Capítulo Trinta e Cinco

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A sexta-feira do dito sequestro estava linda. Um sol se espreguiçava por cima dos prédios mais baixos que apareciam pela janela do quarto de Marco e o céu era de um azul límpido, exatamente como a previsão do tempo garantia que seria durante o final de semana.

E ele, após ter deixado a mala pronta desde a noite anterior, estava pronto para ser sequestrado, assim como William estava pronto para ficar na casa dos seus pais ou para uma estadia de três dias num hotel para animais indicado por Andressa. Marco ainda relutava entre deixar o bichano com seus pais, para lhes dar trabalho, ou num lugar estranho com pessoas desconhecidas, mas sabia que não tinha como levá-lo junto num passeio romântico.

Ainda mais quando o tal bichano e a dita "sequestradora" não iam com a cara um do outro.

Aquilo teria de mudar com o tempo. William e Elisa precisavam se entender e terem um bom convívio se Marco e ela pretendiam continuar se vendo. Mas agora não era momento de pensar naquilo. Não quando a expectativa pelo passeio com Elisa o deixava indo de um lado para o outro do apartamento, organizando coisas que já estavam organizadas e conferindo o relógio de dois em dois minutos.

Voltou ao quarto e deu mais uma olhada no que havia separado para levar. Ficariam fora por no máximo três dias, ele imaginava, pois ambos tinham que trabalhar na segunda-feira. Sendo assim, fez uma mala de mão pequena, com quatro mudas de roupa – precaução nunca era demais – e artigos de higiene pessoal. Até conversaria com Elisa para que voltassem no domingo de manhã. Além de almoçar com os pais, Marco queria dar uma adiantada num processo para segunda-feira.

Ora, a quem ele queria enganar? A verdade era que não se sentia confortável em ficar longe de William por tanto tempo. O gato já tinha sido abandonado pelo antigo dono e esta era a primeira vez que ficariam sozinhos desde que estavam juntos.

Pensaria em como verificar isso com Elisa depois. Por hora, Marco se sentia ansioso para sair. Quase fora pego desprevenido com a mensagem dela, avisando-lhe de sua vinda pouco antes vir buscá-lo, mas por sorte o café da manhã deles não levou muito tempo uma vez que consistiu numa lata de atum para William e em frutas com cereais e café com leite sem lactose para si.

Marco ainda ficou algum tempo de lá para cá pelo apartamento, tentando escapar do inevitável: convencer William a entrar na caixinha de transporte.

Respirou fundo e evocou toda a paciência que possuía antes de deixar a caixa no chão, colocar uns petiscos no fundo dela e só então chamar o gato:

– William! Vamos dar um passeio?

O gato pareceu entender o que Marco dizia, pois seus olhos amarelos foram dele para a porta da lavanderia onde a guia ficava guardada.

– Não, cara – Marco balançou a cabeça. – Hoje o passeio é um pouquinho mais longo. – Vem cá, vem, tem petiscos para você.

William cheirou o ar e se aproximou. Comeria o primeiro petisco que o seu humano segurava para ele, mas não antes de se esfregar naquelas calças limpinhas e deixar seus pelos nela, obviamente. Era importante marcá-lo para que não acabasse se perdendo por aí e algum outro gato o adotasse.

Marco suspirou. Havia colocado suas calças sociais novas para a viagem e agora a lã estava cheia de pelos. Ora, froga-se. Os dois eram da mesma cor, ninguém veria.

A campainha tocou no exato momento em que Marco bateu as pernas das calças e conseguiu convencer William a entrar na caixa para transporte. O que lhe rendeu um novo arranhão no braço, visto que o gato não previra que a portinha da caixa tinha de ser mantida fechada com ele dentro.

Graças aos céus William não o tinha mordido... ainda.

– Bom dia! – cumprimentou Elisa, balançando as chaves do Corvette no ar assim que ele abriu a porta.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now