Capítulo 22

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Só no fim da tarde que Manu teve coragem de encarar a mãe. O pai saiu e levou a mãe para comer, ela evitou sair do quarto para não ter que cruzar com eles. Almoçou sozinha qualquer coisa que tinha na geladeira. Sentiu a ausência do Guto que sempre debulhava o que quer que tivesse na geladeira, olhou o celular só para saber se o Lipe iria comer em casa porque ele é o único da casa que se preocupa em fazer comida nova, ligou a televisão e ficou olhando as festas dos alunos que passaram na faculdade pública.

Desligou a tevê quando morreu de tédio. Não queria encontrar o Gabi nem o Rafa porque a mentira ainda estava muito crua. Eles perceberiam logo. Prometeu que iria para a casa deles de noite, ninguém falou sobre vestibular pelo WhatsApp, e, deitada no sofá assistindo Matrix pela enésima vez, o filme favorito da mãe e, por consequência, o dela também, dormiu.

Acordou com os pais abrindo a porta. Fernanda olhou bem para sua pequena, o copo de coca-cola detonado, o prato no chão e entendeu.

Largou a bolsa no outro sofá e foi direto para os bracinhos da filha. Manuela de olhos abertos, ainda sonolenta, não entendeu o afago de súbito e só depois foi se lembrar que não tinha passado no vestibular.

Abraçada por uma mãe que entendia seu desleixo como resposta à falha, olhando um pai com cara de pena, ela não quis mentir como o Guto deu a opção. Nunca foi moça de mentir e, se mentia, é porque a verdade era bem pior.

Tirou os braços da mãe de si, ajeitou os cabelos que, aos poucos, ela aprendia a cuidar em casa, e disse só a verdade:

— Mãe,

— O que foi, Amor?

— Não precisa me consolar.

— Como que não? – Rodrigo se sentou do outro lado – Cê tá bem, Monstrinha?

— Eu não passei porque eu não quis. – Com a doçura e precisão que eram suas.

Fernanda demorou para entender o que aquilo queria dizer. O sonho de todo mundo é passar, essa menina aprendeu a estudar só de ver seus irmãos estudando, só pelo prazer de competir com eles, só para fazer parte da rotina dos outros dois. Essa menina queria terminar a prova da FUVEST num tempo recorde só para mostrar que podia.

E agora fala, depois de anos ralando duro, que não passou porque não quis?

— Eu ia competir contra o Gabriel. – Ela aprendia um tipo de sorriso duro que só o Guto sabia dar. – Se eu passo e ele não, eu não ia saber lidar comigo.

— Você... deu a sua vaga pra ele? – O pai não entendeu.

— É, tipo, se você pensar que só tinha uma vaga disponível para nós dois, então sim, eu dei a minha vaga para ele.

— Não é assim que o vestibular funciona, Dio.

— Eu sei como é, eu fiz um, vi você e mais três fazerem. – Rodrigo ainda tentava juntar os pontos – Eu não tô entendendo o porque você desistiu de fazer.

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