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Pen Your Pride

Califórnia, novo lar

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Filipa's POV

- Filipa, tens 15 minutos para estares cá em baixo, pronta! - ouço o grito da minha mãe. Resmungo contra a almofada e mentalizo-me que tenho de me arranjar. É hoje! É hoje o dia em que vou deixar tudo o que sempre conheci para trás... O meu pai, há 8 meses desempregado, conseguiu finalmente um emprego, mas é em Los Angels, Califórnia, ou seja toda a família tem de se mudar para lá. Felizmente a minha mãe conseguiu uma transferência para a filiação da sua empresa lá.

Hoje é o segundo dia de férias de verão e nós vamos agora para nos habituamos ao sítio... sinceramente acho que preferia ficar cá o verão, apenas para poder ter um último verão com os meus amigos, mas já discuti o suficiente sobre isso com os meus pais e já percebi que não há volta a dar... por isso ontem tive de me despedir de toda a gente... não é como se nunca mais nos voltaremos a ver mas sei que vai ser diferente, muita coisa se vai perder na distância até que eventualmente não sobra nada...

- Posso entrar mana? - ouço a voz de criança da minha irmã mais nova do outro lado da porta.

- Claro pequenina! - respondo e rapidamente me levanto para me começar a arranjar. Vejo a minha pequenina a entrar agarrada ao seu ursinho de peluche com uma carinha de sono.

- A mamã disse para te despachares... - ela informou-me depois de se atirar para a minha cama.

- Já estás pronta? - perguntei-lhe meigamente.

- Sim. - respondeu-me quase a dormir. Acabei de calçar as minhas sapatilhas e fui à casa de banho pentear-me e lavar os dentes. Arrumei o que faltava na mala e depois peguei na Sofia, minha irmã,  que já estava a dormir e pousei-a no puff enquanto fazia a minha cama. Depois de estar tudo pronto agarrei na mala e levei-a para a entrada. Voltei a subir para o meu quarto e peguei na pequenina com cuidado para não a acordar. Ao sair do quarto cruzei-me com o meu irmão mais velho, que depois de murmurar um "Bom dia" pegou a mais nova dos meus braços e desceu as escadas à minha frente. Fui andando para a cozinha enquanto Duarte deixava Sofia na sala.

- Bom dia! - saudei quando cheguei à cozinha.

- Bom dia filha! - disse o meu pai depois de me dar um beijo na bochecha e me passar uma caneca com leite para a mão.

- Onde está a mãe? - inquiriu depois de me aperceber que ela não se encontrava nesta divisão.

- Estou aqui meu amor! - ela disse ao entrar na cozinha. - Estava a acabar de arrumar as coisas. Já tens tudo pronto? - perguntou quando se aproximou e me deu um beijinho.

- Sim, mommy. A Sofia foi lá ter comigo ao quarto e acabou por adormecer, o Duarte foi pousa-la à sala. - informei. Ela assentiu e disse que iam começar a levar as malas para o carro. Eu continuei a comer e o meu irmão acabou por se juntar a mim.

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Tínhamos acabado de aterrar em território americano e íamos agora no carro alugado para a nossa nova casa. O meu pai a conduzir e a minha mãe a seu lado a dar as indicações do caminho. Atrás ia Sofia na cadeirinha a dormir profundamente, a meio ia eu a mentalizar-me que já não havia volta dar, agora a Califórnia é a minha terra, e ao meu lado Duarte que ia a olhar pela janela, provavelmente a pensar o mesmo que eu. Peguei no seu braço e elevei-o de forma a que este ficasse por cima dos meus ombros e deitei a cabeça no seu peito. Ele apertou-me mais contra si e beijou-me o topo da cabeça. Entendi esse gesto como um "Vai correr tudo bem" e por isso abracei-me à sua cintura, esperando que lhe passasse a mesma mensagem. Durante 12 anos fomos apenas eu e ele, por isso somos muito próximos. Depois há 6 anos a mais nova da família nasceu, já um pouco inesperada, mas não por isso menos amada. Desta forma, Duarte tem 19 anos, eu tenho 18 e Sofia tem 6. Os meus pais foram vítimas do amor adolescente e por isso tiveram filhos relativamente cedo. Quando nasci a minha mãe tinha 23 e o meu pai 24.

