Capítulo 6 - Victor

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“Você deve pensar que sou estúpido
Você deve pensar que eu sou um tolo”
- Too Good At Goodbyes, Sam Smith

Lá estava eu de novo. Em mais uma das festas que Renato achava um incrível e eu via tudo como  no máximo divertido. Mas se comparadas a todos os coquetéis com velhos e ranzinzas que era obrigado a ir com meu pai, até que as calouradas eram muito divertidas, inclusive a parte das calouras bêbadas.
- Poh, amigo, bem que poderia me descolar um quarto naquele seu loft para levar uma gata caso eu fature essa noite.
- Renato! – Revirei os olhos. – Loft não tem quartos, só um. Está louco se acha que vou te emprestar a minha cama para usar de motel.
- Nossa cara, achei que éramos amigos.
- As coisas tem limite.
- Olha lá quem você poderia levar para o seu loft. – Ele tirou onda com a pronúncia enquanto me cutucava com o cotovelo.
Soltei o copo de cerveja e me virei por puro reflexo e acabei me deparando com ela entrando... A caloura.
- Não acredito que ela tá aqui. – Torci os lábios.
- É uma calourada. Era de se esperar que ela viesse. – Renato deu de ombros.
- Achei que fosse certinha demais para esse tipo de festa.
- Pensei que podia deixar ela para lá. Tirando esses óculos até que ela é bem gatinha.
- Cara, você acha gata tudo que se mexe e pode usar saias. – Cruzei os braços e me escorei na parede de cimento.
- Não seja exagerado. – Renato fechou a cara antes de tomar mais um gole da sua cerveja.
Fiquei a observando seguir Beatriz. Com um vestido florido em tons pastéis eu acharia ela linda se não estivesse tão irritado pela cerveja que ela jogou no meu rosto. Os cabelos loiros estavam enrolados sob uma trança feita com os próprios fios e caiam sobre os ombros.
Peguei meu copo e tomei um bom gole do líquido amargo que chamavam de cerveja e tentei olhar em outra direção. Era melhor que ela não percebesse que eu a encarava tanto.
- Oi, Victor!
Olhei para o lado e vi uma garota encostar em mim. Eu não fazia ideia de quem era, mas não a afastei.
- Estou contente em ver você aqui. – Ela chupava um pirulito e enrolava o cabelo na ponta do dedo.
- Obrigado. – Dei de ombros.
Estava tão fixado na caloura que não de a mínima para a outra garota, até que ela sumiu de vista com Beatriz para um lugar onde eu não conseguia aa distinguir tão bem.
- Está passando mal, Vic? – A garota apoiou a mão no meu ombro e eu a encarei.
Balancei a cabeça algumas fezes, tentando me livrar da fixação dos meus olhos com a caloura.
- Não, eu não estou.
- Que bom. – Ela abriu um grande sorriso e se debruçou em cima de mim, deixando o decote bem na altura dos meus olhos.
- Victor!
Logo que me dei conta, havia umas três garotas em cima de mim. Não que eu achasse ruim. Uma das vantagens de ter nascido em uma família rica é que as coisas vinham muito fácil, principalmente festas e mulheres.
- Por que não vem dançar com a gente. – Dia começaram a me puxar, uma de cada mão.
Dei de ombros, não estava fazendo nada mesmo. Além disso, algumas delas eram até bem bonitinhas.
Instintivamente olhei em volta a procura da caloura, mas não a encontrei. Ainda queira que ela pagasse pelo incidente da cerveja.

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