Outubro IV

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O universo é mesmo uma caixinha de surpresas, né? Você nunca sabe o que esperar ou o que ele vai te trazer até... Até ter o Luiz bem na sua frente num lugar ermo e isolado.

Agora dá pra ver a sua fantasia direito. É um faraó. O adereço da cabeça, listrado de preto e dourado, meio quadrado, imponente, me lembrou uma cobra... Mas isso nem combinaria com ele. O faraó faz muito mais sentido. Seus olhos estão marcados de lápis preto ao redor dos cílios, e suas bochechas e lábios estão dourados por um pó, eu acho...

Luiz está sozinho, mas o celular fica na palma da mão o tempo todo. Não me movo, só me apoio na grade de proteção da varanda e percebo que ele faz o mesmo, mas a uns bons dez passos de distância de mim. Minha presença não parece incomodá-lo, mas a dele é como uma nuvem sobre a minha cabeça. Pesada, volumosa, impossível de ignorar. Meu corpo inteiro está em alerta e isso quer dizer que não consigo fazer muita coisa a não ser fingir que está tudo bem.

A música do lado de dentro quase não é ouvida ali fora; a porta deve ser de material isolante ou algo assim. Que eu me lembre, ninguém que conheço é fumante, então as possibilidades de mais alguém aparecer são baixas.

Meu cérebro está trabalhando à toda velocidade quando ouço a respiração do Luiz se elevar, um muxoxo audível e ele guarda o celular sob o pano do tecido preto que serve de "cinto" para a sua túnica cor de areia da fantasia. Não deve estar sentindo frio, porque se debruça na grade, os cotovelos pra fora, o queixo sobre os antebraços. Suspira.

Não acho que vou conseguir dizer qualquer coisa até ver que minha boca está se abrindo sozinha. Minha voz chega aos meus ouvidos sem que eu entenda de imediato que fui eu que iniciei uma conversa com o Luiz Eduardo:

— Você veio sozinho hoje.

— Você também. — ele responde sem se mover. Nem seus olhos se viram pra mim e não é como se ele tivesse ficado surpreso comigo puxando assunto.

eu estou surpreso comigo mesmo.

— Não é como se eu tivesse muitas companhias, né...

Aí sim ele me olha de soslaio. Troca o peso de uma perna pra outra, se ajeitando na grade e suspirando alto, soando irritado. Há braceletes nos seus bíceps e eles tilintam em contato com o metal da grade.

Aliás, ele está irritado. Não sei se é comigo ou com o mundo, mas é visível.

— Por que o Renan não veio? — ele joga a pergunta entre nós dois e é como se meu corpo reagisse sem que meu cérebro resolvesse primeiro como.

— Por que o William não veio?

Luiz se vira pra mim, um cotovelo na grade, o olhar meio cínico, meio... esperto demais.

— Agora eles estão na mesma categoria, é?

Faço um esforço enorme pra fechar minha boca antes que qualquer coisa saia e me coloque em uma posição mais delicada do que já estou no momento. Ele continua olhando pra mim, mas não sei que reação estou esboçando porque, uns bons minutos depois, Luiz só revira os olhos e bufa ainda mais alto.

— Eu sei que vocês estão juntos, Daniel, não precisa nem se incomodar em dizer alguma coisa. — eu não sei o que ele espera que aconteça, ou que eu diga, porque só me mantenho ainda mais calado, agora sentindo meu coração nas têmporas, fazendo minha cabeça latejar de forma absurda. Estou entrando em pânico, mas não quero que isso aconteça. Expiro, inspiro, me concentro. Penso se a Mariana comentou algo com o grupo deles, mas daí ele me corta acrescentando: — E se você tá pensando que alguém me contou isso, a resposta é: não. Não preciso que ninguém conte, tá mais que na cara. Pelo menos pra mim. — ele ainda me dá mais uma olhada incisiva e acrescenta: — E essa fantasia é muito a cara do Renan.

Aprendendo a Gostar de Você {Aprendendo III}Onde as histórias ganham vida. Descobre agora