For every story tagged #WattPride this month, Wattpad will donate $1 to the ILGA
Pen Your Pride

Conversa de Nerd

102 2 0

Eu não sei por que, mas meu plano não anda certo. Em consequência a isso, sinto-me um caco de uma garrafa de uísque antiga. E isso é engraçado, pois, "velho", estou em minha casa, com meus irmãos de coração dando o maior apoio... E, mesmo assim, a gravidade resolve bombardear as esperanças desse pseudo-intelectual que vos fala em ser feliz.

Não posso culpar infeliz do Newton, porque, pô, ele era só uma pessoa que descobriu uma coisa por conta de uma maçã. A culpa das coisas acontecerem com todo mundo é por causa da benditinha da questão existencial! Pra a gente ser um “montão de células”, temos que pagar um preço... Só que vendo por outro lado, se nós não existíssemos não teríamos essas pequenas maravilhas da vida. Exemplificando pra vocês, “como o sol está bacana”, “como a temperatura da piscina está maneira” e...

Ah, Carlos, tem tantas garotas desfilando com seus biquínis! Acho que seria esquisito se elas fizessem uma fila e os garotos se aproximarem para examinar os corpos. A questão é que não consigo me controlar. Hormônios não são domados por qualquer um e me sinto meio frágil em não resistir a ficar vermelho.

“Relacionamentos com garotas” é um bicho de sete cabeças. Não sei como tem caras que conseguem ser craques em fazer as meninas gostarem deles. Fazer elas rirem por causa deles ou acompanhadas deles. Levar pra restaurantes? Eu mesmo não conseguiria levar jeito. Por conta disso, acho que essas coisas são de “outro mundo”. São loucos, embora... Eu não deixo de me morder de inveja...

Por que, Carlos, você tem que se esquentar com “aquela mina”? Você não tinha essa intenção de querer ficar perto dela, não dessa forma romântica. Então, pra quê ficar “bolado” quando a criatura te recusa? A única coisa que pensei foi em dar só um beijo, pra ver que reação eu tinha. Perguntar dela, eu – Carlos, eu – fiz, mas só pude receber uma careta em troca. Ao menos, Carlos, você tem a Ciência como sua companheira fiel.

Porém, hmmm, mal sinal. “Aquela mina” era uma daquelas garotas com um corpo que malham muito ou suam por alguma outra atividade física. Musculação, balé, vôlei... Não me lembro agora qual seria. Mas era algo gostoso ver a forma como o rosto dela tinha tantas emoções em tantos momentos... Não seria legal se eu pudesse ser “possessivo” de forma decente?

Mas não.

Não posso obrigá-la a fazer algo que eu desejo. Não é assim que funciona.

Mas... Mas... E se? E se ela não tivesse me negado? E se eu não tivesse feito essa festa? Por que eu aceitei a ideia de fazer toda essa festa, afinal de contas? O que deu em mim?! Eu deveria chorar? Eu deveria gritar de raiva? Eu estou com raiva, não vou falar que estou... Mas eu devo ficar parado fazendo esse monólogo ou correr atrás dela?

Mas e se ela não quiser nada comigo? E se eu não realmente a amo? E se ela não me querer “daquele jeito”?

E, que beleza, alguém desavisado está bloqueando o meu sol! Há! “Sou realmente um treco de três folhas hoje”, dou um suspiro ao me desprender um pouco da cadeira, rolo meus olhos e crispo meus lábios em desgosto enquanto mexo minhas pernas. A pessoa, seja lá quem for, tem os braços cruzados contra o peito. Seria uma visão legal se essa tivesse peitos, curvas femininas e poucos pelos.

Retiro meus óculos de sol para encarar ironicamente para o individuo que ri da minha cara.

Fred sorri para mim. Não me sentiria confortável se entrasse em detalhes ou recolher-me do meu cantinho da depressão. Nada contra, mas não sou bissexual hoje. Digo isso porque acredito porque me acho meio Darwin ao dizer “cada espécie nasce meio que como uma”, mesmo não sendo atraído por algum brother.

— E ai, amigão? – o cara, o qual eu posso chamar de meu melhor amigo ‘extraterrestre’, senta-se na cadeira ao meu lado.

