Capítulo Trinta e Quatro

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Os dias foram passando e Marco ainda não tinha certeza de como contaria a Elisa sobre o inesperado encontro com o Sr. Silva e a compra do Stingray.

E não foi por falta de oportunidade. Oh, não mesmo. Afinal, só naquele sábado ela lhe ligara três vezes, além de mandar mensagens safadas e eróticas. Depois que eles passaram do estágio "não vamos com a cara um do outro" para o "uma hora conseguiremos ir para a cama", seu WhatsApp era invadido por imagens sensuais e convites nem um pouco sutis.

Portanto, a verdade era que Marco não havia contado nada por falta de coragem mesmo.

Ele era um covardão, não tinha uma forma gentil de dizer isso. E precisava se assumir como frouxo, era questão de honra.

Não importava o quão irônico soassem as palavras covardia e honra numa única sentença.

E o pior era quando Elisa ora e outra citava um modo de eles conseguirem comprar o Corvette. Ela o fazia na mesma proporção com que lhe pedia desculpas por aquela infeliz lista de homens e lhe prometia coisas que fariam até mesmo Sandro corar. E olha que Sandro era o mais tarado de todos os seus amigos.

Marco não tinha coração para dar as más notícias a Elisa, e era por isso que andava evitando encontrá-la pessoalmente. Já recusara dois convites para jantar e outro para o cinema, primeiro porque não conseguia lhe dizer que já havia comprado o Corvette e, segundo, porque queria, ainda mais, ir para os "finalmentes" com ela, o que parecia muito cretino da parte dele.

Sendo assim, era óbvio que estava se sentindo o pior dos homens.

Recebo flores, ligações diárias e fujo como um daqueles canalhas que já conseguiram o que queriam da pessoa..., Marco suspirou, aborrecido consigo mesmo.

Embora algo estivesse a seu favor: os dois ainda não haviam dormido juntos, então ele não podia ser acusado de estar com ela só até conseguir o que queria.

A menos que Elisa pensasse que o que Marco queria era só o Corvette e agora que o conseguiu, pretendia se afastar. E, de certa forma, ela teria razão, uma vez que no início de toda aquela história era exatamente isso o que ele queria.

Agora, no entanto, não era mais isso. Agora ele queria ver no que ia dar aquela... Aquela relação entre os dois. E estava sendo um fraco em não encerrar a discussão do Corvette para poder realizar suas fantasias.

Mas que froga!

Isso que ele jamais considerou que poderia ser Elisa a perder o interesse nele quando soubesse que o Corvette estava fora de questão. Ele não podia imaginar que os beijos trocados, e o desejo que os dominava quando se encontravam fosse apenas por interesse. Elisa não era assim. Ela era direta, séria sobre negócios e não tão séria sobre os homens que queria em sua cama.

Determinada, abusada e adorável definia melhor aquela ruiva.

E era nisso que Marco pensava enquanto as horas passavam. Talvez por isso ele estivesse meio atrapalhado naquele dia. Quase perdeu prazos em um processo – uma corrida de obstáculos o levou e o trouxe do Fórum em segurança e com tudo em ordem –, dois clientes não mandaram os rols de testemunha que ele precisava para "ontem" e, para completar, seu computador resolveu que atualizaria a cada três horas.

Mas nada disso era desculpa para sua covardia extrema. Marco deu uma olhada em direção à gaveta, onde havia enfiado o presente que pretendia dar a Elisa. Comprá-lo fora um ato de desespero e tinha por intuito amolecer o coração dela antes das notícias, ele precisava admitir. Porém, achava mesmo que Elisa gostaria. Ou ao menos pensaria uns segundos mais antes de querer lhe arrancar a cabeça.

– Uma hora você vai ter que contar, cara – resmungou ele para si mesmo, depois de não conseguir imprimir uma petição porque a impressora resolveu engolir o papel.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now