Capítulo 6

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Gabriel entrou primeiro, arrastando Manu pela mão, Rafa seguiu atrás. Mais desconfiado que curioso. Não sabiam qual filme era, mas nem importava. A mocinha que fica na porta do cinema rasgando o ingresso deu um sorriso cúmplice para Gabriel, mas ele nem ligou, sua cabeça rodava rápido demais, ele morria de medo de destruir o que quer que tivessem.

Por um lado, ele sabia que estava errado: era traição. Se combinou dividir Manu com Rafael, se Rafael estava disposto a isso e se foi esse o trato entre eles, então tinham um compromisso. Manuela aceitou os dois porque ambos sabiam que ela os queria, mas o combinado entre eles foi feito antes.

— Todos nós sabemos o que queremos. – Foi esse o discurso de Rafael, segundos antes de entrarem na casa da Manuela e resolverem tudo.

— Pois é, sabemos, mas Manu é uma menina só.

— Pois é. – Rafael demorou para continuar a dizer, e, quando disse, fingiu bem que não estava nervoso – Mas e se tivesse um jeito de ter Manu para nós dois?

— Eu fico com a perna e o braço direito, você com a perna e o braço esquerdo?

— Tipo isso.

— Rafael, você precisa estudar menos, conversar mais com as pessoas. Tá ficando igual aqueles caras que entram na escola atirando.

— Eu tô falando sério. Manu quer nós dois, nós dois queremos ela.

— Ela nunca vai aceitar um bagulho desses.

— Isso quem decide é ela. Tô perguntando se você aceita.

— ... – Gabriel nunca tinha pensado nessa hipótese.

Mas, entrando pela sala do cinema, sentindo-se o pior garoto da escola, o mais mesquinho, o mais idiota, sentindo nojo da própria boca, o coração espremido entre as costelas, tudo fazia sentido. Mais do que poder beijar Manu quando quisesse e ter que aceitar Rafael fazê-lo também, beijar Catarina deu uma dimensão de certo e errado que o fazia se sentir traidor não de um acordo contratual, mas de algo que parecia vital para ele.

Olhando Rafael e o jeito calmo de quem sempre sabe o que fazer, ele entendia que não era só a Manu quem ele traía.

— Para quem me chamou aqui para a gente se beijar no escuro, – Manuela cortou seus pensamentos – tá fazendo muita cara de quem tá indo para o matadouro.

— Não é isso, Manu.

— Não é o quê? Não é para a gente se beijar no escuro?

Numa lufada só, ar que entrou e que não saiu até sua última palavra de desculpa, Gabriel contou quem beijou e o porquê. A sala do cinema ainda estava clara, sequer os comerciais pré-filme começaram, então Gabriel contava e as lágrimas presas nos cantinhos dos olhos confirmavam.

Gabriel podia ser burro, Manuela confirmava enquanto sentia a bolinha de gude entalada na traqueia, mas nunca foi mentiroso. Dos três, Gabriel sempre foi o que não mentia. Talvez seja por isso que ele seja o mais popular, o mais bonito, e o que todo mundo quer andar do lado. Gabriel, com quem ele ama, não conhece a palavra não, nem a palavra mentira.

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