Ainda estou segurando meu drinque de tequila, esse meu amiguinho na metade. Enquanto não sinto a loucura do álcool no meu crânio, olho para todos os caras e gatas que estão na piscina. Lanço um breve suspiro para o céu nublado.

— Eu me sinto como um homem-cobra tivesse lançado um “Avada Kedavra” em mim. – Levanto minha mão com o copo para bebericar um pouco. – Não sei. O que pode ser da minha vida sabendo como fazer programas virtuais e lendo artigos sobre Fisica Quantica se eu não tenho possibilidades de copular com as fêmeas? – dou-me de ombros.

— Cara, você está enfeitiçado por alguma substância que te faça ainda mais emotivo? – Fred levanta uma sobrancelha inquisitiva.

Ergo as minhas em confusão. Meu cérebro ainda processa essa informação. Sei que talvez meu oxigênio esteja sendo desperdiçado o suficiente no sangue no meu crânio, mas...

Quase cuspo o liquido na minha boca. Faço força para engolir. Inspiro um pouco.

— O que é que você disse, mano?! – pronuncio-me em uma voz meio alta demais, o que chama a atenção de uma gente metida a ditador-popular que olha para nós como fôssemos um monte de gosma alienígena verde devoradora de gente.

Fred sacode a cabeça de um lado para o outro antes de começar a rir. Ele usa uma camisa com a cara do Darth Vader e com os dizeres “Juntem-se ao lado negro da força. Temos bolos mutantes”. Na minha opinião, ele não precisava trazer ela para justo essa festa que vai definir meu destino.

— Me passa esse seu drink, irmão. – o cara estende um de seus braços, gesticulando para que eu aceitasse a ordem.

Eu o obedeço, não entendendo o motivo.  Fred não tem uma cara séria como seu rosto quase sempre parecia zen, mas sua voz me dizia “ou faz isso ou faço uma medida severa”. Quando pega meu copo, balança o liquido com movimentos em círculos e cheira a uns centímetros da borda da coisa. Ergue as sobrancelhas com a expressão facial mais aliviada.

Caramba. Que porra foi essa?

— Qual é, cara, não é como ai tivesse veneno. – sorrio de canto.

— Não. – Ele me entrega a bebida e relaxa as costas na cadeira, pegando uma lupa de aumento e direcionando-a a algum lugar especifico da festa. – Algo parecido. Quase achei que você estivesse meio drogado agora, cara. Sentindo-se alto. Nas estrelas. No espaço. – e começa a rir, não olhando para mim.

Sacudo minha cabeça em desaprovação.

— Que estúpido, brother. – Então, vejo que ele não olha para mim por um tempo. O sorriso em sua face aumenta mais. – O que você ta fazendo com essa coisa, cara?

A menos de sete metros, ouço um grito de dor masculina sobre como a sua cadeira pegava fogo.

Viro minha cabeça para o lado e miro um cara alto gemendo como uma garota. Não entendo. Ele era um dos jogadores de futebol. O cara que nos chama de nerds, lança olhares de espécies superiores e ficam com garotas que estamos atrás. Qual era o problema dele? Testosterona?

 — Pena que a bunda dele não deve aguentar tanto calor. – A cara de Fred é de realização. A lupa está escondida em algum canto das roupas. – Ou aquele corpo. Não é todo homem que se acha másculo que aguente uns 45 graus a mais.

— E eu achando que vingança se come fria. – ainda olho atônito para o cara e a mina que o olha com surpresa envergonhada.

— Desde que não seja boa, pode ser. – Fred da um risinho que me lembra de ratos. SE bem que e é um diabos de rato de laboratório. – Tudo pelo meu melhor amigo. – Depois de 3 minutos de entretenimento, vira-se para mim. – Melhor, amigão?

Direciono meu olhar para cima. Tomo mais um pouco da tequila, qual estou acostumado a tomar em companhia de boas pessoas. Divirto-me com um sorriso.

— Ainda meio chateado, mas... – Faço uma pausa enquanto limpo meus lábios. – Sinto-me legal. Depois, nada que Natalie Portman ou Scarlett Johansson não melhorem para mim.

Conversa de NerdRead this story for FREE!