Capítulo Quarenta e Um

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Para Marco, as semanas que se seguiram ao banho no lago congelante não passaram voando tão rápido assim. Mas ele concordava com Elisa: ao invés de memórias românticas sob o luar, a única lembrança daquele episódio de desgraça foi a gripe que os acompanhou.

Obviamente que a estadia em Flores foi recompensadora. Eles passaram a maior parte do tempo na cama, e puderam curtir um ao outro apesar de alguns imprevistos não tão imprevistos assim, como o "quase" tombo no banheiro, o pequeno problema com uma mosca no prato do serviço de quarto e o curto-circuito de nada que aconteceu na tarde de sábado, deixando-os sem ar-condicionado por três horas.

Sim, a lista de infortúnios foi pequena e não ofuscou os momentos a dois.

Eles também tiveram a opção de cozinhar na cabana caso quisessem, mas quem perderia tempo com isso num retiro romântico? Além do mais, Elisa elogiou tanto o café da manhã do hotel que Marco não poderia deixar de conferi-lo – até porque foi arrastado para lá logo cedo no dia seguinte. Depois disso, deixaram a cabana para a maior parte das refeições, nas quais sempre repetiram os pratos. A única coisa que impediu Marco de engordar foi o constante desejo por Elisa, que os fez gastar muitas calorias.

Mas de resto, após voltarem da viagem, as coisas não foram tão proveitosas assim. A gripe tinha dado as caras, e o sexo na varanda do seu apartamento acabou piorando a situação já bem crítica dos dois.

Por que é que eu não peguei o resto da semana de atestado?, lamentou-se ele, levando a mão à testa para saber se não estava com febre. Assim poderia ficar na cama assistindo Netflix e de repente sugerir que Elisa viesse me visitar com algum caldo preparado por Fernando.

Com certeza uma sopa caseira aliviaria a constante sensação de que Marco colocaria os bofes para fora. Uma pena que todo o caldo que Dona Mirian fazia tinha gosto de água suja...

Suspirou, pegando o smartphone e mandando uma mensagem para Elisa. O convite para se verem depois do trabalho não foi visualizado e ele largou o aparelho sobre a mesa novamente.

Olhou para a papelada à sua frente e quis fugir. Naquele final de tarde, já tinha se conformado de que a sua vinda para o escritório não servira de nada. O dia não rendeu, e a única coisa que Marco produziu foram bolinhas de lenços dentro da lixeira aos seus pés.

Não conseguira ser produtivo, e tudo porque tinha de intercalar o trabalho com espirros, dor de cabeça e pensamentos sobre Elisa.

Era uma legítima froga. Ainda mais porque ele nem sabia qual das três coisas o deixavam mais distraído: os espirros, o latejar nas têmporas ou as imagens daquela ruiva nua em seus braços.

Talvez a culpa pela falta de concentração fosse daquela gripe do mal, mas ele não podia descartar o fato de que Elisa tinha um poder de distração bem grande sobre ele, mesmo quando saudável.

Espirrou pela milésima vez e esticou o braço para alcançar mais um dos lencinhos de papel ao lado do computador.

A Dona Zica é fogo, Marco recordou as palavras de Elisa assim que os dois se despediram naquela manhã. Haviam dormido na casa dela, amontoados em seu sofá confortável e com a televisão ligada, só para serem acordados por Fernando, chamando-os para tomarem café no andar de cima com ele.

Era desconfortável saber que seu "cunhado" estava a par das suas atividades sexuais – ou da falta delas, para ser mais exato.

Por outro lado, ele tinha entrado num relacionamento com Elisa de olhos abertos. Então, desde antes do primeiro beijo, já estava ciente de que não adiantava se preocupar com discrição e privacidade se quisesse continuar aquilo.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now