20º Capítulo

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No dia seguinte, Dalila encontrou-se com Hélio. E como mais vez, o rapaz não trazia nada que cobrisse os seus olhos e nem evitava o contacto visual, a rapariga percebeu que devia estar a usar as misteriosas lentes que ele tinha para evitar a irradiação da sua energia.

- Podíamos chamar alguém para jogar connosco. – Comentou Dalila, olhando em volta enquanto o rapaz preparava-se para dar a primeira tacada no jogo de bilhar.

- Assim deixávamos de estar só os dois. – Disse, após dar início ao jogo.

- Hum, agora já pareces-te mais com o elemento do Filipe.

Ele sorriu.

- És alguém com quem conversar é bem simples. – Afirmou o rapaz.

- Há quem diga o contrário.

- Então conhecem-te mal.

- Talvez… 

Quando estavam prestes a terminar o jogo com quase um empate, Hélio aproximou-se, ajudando Dalila a ajeitar um pouco o taco para poder acertar.

- Obrigada. – Disse, voltando-se para ele. – Mas isto tudo é pra me deixares ganhar? Não gosto de vitórias fáceis.

- Não te deixei ganhar… - Disse, encostando o taco ao lado da rapariga e fitando-a com um sorriso. – Tu realmente jogas bem.

- E essa proximidade toda é para me dares alguma recompensa? – Perguntou, deixando o rapaz colocar-lhe a mão na cintura e beijá-la.

- Queres ir até à minha casa?

A rapariga riu-se e disse:

- Hum, perdeste a subtileza toda? Não me parece que te tenha dado tantos sinais positivos.

- Estavas a dizer-me na hora do almoço que tinhas curiosidade de saber como era o lugar onde vivia.

- O teu pai não se vai incomodar?

- Não. – Disse com um sorriso. – Já te disse que a época em que ele se incomodava com alguma coisa passou.

Minutos mais tarde, pararam perto de uma paragem de autocarro, o que surpreendeu um pouco Dalila.

- Vamos de autocarro? Moras assim tão perto? Pensei que vivesses no vosso mundo.

- Tivemos que mudar-nos para poder ter contacto com os humanos.

Hélio vivia num bairro simples, numa casa de um piso mas com todas as divisões essenciais a uma casa normal. A rapariga não deixou de reparar que arrumação e limpezas não deviam ser as palavras de ordem do dia. Nem tudo estava uma catástrofe mas notava-se perfeitamente que não havia uma mulher em casa e ao ir em direcção do quarto do rapaz, viu no terraço, um homem deitado numa rede com um chapéu de palha a cobrir parte do rosto.

Rapidamente associou que devia ser o pai de Hélio a quem este nada disse. Nem sequer um “boa tarde”. Primeiro perguntou-se a si mesma se não quisera acordar o pai mas depois começou a pensar que afinal tivesse sido de propósito e os dois tentassem ignorar a existência um do outro.

O quarto do rapaz estava um pouco mais arrumado e a rapariga sentou-se na cama.

- Estou cansada. Vives um pouco afastado do centro. – Comentou distraidamente.

- As casas são mais baratas nesta zona. – Explicou sumariamente.

- Hum, estou a ver. – Disse, observando o quarto.

Guarda-fatos, uma secretária com alguns livros e cadernos que não deviam receber cuidados pelo seu aspecto. A cama era de casal e um par de patins estava encostado à porta.

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