Capítulo 3

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Tudo o que não queria era fazer o que estava prestes a fazer. Contou tudo para o Rafa, menos a parte em que planejava terminar com ele. Contou sobre o Gabi na porta do banheiro enquanto dividiam uma coca-cola às nove da manhã. Contou sobre a advertência e Rafael odiou ouvir essa parte.

É como se a Manu fosse disciplinada só porque o Rafa era. E ela se sentiu envergonhada, por causa de Rafael, muito mais do que ficaria de mostrar isso para a mãe. Baixou os olhos sentindo o rosto queimar só de ver as marcações de caneta vermelha, e trocou de assunto:

— Mas cê vai lá pra casa, né?

— Eu te conheço, Manu.

— Cê quer um parabéns por conhecer sua amiga?!

— Você vai fazer o que o Gabi quiser fazer. – Rafa fingiu que não ouviu o que "amiga"queria dizer.

— E você acha que eu tô errada?

— Eu só acho que não vai dar certo.

— Por quê?

— Por que cê vai terminar comigo e vai me obrigar a andar do seu lado até o terceiro ano.

— E você vai andar, Rafael? – Novamente, mal secou as lágrimas por causa de Gabriel, já chorava por causa do outro.

— Não.

— Então eu vou mandar vocês dois para a puta que pariu e vou andar sozinha! Que quié, palhaçada! Vai treinando ficar sozinho, Rafael, porque ou nós três andamos juntos, ou eu ando sozinha!

E foi-se embora, direto para a biblioteca, deixou até a coca-cola, ignorou qualquer coisa que Rafael disse e ficou de carinha virada para ele, mesmo com a carteira colada na dele, durante todo o resto do período.

Gabriel, por outro lado, não parava no lugar. Vivia passando bem do lado da carteira da Manu, um milhão de vezes, detonou um lápis de tanto apontar, só para poder jogar as casquinhas no lixo atrás da porta de entrada, bem perto da primeira fileira. Ia e vinha, Manu sentia o coração acelerar de tê-lo por perto, parecia que ia ter um ataque a qualquer segundo, e, de ver o sorriso dele, flagrante, sentiu-se o bicho mais volátil e besta do Universo.

É como se a pele fosse feita de vidro e todo mundo soubesse o que se passa dentro. Os dois meninos sabem, o Lipe sempre soube, o Guto nem pergunta, só sabe, só faz o que ela quiser fazer, nem que seja uma volta no quarteirão, nem que seja um sorvete, nem que seja um par de ouvidos para ela poder tagarelar.

E os pais sempre andam de risinhos porque vêem na menor um copia-e-cola dos mais velhos, rompendo um ciclo de hospitais, rompendo um ciclo de filhos homens, rompendo uma maneira de paternidade que o pai arrastou até o filho do meio.

— Veio para quebrar tudo, não é? – O pai ria com a mãe e a Manu revirava os olhos, toda vez, toda vez, porque ela não tinha dever nenhum na vida dos pais e queria ser só ela, Manuela Miller Ferreira, o que quer que isso signifique ou o que venha a significar.

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