Loucura do pai

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Meu pai não está bem; está agitado, e está bebendo muito. Já é a sua segunda taça de vinho português esta noite. De repente, ele bate na mesa e começa um longo e enrolado solilóquio sobre a América.
- Eles vão se arrepender! Disso eu sei! Eles vão voltar para os meus braços, pedindo perdão! Isso é óbvio! As treze colônias não podem viver sem seu mestre!
Toma mais um gole de vinho, já ficando meio embriagado.
Estou apreensivo. E se aquilo acontecer de novo? E se ele ficar atacado e... e...

Não tenho tempo de pensar em mais nada; o meu pai coloca ambas as mãos no meu pescoço de modo forte, quase me sufocando. Alguns guardas veem isso e logo nos separam. Meu rosto normalmente pálido está vermelho, enquanto ele grita que eu, o príncipe de Gales, me arrependerei. De quê? Não sei.Os 2 guardas o arrastam enquanto um dos conselheiros do meu pai ( Que é o professor Vadre-reto Seabury, veja só você! ), chama o médico da corte. Acredito que ele não resolverá muita coisa. E estou certo! Assim que o médico chega, faz várias perguntas aos empregados, e não me dá o veredicto sobre a situação dele até o final da consulta.
Estou escrevendo no meu diário quando ele chega.
- Vossa alteza? Posso entrar?
Assinto com a cabeça:
- Claro que sim, doutor! Entre!
Ele entra e faz uma reverência. Parece acanhado, e começa a falar comigo como se eu tivesse 5 anos. Interrompo seu falatório com um gesto elegante :
- Meu caro médico... Tenho muito apreço pelo senhor e pela sua sabedoria, mas eu tenho 13 anos, e não 5. Fale comigo como se eu fosse um adulto.
Ele se desculpa e começa a falar de modo correto. Ao final da conversa, ele diz :
- Seu pai, vossa alteza, precisa muito da sua ajuda; ele está tomando os remédios?
De repente, percebo uma coisa. Algo extraordinário. Então meu rosto fica lívido e falo:
- Parece que o senhor, doutor, não nota um mísero detalhe : O senhor já percebeu que, após o tratamento, ele piora da doença? Esse seu "remédio" não ajuda em nada; apenas piora a condição do meu pai. Agora saia. - Falo, entredentes.
Ele sai, parecendo assustado. Vou até o quarto do meu pai e espio. Ele está amarrado na cama, se debatendo e chorando muito. Sinto meu coração quebrar e meus olhos ficarem enevoados pelas lágrimas. Com muito esforço, consigo correr até meu quarto e trancar a porta. Deito na cama assim como estou, e percebo que estou em um terrível dilema.
A família ou a revolução das Colônias?

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