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Pen Your Pride

Era uma manhã pouco tranquila para Vila Nova. Apesar dos céus do bairro central estarem limpos de muitas nuvens e em um azul quase turquesa, brilhavam-se alguns focos na terra. Uma multidão havia se reunido em ruas de pedra para comemorar o aniversário da cidade com esculturas de papel gigantes e carros cobertos de lâmpadas coloridas que cintilavam junto com músicas que acordavam a todos. Uma banda de senhores vestiam chapéus assemelhados aos de peões, com vários detalhes em prata, e andavam com seus tamborezinhos.

Eles estavam nesta comemoração desde as sete horas, quando a catedral ao lado da Praça da Felicidade tocou seus sinos de ferro ao anunciar o dia. Haviam passado por motoristas furiosos com seus horários, pombos que espreitavam uns poucos pedaços de pão, gatos dormindo debaixo de carros e de lojas com suas placas em néon fechadas. Eram liderados por um homenzinho de bigode e sorriso jubiloso de dubio motivo, vestindo trajes formais e uma grande cartola.

“Mamãe, mamãe!”, um garotinho observava tudo através da janela do apartamento, apontando para o bando de pessoinhas que patrulhavam as ruas, “O que tá acontecendo lá embaixo? Quero saber!”

Uma mulher de terno e cachos se aproximou do menino. Inclinou sua cabeça e o seu pescoço para vislumbrar a cena. Um sorriso pequeno e compreensivo foi plantado em seus lábios carnudos. Uma de suas mãos de unhas bem feitas acariciou os cabelos do filho.

“Jacó, é o aniversário da cidade. Tenho certeza que você irá participar quando se preparar na escola com os panfletos e tudo”, ela o informou com suavidade, pois o pequeno não estudava de manhã e a mãe ainda podia enxergar uns deveres de casa incompletos. “Ainda são onze horas”, disse ao ouvir o barulho de uma chave adentrando na fechadura da porta e o garotinho balbuciar desanimado.

Em poucos segundos, o pai estaria dentro de casa com a expressão cansada. Com um rosto que Jacó identificaria como cheio de alergia (afinal, estava muito vermelho) ao beijar a sua mamãe. Entretanto, o menino aqui é um retrato de algumas famílias cujos pais se preocupam com a segurança e o futuro de seus filhos ao ponto de aceitarem trabalhar em oito horas fatigantes.

As festividades não estavam exclusivas às ruas históricas. Outro “bolinho” de pessoas se reunia na Praia do Rabo de Peixe para curtirem as músicas de algumas bandas locais e de alguns artistas nacionais que as faziam ficar bastante inquietas. Podia-se ver alguns barcos ao longe, no rio cristalino, e   uma faixa de terra que se conectava com a cidade através de uma ponte. Uma tropa de policiais poderia ser vista a cada foco de comemoração: próximo do céu, do rio e da terra.

Inclusive nas vias de acesso às escolas. Por esse motivo e um múltiplo de outros, era difícil se ver muitos carros pelas ruas. Entretanto, o espetáculo de 7 de Julho não se restringia apenas fora das salas de aula.

Nas creches, era possível se ouvir músicas infantis com entonação de patriota. Os pequenos do ensino infantil, entre 4 a 6 anos, encaminhavam-se com seus pais até peças instaladas em diversas praças. Muitos do Ensino Fundamental reuniam-se nas escolas na companhia de seus professores e uma gama de outros funcionários. Alguns do Ensino Médio organizavam os eventos e, muitas vezes, participavam como se fossem guias dos demais.

Isso gerava muito barulho, o que não despercebido pelos ouvidos de Samira Ângelo e sua comparsa, Radmilla Coríntio. Não que elas estivessem à espreita de algum banco eletrônico ou fossem uma quadrilha especializada em homicídio qualificado.  Elas apenas se assentaram na arquibancada ao lado de um ginásio poliesportivo. Um grupo de garotos jogava basquetebol com seus corpos suados e com suas gingas. Diziam “Pega aí, malandro!” e arremessavam a esfera alaranjada.

FIM DO CAPITULO. 

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