Mogui's POV

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Enquanto aguardava impacientemente nas desconfortáveis cadeiras do aeroporto, comecei a imaginar como seriam os próximos doze meses, é muito tempo, tempo suficiente para deixar o passado para trás e seguir em frente, para completar, seria ao lado de uma das pessoas mais incríveis que já conheci.

Hoje iria ser um dia bem cansativo, afinal, ficar algumas horas dentro de um avião não é nada fácil, ainda mais quando se vai sozinha, mas isso não estava me incomodando muito, já que eu iria passar um ano com a minha melhor amiga na Austrália, na verdade, é mais uma Irma do que uma amiga, já faz três meses que não a vejo. Desde que ela se mudou para lá, as coisas vem sendo mais difíceis para mim, já que ela era o meu porto seguro, quer dizer, sempre contei tudo para ela, sempre esteve ao meu lado nos piores momentos, me fazia esquecer todos aqueles horríveis acontecimentos, daquele dia em especial. Fui acordada da minha linha de pensamentos com um alto som de dedos estalando na minha cara.

- Filha você ta ai? Terra chamando Morgana – falava minha mãe sarcasticamente, eu apenas assinto com a cabeça – Como eu estava dizendo, tome cuidado por onde anda, não fale com estranhos e ah! Não se esqueça de me ligar de vez em quando só para dar noticia e me dizer se esta bem, ou podemos conversar pelo skype, MSN, facebook...   

- Eu já tenho 16 anos, é serio eu vou ficar bem, a Mari é muito responsável e eu estou indo lá para dar um tempo nos estudos, ano que vem é a faculdade e quem sabe eu não acho alguma coisa que me atraia lá? A Mari por exemplo ta fazendo um curso de moda -desde o dia em que eu e a minha “Irmã” acidentalmente “explodimos” o micro-ondas e quebramos a TV ela fica meio preocupada em nos deixar sozinhas juntas, ou será que foi porque o nosso cachorro ficou rosa? Ah a culpa não é nossa se aquela tinta parecia xampu de cachorro, a minha mãe só não ficou brava com ela porque ela praticamente também é da família. Ela devia saber que eu sei me cuidar.

- Eu sei eu sei... é só que nessa idade você deveria estar começando o terceiro ano agora- ela disse insinuando que ainda sou nova de mais para me mudar

- Viu? Se eu sou mais nova e estou adiantada é porque sou mais esperta que os outros – falei me sentindo uma diva

- Tudo bem, mas mudando de assunto, tem certeza que não vai querer levar sua prancha? Eu a trouxe caso você mudasse de ideia... – disse ela aguardando por um “obrigada mãe” ou “você acertou em cheio!”, mas não desta vez, eu estava decidida, não voltaria a surfar nunca mais depois daquele dia, que ate hoje me aterroriza com terríveis lembranças e pesadelos.

- Não obrigada – falei friamente, mas percebendo os visíveis traços tristes em seu rosto, apenas a abracei e disse que não se preocupasse.

- Eu entendo que ainda esteja um pouco chateada, mas você ganhou tantos prêmios, como pode desistir por causa de um pequeno acidente? Mas a escolha é sua... – nesse momento fui OBRIGADA a interrompê-la

– Pequeno acidente? – eu ate continuaria a tentar me defender e tal, mas como eu ficaria um ano sem vê-la achei melhor que não brigássemos

- “Passageiros do vôo 056 favor comparecer ao portão de embarque numero 12” – falou uma fina e um tanto irritante voz no auto-falante, minha mãe me levou ate lá e fizemos uma longa e carinhosa despedida com uma rápida porem triste troca de olhares, mais do que previsto ela disse aquela típica frase de mãe: - “você cresceu tão rápido”. - Eu apenas sorri e abracei-lhe fortemente escondendo meu rosto para que ela não percebesse minha cara de “nossa, mãe eu vou viajar não casar”.

Assim que o avião decolou, pude ver a cidade e as casas ficando cada vez menores, vastos campos vazios ocupavam uma grande área do território. Logo fechei a janela e coloquei os fones de ouvido, e boto no shuffle da playlist “good dreams” na esperança de conseguir dormir, missão cumprida.

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