Capítulo 3 - Cíntia

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“Você também tem que eu sei
Aquela pessoa, não adianta negar”
- Aquela Pessoa, Henrique e Juliano

Ainda estava um pilha de nervos quando cheguei ao meu quarto na moradia estudantil, com boa logo atrás de um para garantir que eu não sumisse de sua vista como aconteceu minutos antes quando aproveitei para ir atrás do cara e dar o troco. Minha nova colega de sala estava furiosa, mas eu ria por dentro, mesmo suja de tinta. Havia dado o troco e isso me fazia rir por dentro. Havia deixado claro ao garoto nojento que nem tudo é como ele queria.
- Não deveria ter feito isso, Cíntia! Não com o Victor.
- Por que não? – Dei de ombros. – Ele precisava de uma lição.
- Ele organiza os trotes desde o semestre passado.
- Fez trote com você?
- Não. Os veteranos antes dele. Tô no mesmo período que o Victor.
- Se acha só porque é bonito. - Limpei bem a mão na calça antes de mexer na minha mala a procura de roupas limpas.
- Não sei o que mais chama atenção das meninas, a cara ou o bolso.
- Ele tem dinheiro?
- O pai dele é dono de uma multinacional que o Victor vai herdar.
- Por isso é um babaca. Tenho dó de quem for trabalhar para ele.
- Calma, ele só jogou tinta em você.
- Só? – Cerrei os dentes. – Você tem uma queda por ele?
- Uma cachoeira inteira. Você também vai ter.
- Eu não! – Torci os lábios. – Deus me livre!
- Ah, mas quem me dera! – Beatriz suspirou ao apoiar o queixo nas mãos.
- Eu tenho um namorado... Bom, eu tinha.
Beatriz girou na cama para me olhar melhor.
- Como assim tinha?
- Meio que terminei. – Suspirei fundo e meus olhos caíram tristes. Senti um aperto desconfortável no peito ao lembrar do Léo.
- Meio não existe, terminaram ou não?
- Eu acabei com as coisas vindo para cá, mas precisava estudar.
- Entendo. Ele era bonito?
- Sim... – Contive o impulso para não sentar na cama e sujar ela de tinta. – Namorávamos desde os meus quinze anos.
- Ele é da sua cidade?
Fiz que sim.
- Quando você formar pode voltar para ele, enquanto isso podem se ver  nas férias.
- É... – Minha voz se perdeu no meio demonstrando a minha completa incerteza.
- Ah, deixa ele pra lá. – Ela mudou de assunto assim que percebeu a tristeza no meu rosto.  – Vai conhecer outros caras aqui. A faculdade tem muita gente bonita. Festas...
- Não vim aqui para namorar. – Fechei a cara. – Bom vou tomar banho. – Peguei minhas coisas e fui para o banheiro. Não queria pensar nisso.

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