Capítulo Um

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Castiel Almeida

Olho mais uma vez para meu pequeno, dormindo em seu berço e solto um suspiro cansado. Eu simplesmente não sei o que vou fazer da minha vida, agora que perdi meu emprego, minha única fonte de renda para sustentar a mim e meu filho. Minha avó me ajuda no que pode, mas não é o suficiente e isso está me deixando a cada dia mais aflito. Quando eu decidi ter meu filho, sabia que tudo ia ser muito difícil para mim, ainda mais sem a ajuda de ninguém que deveria me ajudar. Só que eu sou muito grato a Deus, pelos três anjos que ele colocou em minha vida... Ângelo, tio Giovani e minha avó Clarisse. Se não fosse por essas pessoas, eu sinceramente não sei o que teria sido de mim e meu filho. Eles me ajudaram tanto, que eu nunca vou poder pagar por tudo que fizeram por nós dois. A gravidez de Evan foi algo muito delicado e quase que nós dois não resistimos ao processo, mas graças a Deus estamos aqui hoje. E agora eu só preciso encontrar uma solução para o meu grande problema. Eu sempre consegui me virar e agora não será diferente.

Escuto o choro manhoso de Evan e quando olho para o berço, vejo ele em pé me olhando com um rosto pidão. Tão fofo esse meu filhote.

- Oi meu amor! Pra que essa manha? Papai já está indo até você. - Falo com a voz mansa enquanto me aproximo do seu berço.

Pego meu bebê em meus braços e ele logo encosta sua cabecinha em meu pescoço. E é nesses momentos que eu vejo que fiz a melhor escolha da minha vida, ao escolher meu filho. Na  verdade eu sempre o escolherei acima de qualquer coisa. Quando se é pai e mãe de verdade a prioridade sempre irá ser o seu filho e eu aprendi isso quando peguei Evan em meus braços pela primeira vez. Quando eu vi aquele pequeno ser, eu percebi o quanto ele precisava de mim e o quanto eu faria de tudo por ele. Se eu puder dar o melhor para o meu filho, então pra mim isso já é o suficiente e nada mais me importa.

- Mama! - Evan resmunga e eu caminho para fora do quarto com ele aconchegado em meu colo.

- Papai já vai fazer seu mamá bebê manhoso. - Falo com um sorriso e entro na pequena cozinha do apartamento.

Coloco Evan sentado no seu cadeirão e começo a preparar o leite dele, que é um leite especial por ele ter alergia a alguns leite em pó e leite de vaca. Termino de fazer a mamadeira e logo pego meu filho para lhe dar o leite. Me sento no sofá e ajeito ele em meu colo, colocando a mamadeira em sua boca logo em seguida.

Enquanto ele bebê seu leite, seus olhos ficam grudados em mim e abro um sorriso doce para ele. Passo meus dedos por seu rostinho, fazendo um carinho e logo vejo seus olhinhos se fecharem novamente. Tiro a mamadeira da sua boca quando ele termina de mamar e vendo que ele já está novamente dormindo, o levo novamente para o seu berço.

Volto para a cozinha e começo a lavar as louças que estão sujas, até que escuto meu celular tocando. Corro até o aparelho e o atendo rapidamente para não acordar o bebê dorminhoco que está no quarto.

- Oi vó! - Falo assim que atendo a ligação e me sento no sofá.

- Oi meu anjo, como está tudo aí? - Ela pergunta com a voz mansa e eu até penso em dizer que tudo está bem, mas infelizmente não está.

- Perdi meu emprego vó e eu não sei o que fazer. - Falo com a voz cansada.

- Oh meu Deus! Como isso aconteceu? - Ela pergunta solicita.

- Venderam o café e todos que trabalhavam lá foi despedido. Já fui em alguns lugares e entreguei meu currículo, mas não tive muita sorte. Quem vai querer alguém que mal terminou o ensino médio e nem uma faculdade tem?! - Falo com amargura.

- Eu já te chamei tantas vezes para morar comigo meu amor, por que não aproveita e vem de uma vez? - Ela pergunta e eu solto um suspiro.

- Não quero te dar trabalho vó, a senhora já me ajuda tanto. Não é justo que a senhora assuma a responsabilidade sobre Evan e eu. - Repito o que eu já disse para ela umas mil vezes.