- Estão bem meus amores? - a minha mãe perguntou virando-se para trás para nos encarar.

- Sim mãe! - Duarte respondeu com um pouco de mágoa na sua voz e eu olhei para a minha mãe que agora tinha um sebelante extremamente triste.

- Vocês sabem que só fazemos isto porque não há outra forma, certo? - ela perguntou com a voz a quebrar ligeiramente. Vi a mão do meu pai a ir para a sua perna e apertar o seu joelho ligeiramente.

- Nos entendemos mãe, não te preocupes, nós estamos bem! - assegurei-lhe, pois sei que esta partida está a afetar todos nós. Ela sorriu um pouco e virou-se para a frente. Desviei a atenção para o meu irmão e juro que me caiu tudo quando vi as lágrimas na sua face. Fi-lo olhar para mim e limpei-lhe as bochechas com os meus polegares. Ele tentou sorrir-me mas falhou miseravelmente. Beijei-lhe a bochecha e ia falar quando sou interrompida por uma vozinha de criança.

- Também vamos poder brincar no jardim aqui mamã?

- Claro princesa!

- Não fiques triste mano, a mamã diz que podemos brincar no jardim aqui também! - Sofia falou meigamente para o mano mais velho e estendeu os braços para que este lhe pegasse ao colo.

- Tens razão pimpolha! - ele respondeu com um sorriso amoroso e olhou para minha mãe e esta assentiu. Tirei o cinto da pequenina e ela rapidamente saltou para o colo do irmão. Ele aconchegou-a no seu colo e puxou-me de volta para ele e assim foi feito o resto da viagem.

Quando chegamos ao nosso novo lar eu não queria acreditar, deixamos de viver numa casa pequena e modesta para viver num condomínio fechado.

- Papá, onde está o jardim? - perguntou Sofia.

- É na parte de trás do prédio, filhota! É muito grande e tem muitos meninos para brincarem contigo! Vais ver que vais gostar... - o meu pai respondeu-lhe carinhosamente.

- E tem uma piscina! - acrescentou a minha mãe com o entusiasmo presente na voz! A minha irmã deu um gritinho de esteria e começou a gargalhar no colo de Duarte.

Todos nos rimos e seguimos os pais para a nossa nova casa! Num prédio com 18 andares, morávamos no 12. Percebi que cada piso tinha apenas dois apartamentos e quando entrei fiquei chocada com a elegância e o luxo do que seria o nosso lar... Eu pensava que nos tínhamos mudado porque precisávamos de dinheiro, não para passarmos a viver que nem reis! Atenção, não me estou a queixar, mas estou um pouco confusa...

- Foi a empresa que nos pagou o apartamento. - o meu pai pareceu ler os meus pensamentos. - É das melhores empresas de advogados da Califórnia, vou trabalhar com gente muito importante e famosa por isso eles não queriam que eu fosse visto a sair de uma casa mediana... - o meu pai falava com um misto de emoções na voz, orgulho, alívio, revolta... Eu compreendia-o.

Arruma-mos as nossas coisas todas e saímos de casa para ir ao jardim partilhado do condomínio... Estava lá apenas uma família, a jantar num dos recantos mais escondidos do sítio, e por isso não demoramos muito para não incomodar, se bem que eles eram tantos e faziam tanto barulho que penso que não deram por nós... Antes de entrar outra vez no prédio e vi uns olhos castanhos chocolate que me fixavam e uma sensação de familiaridade percorreu todo o meu corpo antes de me virar e continuar o meu caminho...

Fallin' For You ||Ross Lynch/R5||Leia esta história GRATUITAMENTE!