E.Li.Te

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Era difícil não encontrar a mansão dos Harper. Talvez fosse por isso que muitos ladrões tentassem invadir o lugar, mesmo sabendo que era inútil fazer tal coisa.

Com um clique no botão do controle para abrir o portão, Lisa voltou a dirigir, atravessando a alameda de palmeiras antes de chegar a sua “humilde” casa.

A construção imponente, desenhada contra o céu, despendia de dezessete quartos, sendo doze inúteis. Sete banheiros, sendo três inúteis, uma área para as dependências dos empregados, quatro salas, sendo duas sem propósito e vários outros cômodos que, olhando de fora seria, sim, possível existir.

- Não, não vou de saia – dizia Lisa ao estacionar seu carro ao lado do de sua mãe – Talvez vestido... Ah, Mika, por favor! Não quero que fiquemos parecendo trigêmeas esta noite. Além do mais...

Não havia saído do carro ainda, por isso, talvez, não tivesse notado antes a moto preta e suja que estava estacionada a alguns metros de seu carro. Franziu o cenho. Esperava que sua surpresa não fosse aquela moto usada.

- Além do mais, – continuou sem tirar os olhos da moto – eu tenho que entrar. Ainda estou no carro e tenho que almoçar. Até mais Mika.

Desligou no mesmo instante em que abriu a porta do carro. Subiu os degraus da entrada de casa com destreza, mesmo estando de salto e, quando foi abrir a porta, ela se abriu sozinha, mostrando a senhora Harper com a mesma cor de cabelos que a filha. Ela sorria estranhamente e Lisa, naquele momento, temeu o pior...

- Tenho uma surpresa! – ela anunciou puxando a filha para dentro da mansão.

- Mãe, para onde está me levando?! – Lisa perguntou, tentando puxar o braço que a mãe segurava com força.

- Senhorita Harper – cumprimentou Jeremy, o mordomo, inclinando a cabeça e abrindo a porta da sala de visitas.

Ao entrar na sala de visitas, Lisa viu duas grandes malas de viagem encostadas contra a parede, ao lado da lareira de tijolos pintada de branco. A lareira nunca era usada, nem mesmo no inverno.

- Lisa, quero te apresentar seu primo, filho de minha irmã adotiva Manuelle.

- Tia Manuelle? – Lisa franziu o cenho. Já havia ouvido falar de tia Manuelle, é claro, mas nunca a tinha conhecido.

Seguiu sua mãe, descendo os dois degraus que levavam aos sofás e, de onde estava, Lisa pode ver uma cabeça cheia de cabelos negros, brilhantes e bagunçados. O garoto estava sentado no sofá de couro preto, de costas para a porta e, uma parte de sua camiseta branca, se destacava contra o sofá escuro.

- Elliot... – chamou a Sra. Harper ficando de frente para o garoto e levando a filha consigo.

O primeiro olhar que trocaram foi de indiferença. Os olhos azuis, frios e penetrantes de Elliot percorreram Lisa dos pés a cabeça, mas não expressaram nada. Nem mesmo curiosidade. Por sua vez, Lisa observou o suposto primo com antagonismo. Seu jeito de se vestir, a forma displicente de sentar e os cabelos sem corte, não a agradavam. Comprimiu a boca e levantou uma sobrancelha, sem saber o que pensar... Ele parecia um... revoltado, concluiu Lisa. Elliot não era feio, apenas tinha mau gosto.

Ao perceber que palavras não iriam ser trocadas entre os dois jovens que se encaravam seriamente, Valéria riu para amenizar a tensão do ar e olhou para o sobrinho.

- Elliot, essa é Lisa, minha única filha, sua prima.

O garoto se levantou e ficou de frente para Lisa que notou como ele era alto e como tinha braços com músculos bem definidos. A camiseta branca estava amassada, o jeans justo estava surrado e a parte que aparecia do allstar branco, estava marrom de sujeira.

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