Outubro III

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CAPÍTULO EXCLUSIVO PARA O WATTPAD

Vocês votaram e escolheram o tema da festa, e este capítulo é exclusivo pra vocês :)

Espero que gostem!


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Passo a semana seguinte basicamente trancado no meu quarto. Digo que estou revisando as coisas da escola, que os vestibulares estão aí, e é claro que nem minha mãe, muito menos meu pai, se importam em me deixar à vontade pra fazer isso. É a justificativa perfeita, claro. O que eu faço, porém, é ler (e reler) todos os poucos livros de literatura que tenho, incluindo o que me deram no aniversário do ano passado, meu favorito, pesquisar coisas sobre a faculdade, conversar com o Renan e o Sander pelo Messenger, e, por incrível que pareça, ouvir música. Estou sempre recebendo recomendações e é meu momento de descobrir um lado da vida que eu não tive muito acesso e que as pessoas normalmente admiram. É, estou gostando da jornada.

No meio da semana, porém, tiro um dia pra ir pra casa da minha avó. Sinto falta da calmaria, de não sentir na pele que estou sendo cobrado e vigiado o tempo todo. Pela distância, ninguém simplesmente aparece por lá, então é um lugar que me sinto seguro também. A companhia da minha avó é bem-vinda, mesmo que não concordemos em muitos assuntos. Deixo de conversar só pra ficar assistindo TV com ela, em silêncio. Ou provar um bolo de uma receita nova que a cuidadora, a Marta ("Me chama de Martinha, menino!") faz. O quintal me traz uma nostalgia das reuniões de família desde que chegamos na cidade, porque vovó nunca morou em outro lugar, e percebo que passo horas sentado na varanda traseira só observando as plantas crescendo erraticamente.

Volto pra lá no dia seguinte, e no outro, até que vovó brigue que estou passando tempo demais lá e que eu deveria estar "aproveitando minhas coisas de moleque". Rio e só digo que prefiro aquilo a qualquer coisa que teria em casa. Não sei se ela entende além da conta, mas me lança um olhar demorado e suspira.

— Paulo devia ter feito tanta coisa pra você e largado mão de ser cabeça-dura...

Com essas palavras e o olhar lânguido, percebo que minha avó não só me enxerga por fora, mas talvez consiga ver o que ninguém mais quer ou consegue. Sinto aquele nozinho na garganta, mas ele não sobe porque me controlo. Porque me despeço e vou embora logo depois, também.

E é assim que a sexta-feira chega, e com ela vem o sábado. Meus tios, que estavam viajando, resolvem passar o dia na nossa casa, fazendo churrasco e bebendo cervejas que sobraram das caixas que compraram para a viagem à praia. Todos parecem ter chegado e ido direto pra lá; estão de chinelo e regata, minhas tias estão bronzeadas e com óculos escuro, mesmo o sol não estando tão quente assim. É claro que todos os meus primos vem juntos, e isso inclui o Carlos, que se senta na sala e fica com o nariz grudado no celular o tempo todo.

A tardinha, depois que minha mãe já teve uns cinco ataques de nervosismo por ter deixado a carne passar demais, o arroz cozer demais, ou a batata fritar de menos, Carlos aparece no meio do pessoal e diz que precisa ir pra casa se arrumar.

— Hoje tem festa dos gêmeos, lembra, pai? — ele cruza os braços e se escora no batente da porta da cozinha. Tio Wagner pede que espere que termine a próxima cerveja, ou então que pegue um taxi ou coisa do tipo. Carlos bufa em resposta.

— E seu primo também não vai? Vai, Daniel? — ele me inquire com o olhar e eu balanço a cabeça em afirmativa. — Então porque você não pega algo aqui mesmo e vocês dois vão mais tarde juntos? Que trabalheira.

Aprendendo a Gostar de Você {Aprendendo III}Onde as histórias ganham vida. Descobre agora