Capítulo 7 - Cíntia

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Mal sabe ele que virou motivo de piada
(Você não vale nada)”
- Você não vale nada, Zé Felipe

Eu ainda estava xingando a mim mesma por ter deixado Beatriz me convencer a vir a tal festa. Esse definitivamente não era o tipo de lugar para mim. Fiquei assombrada com coisas que não tinha certeza se estava pronta para ver.
- O que foi aquilo? – Cobri a boca com as mãos enquanto me esgueirava atrás de Beatriz em um corredor lotado. – Desculpa..  Com licença... Desculpa. – Era difícil andar dez centímetros sem esbarrar em alguém.
- Um casal se pegando, oras. – Ela fez careta como se eu tivesse feito a pergunta mais idiota o mundo.
- Mas assim numa festa, na frente de todo mundo?
- Mulher, você saiu da onde? Um convento?
- Não!
- Pois tá parecendo. Só relaxa e curte a festa. – Ela pegou dois copos e ofereceu um para mim. – Toma.
- Não vou beber isso não.
- Ah, qual é, Cíntia?! Não vai morrer de tomar uns goles sua careta.
- Não. – Torci os lábios. – Não tem suco ou refrigerante?
- Só água, sua careta.
- Serve. – Estendia a mão esperando pelo meu copo.
A contragosto, Beatriz foi até o cara no bar e trouxe um corpo de água gelada para mim.
- Você é a pior colega de quarto que eu poderia ganhar.
- Você vai mudar de ideia na época das provas.
- Tá, fica calada para não piorar as coisas. - Ela torceu as sobrancelhas.
Balancei a cabeça em negativa enquanto bebericava a água. Estava muito gelada, mas preferi não reclamar, Bia não estava nos seus melhores momentos comigo.
- Vem, vamos dançar. – Ela me puxou pelo pulso e saiu arrastando.
- Ei, calma! – Quase bati em um ou dois caras pelo caminho e por último tropecei em outro, mas Bia me segurou antes que eu desse de cara no chão. – Ficou louca!
- Foi mal! – Ela se encolheu, sem graça. – Bom que vai se acostumando comigo.
- Ainda consigo trocar de quatro?
- Ah, não vem com essa! Sou uma garota legal.
- Tá.
- Olha isso! – Beatriz quase quebrou meu pescoço ao puxar meu rosto. – Aí, meus céus! Como ele é lindo. – Ela suspirou.
- Ele quem?... Ah, tá!
Olhei para frente e vi Victor no meio da pista de dança improvisada no quintal da casa. Victor estava rodeado de ao menos três meninas. Elas se esfregavam nele dançando de um jeito muito impróprio. Coloquei as mãos sobre a boca para cobrir minha expressão de surpresa.
- Elas estão colocando a mão dentro da camisa dele.
- É, se eu estivesse tão perto assim, também iria querer tirar uma casquinha. Olha o tanquinho que ele tem!
- Tá, não exagera, Beatriz. Ele é um galinha arrogante. Deus me livre de um cara assim.
- Mas que me dera... – Beatriz suspirou.
Que efeito esse cara tinha sobre as mulheres? Ele era bonito, sim não podia negar isso... Balancei a cabeça em negativa, não queria perder meu tempo pensando nesse cara. Ele não merecia meu tempo.
- Vamos embora, Beatriz. – A puxei pela mão.
- Nós acabamos de chegar, Cíntia.
- Nem deveríamos ter vindo.
- Você é muito chata, sabia?
- Vamos logo. – Sai arrastando ela pelo braço.
- Sério! Nunca mais eu chamo você para vir comigo em festa nenhuma. – Beatriz fez um bico enorme.
- Obrigada! Agora vamos!

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