Intervenção

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Saether é um homem forte

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Saether é um homem forte. Gosta de ter tudo em suas mãos, inclusive quem trabalha em seu favor. Minha ideia quando vim para cá foi sair o mais rápido possível, mas ele logo deu um jeito na minha "ideia louca" como ele diz, de sair desse lugar infernal. Ele me fez gostar de estar aqui. Sou tratada quase que como uma rainha por todos. Ter uma mulher no cargo de médica é um lugar de muito respeito.
No fim da tarde de hoje Thiago me chamou para falar de um caso específico. Um caso que eu devo investir minhas forças. Não é um caso qualquer. Essa menina tem uma história muito parecida com alguém que é importante para mim, mas isso é assunto para outro momento. De qualquer forma quis reinvindicar. Logo eu?! Por que eu?? Mas nada falei. Irritar o Thiago agora não é uma boa ideia. Assenti e fui instruída a pegar um dos navios.
Eu tenho o benefício de sair da ilha de vez em quando para buscar alguém que nos daria mais trabalho do que esperávamos.
O navio não é grande como os que eu estava acostumada na vida que levava fora daqui, mas não está ruim.
Parti com uma pequena equipe escolhida por mim; um enfermeiro e três de nossos apoios.
Ser apoio é uma função completamente nova. Eles são homens, a maioria em conflito com a lei que teriam pego prisão perpétua nas cadeias comuns mas Saether os fez vir trabalhar aqui e ser relativamente livre em troca do seu trabalho. Brutamontes é uma boa definição para os homens.
Eu detesto andar de navio. Detesto esse sobe e desce. Enjoa. Nesses momentos eu odeio morar numa ilha. Tentei dormir mesmo com aquele balanço dos infernos e consegui depois de tomar um remedinho. Agradeço por Thiago me deixar trazer um pouco de medicação extra.
Muitos enjoos e medicamentos depois consegui chegar em terra firme. Não estou mais acostumada com a agitação da cidade, chega a ecoar em minha mente tantas vozes, tanto barulho. Sigo caminho com minha equipe em busca de informações da moça. Entramos em algumas favelas. Sorte que viemos armados e conversados com as figuras mais ilustres e perigosas.
O clima tenso aparece quando perguntamos sobre a menina e um dos homens aponta para um pequeno galpão que mais parecia uma garagem.
Vocês dão um jeito nela ou a gente dá. — Disse o chefe local, um tal de Boné. Não entendo como alguém com um nome tão inofensivo pode causar tanto medo nos arredores. Parece que ele é o chefe.
O galpão tem um cheiro característico de gasolina e graxa. Abrimos a grande porta e pedi para que minha equipe esperasse enquanto me aproximava. Adentrei no escuro do galpão e logo meus olhos se acostumaram com a escuridão. O que encontro é ainda mais intrigante.
Uma jovem usando um casaco grande masculino de cabeça coberta, deixando os cabelos sujos para fora. As pontas estavam esquisitas, mas não consigo enxergar exatamente do que, temo que seja sangue seco. Ela segurava uma faca, está com os olhos arregalados. Seus olhos pareciam maiores, talvez tenha usado drogas.
Meu nome é Maya. Eu vim te ajudar. — Ela põe a mão nas orelhas apertando com força. Talvez seja escuta alucinatória, mas não posso ter certeza.
EU NÃO QUERO AJUDA!!
Você precisa de ajuda. — Retruquei sem pensar, enquanto os apoios se aproximavam pelas laterais. Ao perceber que meu olhar ainda estava sobre ela, mostrou os dentes como um animal e partiu para cima de mim num instinto animalesco. Defendendo seu território, sua comida(?)!! Algo muito confuso, sem organização alguma.
Os apoios voaram em cima dela e conseguiram a colocar na camisa de força. Ela se debatia e tentava morder. Em um descuido de um dos apoios, ela
consegue morder a sua mão e, por mais grotesco que possa parecer, ela não larga. Isso definitivamente me assusta.
Thiago ja me contou sobre um paciente que matava as suas vitimas mordendo. Agora eu consigo imaginar. Ela só soltou a mão do homem quando abriram sua boca a força. A menina começou a chorar e gritar debatendo-se.
— Machucou!! Machucou!! — A cena é violenta. Quando conseguimos puxa-la para a luz, vemos que a menina tinha realmente os cabelos sujos de sangue. É a assassina que procuramos.

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