Capítulo Trinta e Seis

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Aquele almoço foi uma das refeições mais divertidas que Elisa compartilhou com alguém nos últimos tempos. Nem mesmo os encontros com os amigos lhe garantiram tantos sorrisos.

O Sr. Greier era um sedutor muito cativante, que ficava a todo momento cutucando Marco e lhe avisando que estava prestes a ser abandonado, pois seria ele quem levaria as duas moças bonitas para casa.

Depois de uma sobremesa fantástica – nenhum dos quatro resistiu a experimentar o pudim do restaurante –, Marco e Elisa passaram a tarde com o Sr. e a Sra. Greier na casa deles.

E não demorou muito para que Elisa descobrisse a paixão da família por jogos de tabuleiro. Ela nunca pensou que o seu Marco Certinho utilizaria uma linguagem tão... colorida ao perder uma partida de batalha naval.

Já o pai de Marco adorou conversar com Elisa, e até lhe confidenciou a miniatura de Corvette que guardava no bolso, um presente do filho.

Marco ficou surpreso por seu pai carregá-lo. A mãe disse que o marido o levava o tempo todo, o que era um milagre considerando que seu pai saía de casa somente com a roupa do corpo na maioria das vezes. Isso quando não era apenas de cueca.

Aquilo lhe deu uma ideia.

Colaria uma etiqueta com seu número de telefone e o da mãe na parte de baixo da miniatura, e assim teria uma chance a mais de encontrá-lo numa próxima.

Naquelas vezes em que o seu pai fugia como tinha feito mais cedo, Marco considerava seriamente tatuar todos os seus contatos e endereço na bunda dele. Era bem tentador, na verdade, mas logo depois considerava que havia lugares mais visíveis para uma tatuagem. Como sua testa, por exemplo.

Mas por enquanto, Marco se contentaria em catar uma etiqueta nas coisas da mãe, anotar seu nome e telefone, e então colá-la na parte debaixo da miniatura.

A princípio, Seu Everaldo protestou. Não queria que estragassem o seu pequeno Corvette com a cola. Entretanto, depois de Elisa lhe explicar que aquela era uma excelente forma de garantir que a miniatura poderia ser encontrada caso caísse na rua, ele acabou concordando.

Não sem alguns resmungos de que jamais a perderia, claro.

Conversa vai, jogo vem, já escurecia quando Elisa convidou a si mesma para o jantar sem qualquer cerimônia. Não querendo incomodar a mãe, Marco decidiu pedir comida pela tele-entrega, o que deixou Seu Everaldo muito admirado.

Quase foi à falência, arrependido de deixar Elisa e o seu pai encarregados dos sabores.

– Eu já experimentei a pizza de coração dessa pizzaria – comentou ela para Seu Everaldo. Ambos estavam sentados no sofá, com as cabeças juntas sobre a tela do smartphone enquanto analisavam o cardápio online do site. – É simplesmente fantástica. Não tem outra definição. O meu irmão que não me ouça, mas eles superam qualquer um.

– O seu irmão faz pizzas? – surpreendeu-se o Sr. Greier.

– Ele é confeiteiro, mas às vezes se aventura nos salgados também. Na verdade, os salgados são mais a praia da minha mãe. – Elisa passou por outro sabor. – Pizza de calabresa não pode faltar!

O Sr. Greier colaborou adicionando sabor alho e óleo, bacon e quatro queijos na lista que Marco anotava em seu bloquinho.

Assim como o filho, Dona Mirian só escutava a conversa dos dois glutões, divertindo-se pelo fato de o marido ter encontrado alguém à altura do seu apetite. O dia encerraria bem, graças a Deus, apesar do desespero das buscas daquela manhã.

Ela sequer percebeu o braço de Marco a rodeando pelos ombros.

– Você está cansada, mãe.

A Sra. Greier olhou para o filho.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now