luvia, a parteira mais famosa de Cronus, teria recebido Martha. Uma jovem camponesa que já se contorcia de dor numa cama forrada por alguns lençóis. A velha e experiente negra pedia com voz firme para que a moça se acalmasse.

A porta da humilde casa é aberta com certa força. Presto entrava aflito tirando o elmo de bronze que cobria a cabeça, o colocando numa mesa desgastada pelo tempo, feita a madeira. Passando por uma cortina branca, o soldado se aproximava de Martha, sentando num banco ao lado da cama e segurando a mão suada da camponesa:

- Só fui liberado agora, vim o mais rápido possível. - dizia ofegante.

- Sinto tanta dor. - murmurava olhando seu companheiro.

- Reze. Vamos rezar para que os deuses a conforte. - Presto, dramaticamente suplicava.

- Está na hora querida, preciso que faça toda a força que conseguir. - pedia paciente, mas soando como uma ordem, Madame Luvia apoiando as mãos nos joelhos firmados de Martha.

Após minutos tensos com mais dores, sangue, suor e lágrimas, enfim a parteira consegue tirar a criança. Toda a atmosfera daquele cômodo parecia aliviada. Martha suspirava cansada; Presto a confortava, agora de joelhos no chão sujo, acariciando o cabelo da companheira.

Madame Luvia logo cortava o cordão umbilical. O bebê previsivelmente persistia no choro. Ela já percebera que a criatura havia uma aparência incomum, entretanto, o levou em uma bacia com água para lavá-lo de todo o sangue e placenta. E quando virou limpando as costas, a velha notou uma pequena marca peculiar. Ela esfregou forte com os dedos tentando remover, mas não adiantava, o menino realmente teria nascido com aquilo.

Luvia se impressionou no instante. Era algo raro de acontecer entre os humanos, mas não se desesperou, pois sabia com o que estava lidando.

Ao enrolá-lo em um lençol cinza, a parteira se aproxima do casal. Entrega nos braços de Martha. Os dois estavam tão felizes com o recente filho, que Madame Luvia decidiu não contar de imediato sobre a novidade.

A espera durou alguns minutos até o soldado e a camponesa se recuperarem do emocional. Presto segurava o pequeno no colo pela primeira vez. A velha de cabelo crespo e grisalho amarrado por um pano vermelho, sentou-se na cama apoiando a mão fria na perna esquerda da jovem deitada.

- Há um problema sobre esta criança. - dizia firme apontando com o dedo.

- Que problema? - Presto questiona naturalmente, sem demonstrar curiosidade.

- Ele nasceu com uma marca. Nas costas.

- Marca? - Martha, sem entender vira o rosto para o filho.

O rapaz de vinte e cinco anos então afasta o lençol entre os dedos calmamente até a suposta mancha ser exposta por completo.

Os pais ficaram boquiabertos e se permitiram arregalar os olhos com o que vira. A mãe se mantém petrificada. Lágrimas de tristeza queriam escorrer pelos seus olhos.

- Então esta marca é... - Presto hesita. Se recusando a continuar.

- Sim. Ele é um hunimalio. - diz a senhora, por fim.

Todos os sonhos, planos, e esperanças com um futuro melhor em família se desmanchava aos poucos na mente do casal. A velha de um rosto jovial e profundo olhar enigmático, se levanta:

- Vocês precisam decidir. Saibam que consequências terão se manter ele vivendo aqui no reino.

Mesmo com dores, Martha fazia força com as mãos para se manter sentada:

A Ordem de CronusLeia esta história GRATUITAMENTE!