Outubro VI

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Eu não me lembro do resto da festa, mas não porque estava bêbado ou algo assim. Porque nada mais importou depois daquela ligação.

A segunda-feira chega mais rápido do que o domingo, já que passo o dia dormindo pra ver se ele desaparece. Renan se atrasa na estrada, então só podemos nos ver na escola, o que faz com que eu basicamente não durma de ansiedade e chegue muito cedo na sala de aula. Não sou o primeiro, porém, porque o Luiz já está lá, sentado na própria carteira. Ele se levanta quando começo a arrumar minhas coisas sobre a minha, e se empoleira na carteira do William, do meu lado esquerdo.

— Pedi que ele chegasse mais cedo pra gente conversar hoje. — ele me conta mesmo sem eu ter pedido.

Me sinto bem.

— É, acho que vocês precisam.

Luiz revira os olhos, mas William entra na sala no exato momento em que ele se preparava pra me retrucar. Nós três nos entreolhamos e não sei se o Luiz lhe contou algo da festa, mas o garoto moreno de cachinhos cor de chocolate não parece incomodado com a minha presença nem com o fato do namorado estar conversando comigo. Coisa que, tirando sábado, ele não faz há pelo menos dois anos.

— Bom dia. — William cumprimenta, nós dois respondemos.

Ouço o barulho de tênis no azulejo do corredor e, antes que meu cérebro tenha tempo de processá-lo, alguém surge à porta da nossa sala. Cabelos espetados, mais curtos que o normal, sem fôlego por ter subido as escadas correndo. Minha testa se franze automaticamente.

— Você cortou o cabelo?

Renan entra na sala respirando fundo, ajeitando a mochila nas costas, olhando pra nós três em confusão. Ele rapidamente ignora o fato de que essa cena nunca aconteceu antes e se aproxima de mim, passando o braço pelo meu ombro e me puxando mais pra perto.

— Cortei. Era pra ser uma surpresa. Foi surpresa? Você gostou?

Ele brinca e eu só consigo rir, sem realmente prestar atenção ao corte em si. Isso, sua aparência, não importa muito pra mim, na verdade. Nós dois parecemos momentaneamente entrar numa bolha, mas minha mente me alerta de que não estamos sozinhos e eu vejo o William e o Luiz nos observando de perto. Pigarreio e o Renan também percebe. Eu o empurro em direção à porta dizendo:

— Vamos sair daqui porque estamos atrapalhando.

Luiz me dá um olhar de agradecimento, eu acho, e eu meio que fecho a porta ao passar por ela, pra deixar os dois conversarem em paz. A escola ainda está vazia, então sei que terão um tempinho de privacidade antes da sala encher.

Além disso, acho que Renan e eu também precisamos de um tempo a sós.

Na verdade, agora eu tenho a impressão de que nem o resto do dia, ou do ano, talvez da vida?, seja tempo suficiente pra ficarmos a sós.

***

Go

Throw your arrows

Hit her heart

If they don't react

Love who loves you back

The perfect storm

What turns you on

You can have all that

Love who loves you back

Aprendendo a Gostar de Você {Aprendendo III}Onde as histórias ganham vida. Descobre agora