Capítulo 21

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A segunda fase da FUVEST casou com a morte de um dos dinossauros da família Ferreira. Manuela terminou o segundo dia da segunda fase e nem voltou para casa, foi direto para o carro do pai e, do carro do pai, para Poços da Caldas. Avisou seus amores por telefone, conversou com eles por telefone. Gabriel se sentia otimista, disse que tinha ido bem para quem passou boa parte do intervalo entre as duas fases se recuperando e agradeceu, no grupo do WhatsApp, pela insistência dos dois para que ele fizesse a segunda fase.

No primeiro dia da segunda fase, Rafael disse que só tinha ido mal na redação, mas que para a nota de corte da engenharia, ele achava que tinha ido melhor na redação que boa parte de seus concorrentes.

E foi com esse espírito, de finalmente ter se tocado que era concorrente de Gabriel para a carreira de Arquitetura, que Manuela fez seu pior segundo dia de prova. Ela tinha conhecimento para gabaritar, tinha lido todos os livros exigidos, tinha feito todos os simulados, as dissertativas e optativas, mas quando entrou na sala da prova, enquanto o fiscal checava a etiqueta colada na carteira com o RG oferecido, foi que ela entendeu que a FUVEST não era questão de vida ou morte para ela, como era para o Gabe.

Só não deixou a prova em branco porque tinha respeito por si e pelos anos que passou cronometrando seu tempo de resposta, mas deixou lacunas de propósito, caiu nas pegadinhas, respondeu o óbvio e não mostrou seu melhor simplesmente porque estaria tudo bem ter que refazer vestibular ano que vem, mas o Gabe precisava de uma vitória.

E, enquanto ela lia o otimismo do Gabriel pelo celular, no banco de trás do carro do pai, não respondeu como que foi sua prova simplesmente porque não queria mentir, mas também não queria contar a verdade.

Nas quatro horas de viagem para Poços de Caldas, ela não falou quase nada. Cantarolou alguma música do rádio, dormiu no ombro do Lipe, pediu para pararem para que pudesse fazer xixi, mas não parecia a mesma mocinha confiante que saiu da primeira fase com nota de corte suficiente para fazer medicina se quisesse. Parecia uma mocinha que tinha estudado pouco e que sabia disso.

Os pais só não se preocuparam mais com a quietude porque o velório do dinossauro da Família Ferreira era importante para eles. Rodrigo e Fernanda odiavam passar o Natal e Ano novo longe de Poços de Caldas por causa de briga entre namorados e, quando um dos velhinhos, irmão do pai de Rodrigo, finalmente encerrou seu expediente definitivo, tudo o que eles não fizeram durante os anos de exílio de Andressa, ex-namorada do Lipe, voltava em forma de culpa e castigo.

A mãe acarinhava as costas da mão do pai, no volante, olhando sempre para ele. Rodrigo foi o que mais sentiu a morte. Felipe não falava um pio, nem mesmo se mexia, nem mesmo se ouvia a respiração dele. O corpo marcado de tatuagem preta, de mágoa, e de Azul, a cor dos olhos dela. A história mais bonita que Manuela já viu. Podem falar o que for do Lipe, até que ele separou famílias quando se recusou a voltar para Poços, mas, para Manuela, aquilo era a explicação básica do que amor era.

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