Capítulo Quarenta

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As semanas que se seguiram ao banho no lago congelante e ao feriado na cidade de Flores passaram voando. Mesmo que Marco quase tivesse carimbado a bunda no piso do banheiro, Elisa e ele conseguiram sim um tempo juntos regado a sexo e algumas desventuras.

Agora, no entanto, a única lembrança que persistia daquele passeio era a da gripe que veio para ficar com os dois.

Essa foi a confirmação da existência de uma maldição, apelidada carinhosamente por Elisa de Dona Zica. A dita cuja persistia e tentava sabotá-los quando menos esperavam.

Primeiro foi uma crise de espirros e tosse assim que se encontraram três dias depois do feriado. Ambos estavam numa gripe gigantesca e, no fim, a única coisa que fizeram foi se esparramarem no sofá confortável de Marco, tomando chá de hortelã e mel sob os olhos ciumentos de William. O que não agradou em nada Elisa, que resmungava ora pelo gato ora pela dor no corpo todo.

Outra noite, enquanto os dois se beijavam e se sentiam mais recuperados, o que os interrompeu foi um telefonema para Marco bem no momento em que Elisa deslizava a camisinha nele de forma sensual. Um de seus clientes havia sido parado pela Blitz da lei seca e preso em flagrante.

Os dois até tinham conseguido uma transa às pressas antes de o smartphone dele tocar – o desespero e frustração os fizeram acelerar tudo –, mas era óbvio que a Dona Zica e o William armaram um complô, pois o gato encarara Elisa até ela fugir do apartamento depois de Marco sair.

E só para completar, aquela rapidinha tinha sido na sacada descoberta de Marco, cujo apartamento ficava nos fundos, numa noite para lá de fria.

O resultado daquele ato desesperado foi uma queimadura por fricção na bunda de Elisa e a volta da gripe para os dois. Ela não parava de choramingar que seu precioso bumbum só levava a pior nesses encontros no apartamento dele e exigiu que os próximos fossem em sua casa.

Quando ela reclamou da sua má sorte para Andressa, ao ir pegar mais uma receita de remédios para gripe, a amiga sugeriu, entre risos, que eles evitassem se expor ao clima inclemente e passassem a fazer sexo entre quatro paredes.

– Se está tão difícil assim manter uma relação com o Marco, vocês precisarão desligar os celulares, tirar os telefones dos ganchos, trancar a porta do quarto, conferir a estabilidade da cama e mandar todo e qualquer objeto cortante para longe – aconselhou Fábio, que ouvia a conversa das duas e se divertia à custa de Elisa. – Mas não esqueça que a câmera do smartphone funciona mesmo com ele no modo avião, minha querida. Então não há desculpa para não me enviar uma foto com a bunda do Dr. MC.

Elisa revirou os olhos. Não sobre o pedido da foto, claro, que com certeza seria providenciada, mas sobre seus amigos não lhe levarem a sério quando ela reclamava da Dona Zica.

Dona Zica era tinhosa e, para lidar com ela, só tomando medidas drásticas.

Para sua felicidade, Marco sequer discutiu quando ela decidiu recorrer a Luana. Ele também não protestou ao ouvi-la falar por quase uma hora sobre toda a vida sexual dos dois pelo telefone em meio a espirros.

Foi difícil para sua amiga entendê-la, mas ao final, ela a instruiu sobre algumas ervas e incensos, os quais deveriam ser espalhados pelos quartos e roupeiros de Marco e Elisa a fim de sincronizar suas energias. Além disso, Luana disse que marcaria uma sessão de Reike para eles.

E que aquilo resolvesse mesmo, para o bem da Dra. Neu, porque Elisa já não aguentava mais sentir aquele cheiro de chá em sua casa, nas suas roupas e no próprio Marco.

Argh! Aquela mistura maldita parecia impregnada em seu nariz, parecia ser a única coisa que ela conseguia cheirar, apesar da gripe.

Sentindo o estômago revirar só em lembrar, Elisa limpou as mãos sujas num pedaço de trapo e se consolou.

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