Louise outra vez

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Estou passeando pelo jardim, ainda pensando na cena do meu pai se debatendo, chorando e sendo amarrado na cama. Claro que isso já tem uma semana, mas ainda choro com isso. Estou limpando as lágrimas novamente quando uma carruagem para, e uma mocinha muito distinta e bonita sai da carruagem. É Louise, a garota que conheci no baile. Corro até ela, quebrando todas as regras de etiqueta que me foram ensinadas e a abraço, enquanto a sua acompanhante, uma mulher de cabelos muito negros presos em um coque alto e apertado me olha de cima a baixo, os lábios finos se crispando e ficando brancos.
- Oi, Robin! - Diz ela, com um sorriso encantador e constrangido.
- O-Oi, Louise. Como vai?
- Recebi sua carta ontem. Você só me escreveu há dois dias! Sinto muito pelo seu pai, Robin. Sinto muito mesmo. Eu entendo como é isso, Robin. A minha tia-avó, Regina, tem um problema parecido com o do seu pai.
A acompanhante finalmente fala:
- A senhorita não devia falar coisas tão pessoais para o príncipe, Louise.
Louise encara a mulher com reprovação e me segue pelo jardim.
- Como foi, Robin? Deve ter sido horrível ver o seu pai amarrado, gritando e chorando.
- Foi a pior coisa da minha vida, Louise. Não sei... Nunca tinha visto meu pai amarrado... Ele chorava, se debatia, pedia perdão... Babava... Sabe... Quando eu era pequeno, eu não sabia que ele ficava amarrado. Escondiam isso de mim, dizendo que ele estava muito doente. E até recentemente esconderam isso de mim. Até aquela noite...
Começo a chorar. Louise pega um lenço bordado com suas iniciais e enxuga meu rosto.
- Shh... Shh... Robin, calma, calma! Tudo isso vai passar, Robin. Eu sou mais velha que você, já vivi mais, e sei como é isso. Apenas seja um ótimo rei, certo? E, claro, um ótimo revolucionário, se você for lutar nas Colônias.
- Quem te contou isso?
Alguém pula do alto das árvores.
- Pombinhos, estou incomodando?
David, é claro!

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