Capítulo Trinta e Cinco

Começar do início

Marco arqueou a sobrancelha.

Ele havia ficado aliviado por ela levar numa boa a compra do Corvette. Ou, para ser mais preciso, não levar muito a mal. Elisa lhe deixou bem avisado: aceitava a derrota porque sabia que Marco não era trapaceiro. Ainda assim, era ela quem iria fazer todas as revisões do Corvette, para sempre. Além de ter carta branca para pegá-lo emprestado e fazer inveja aos amigos.

Marco teve que concordar. Até porque Elisa lhe entregaria o carro quando estivesse pronto e não iria enrolá-lo como algumas oficinas faziam, com preço alto e demora. Ela era profissional e não misturaria negócios com picuinhas e vinganças.

Ou, pelo menos, era isso o que ele esperava.

– O Corvette já está pronto? O meu sequestro vai ser nele?

Elisa balançou a cabeça afirmativamente, sorrindo. E então lhe deu um beijo estalado na boca antes de entrar no apartamento.

– Claro que sim. Este é um sequestro com estilo, MC. E sou eu quem vai diri... – ela parou de falar assim se aproximou da mala de Marco perto do sofá e viu o olhar indignado que vinha por detrás da caixa de transporte logo ao lado.

– Ah, não, eu vim sequestrar você, não essa criatura!

– Não posso deixar o William sozinho por sei lá quanto tempo, Elisa. Você me disse que sairíamos no feriado, mas não quando voltaríamos.

Ela o encarou sem entender.

– Mas eu disse. Até conseguirmos transar.

Marco rebateu:

– E eu disse que isso não era bem uma resposta, do jeito que estamos tendo sorte.

– Credo, mas que pessimismo é esse? – Elisa resmungou, contrariada, mas ao receber o olhar direto de Marco, suspirou. – Ora, está bem, está bem. – Então ela pensou um pouco. – Fiz a reserva do hotel para quatro dias. Não serão suficientes para a seca em que me encontro, mas terão de servir por enquanto.

– Segunda-feira não é feriado, Elisa. E você até pode ter se dado uma folga da oficina, mas eu tenho que estar de volta no escritório. Mesmo assim, são três dias longe, e ainda não sei se levo o William para um hotel ou para a casa dos meus pais antes de irmos. Aliás, o bom mesmo era a gente voltar domingo de manhã, assim evitamos trânsito e eu adianto umas coisas de um cliente.

Elisa fez cara feia.

– Negativo, MC. Se for para voltarmos domingo, será de noite. Portanto, vamos levar essa fera peluda para um hotel, assim poupamos os seus pais. Se existem pessoas loucas o suficiente para trabalharem cuidando de animais, a culpa é delas.

Marco a olhou espantado.

– Você não gosta de bichos?

Ela deu um sorriso inclinado.

– Claro que gosto, mas só dos simpáticos. O Argos, por exemplo. Ele é um ótimo animal de estimação, embora Andressa o trate como uma criança pequena.

Ela é uma daquelas pessoas que só gosta de cães, pensou Marco. Mas tenho que defender meu companheiro de apartamento.

– O Argos é um cão molengão e destruidor.

Elisa apontou o braço do sofá e perguntou:

– E gatos não são?

Froga. Ela notou o que Guilherme deixara passar em suas argumentações.

– Foi só uma questão de adaptação – defendeu Marco, embora soubesse que William continuava usando o sofá como arranhador. – Não tenho nada contra o Argos e gosto dele ainda mais quando encontra os calçados do Guilherme. Mas o William é um gato tão orgulhoso e cheio de personalidade que eu aprendi a admirá-lo.

Meu Adorável AdvogadoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora