Goblins são Sapos Hipertrofiados!

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CAPÍTULO 4

          Desde que conjurei o ideograma mágico no salão da Sociedade dos Magos, vim treinando duro para melhorar minhas habilidades. Acordava e dormia pensando em magia, o que me rendeu melhoras satisfatórias (e notas não tão satisfatórias assim num boletim cheio da cor vermelha). Comecei com duas moedas, mas agora conseguia estabelecer uma conexão mágica entre um lápis e uma borracha.

          Certo, o lápis precisava ter uma borracha na ponta, mas eu conseguia estabelecer a conexão mesmo assim!

          Bem, a área em que realmente foquei em evoluir foram os ideogramas mágicos. Gale me disse que a maioria dos magos usavam as conexões mais para treinos do que para o combate. São cheias de regras, complexas e nada poderosas. Os ideogramas mágicos são bem mais práticos e eficazes. O abismo entre ideogramas e conexões é como o abismo entre atirar uma flecha com um arco e atirar uma flecha usando o braço.

          Após dias de um intensivo treinamento, mas conhecido como Técnica do Ficar-no-computador-nos-finais-de-semana-e-na-semana-fingir-que-teve-resultados, consegui chegar em um ponto em que conjurar um ideograma não representa mais esforço para mim.

          As magias que conheço, no entanto, são poucas e simples, porém eficazes para Suportes. Assim, após um mês e meio praticando magias, consegui dominar os truques básicos que todos da minha classe conhecem. Com isso, Jacob disse que eu já estava pronto para partir em minha primeira missão. Após a aula, eu, Cecyl e Jacob marcamos de nos encontrar na estação de trem. Porém, em vez de passearmos nas lojas e irmos no cinema, o mago nos empurrou num micro-ônibus e dirigiu até sair da cidade. Depois de mais alguns quilômetros, paramos e todos saímos do veículo, e agora estávamos os três parados em frente a uma velha e pequena fábrica abandonada.

          — Posso saber por que estamos aqui? – perguntei, desconfiado.

          — Eu já disse, sua primeira missão! – respondeu Jacob.

          — Mas o que exatamente seriam essas missões?

          — Não sei, é a minha primeira também.

          Isso não está ajudando em nada! Olhando para a fábrica abandonada, só conseguia pensar em passar a tarde ali, limpando a ferrugem dos canos. Se isso for uma missão, é para tudo, menos para magos! Tentando controlar meu descontentamento, voltei a perguntar:

          — Primeira? Pensei que você fosse um mago experiente.

          — E sou. Experiente e um mago galã de novela, aliás. Mas é minha primeira missão porque as missões são feitas em trio.

          — Então por que não fizeram com a Gale antes?

          Dessa vez, foi Cecyl quem resolveu responder, como se quisesse acabar rapidamente com minhas dúvidas e partir para a ação:

          — Porque o recomendado é que as Famílias só comecem a fazer missões quando atingirem quatro membros. Assim, três partem para a aventura e, se os três morrerem, ainda haverá um para continuar com a linhagem.

          — Espera, se os três o quê?!

          — Morrerem. Acontece às vezes nas missões, já que nelas magos costumam acabar com problemas relacionados a magias ou a criaturas mágicas. Às vezes, a criatura é forte demais, e acaba matando os magos. Sabe como é que é, triturados, abocanhados, esmagados, atropelados, esfolados, essas coisas bem bacanas.

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