- Você sabe que não é trabalho meu filho e eu vou ficar bem mais tranquila tendo vocês dois aqui. Além do que eu te liguei exatamente para te fazer uma proposta. - Ela fala e isso me deixa curioso.

- Que proposta? - Pergunto interessado.

- Adrian está precisando de alguém para o ajudar na administração da fazenda e como eu sei que você é ótimo com números e tudo mais, pensei em você. - Ela responde e eu fico surpreso.

- Nossa vó, isso é uma oportunidade e tanto, mas eu nem tenho faculdade. Não sei se seu patrão vai querer alguém sem uma graduação. - Falo sincero.

- Não se preocupe com isso, já falei com ele sobre você. Agora é só você parar de inventar caso e vir de uma vez para cá. Eu tenho minha casinha aqui na fazenda e ela tem espaço suficiente para nós três. Sem contar que quando estiver trabalhando, Evan pode ficar com você. Aqui é um lugar tão bom para se criar uma criança. Longe de toda a poluição e essa bagunça da cidade. - Ela diz e eu acabo sorrindo com sua fala final.

- Não sei vó, aqui também está o Ângelo e não quero deixar ele sozinho agora que o tio Giovani não está mais aqui. - Falo pensando no meu melhor amigo. Ele sempre me ajudou e esteve ao meu lado, não é justo eu o deixar quando ele não tem mais a pessoa que mais amava no mundo.

- Faz assim, pensa um pouco em tudo. Eu pedi uma folga a Adrian e estou indo te ver e então você me dá uma resposta. - Ela fala e eu acho uma boa saída.

- Tudo bem, agora me conta como a senhora está? - Pergunto e passo meus próximos trinta minutos conversando com minha querida avó.

Quando encerro minha ligação com ela, fico um bom tempo olhando para a parede em minha frente, pensando na proposta que ela me fez. Não posso mentir e dizer que não gostei, mas ainda tenho que pensar um pouco mais. Só que talvez seja isso que eu precise no momento... de novos ares e boas oportunidades para meu filho.

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Adrian D'Ávila

Coloco mais uma dose de vodka em meu copo e continuo vendo a chuva cair lá fora sentado na cadeira do meu escritório. A chuva traz consigo uma melancolia, que resume perfeitamente o meu estado de espírito. Fecho meus olhos com força e mais uma vez a cena de anos atrás volta a minha cabeça. Não consigo entender como eu pude ser tão idiota ao ponto de cometer uma tragédia tão grande. As vezes me pergunto porque não fui eu quem morreu naquele acidente. Deveria ter sido eu e não ela, mas parece que a vida quis me punir pelo que eu fiz.

Abro meus olhos e ao ver o copo de bebida em minha mão, a raiva aumenta duplamente dentro de mim. Eu sou mesmo um fraco que se afundou na bebida pois não conseguiu lidar com a culpa que me consome todos os dias. Só que a cada gole que eu tomo de bebida, a culpa aumenta ainda mais, pois foi por causa da bebida que tudo aconteceu. E como um castigo para mim, eu não consigo ficar um dia sequer sem beber, desde que voltei daquele velório em que foi enterrada a minha razão para viver.

Escuto a porta se abrir, mas não me viro para ver quem é e continuo do mesmo jeito.

- Adrian, dona Clarisse mandou te chamar para almoçar. - A voz de Maurício fala e eu reviro os olhos para o que ele fala.

Depois da morte da minha mulher, meu irmão Marcos e Clarisse acharam que seria uma boa ideia Maurício vir morar comigo, mas sinceramente? Ele não faz a menor diferença aqui. Não é que eu não ame meu irmãozinho, eu amo, mas tudo o que eu queria, era estar sozinho sem ninguém ao meu redor, me lembrando do que eu perdi.

- Fala para ela que estou sem fome. - Falo seco e escuto ele soltar um suspiro.

- Tudo bem! - Ele diz com a voz cansada e logo em seguida escuto a porta se fechar.

Jogo o copo que segurava com força na parede e me amaldiçoo mais uma vez por tudo o que fiz comigo mesmo.

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Olá jujubas! Tudo bem com vocês??? Bem, está mais um pouco de Cas e Adrian para vocês. Espero que tenham gostado 🤗

Como disse antes, as atualizações são somente nas Sextas-feiras 😉

Bjs da Juh até a próxima 😙😙

Cowboy Indomável (Mpreg) - Duologia "Indomável" - Livro 02Onde as histórias ganham vida. Descobre agora