Conexões & Ideogramas Mágicos

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CAPÍTULO 3

          Primeiramente, sinto-me na obrigação de explicar algumas coisas.

          Bem, como vocês devem saber, Gale isolava a sala da Sociedade dos Magos com sua magia. Sendo assim, nada que aconteceu lá dentro foi notado pelos alunos. A propósito, após a batalha, Cecyl consertou a claraboia quebrada com magia, fazendo até o vidro voltar ao estado original, então os danos materiais também foram minimizados.

          Jacob chegou logo depois, explicando que demorou para ligar pelo mesmo motivo que eu havia imaginado mais cedo: era um ninho, havia outras quimeras para serem nocauteadas.

          Agora, devo falar das criaturas mágicas. Assim como os magos, seres como grifos, espectros e companhia não fazem parte do cotidiano das pessoas d'A Cidade. As criaturas mágicas – ou monstros, como são chamadas popularmente – preferem viver nas sombras e evitar humanos. É por isso que encontrar quimeras numa cidade grande, por exemplo, é tão incomum.

          Então, voltando ao foco principal dessa história, que no caso sou eu e minha supostamente incrível jornada no mundo mágico, hoje começarei a aprender magia de verdade. Como Jacob já está por aqui, tive a infelicidade de tê-lo como professor, mas desde que suas aulas tragam resultado, está tudo bem.

          Quando passei pela parede de tijolos, encontrei Jacob sentado numa das cadeiras da grande mesa do mezanino. Ele estava de costas para mim, separando dinheiro com um rosto concentrado. Ao me aproximar dele, perguntei:

          — O que é tudo isso?

          — Eu costumo usar "mesa", não sei como você chama – disse ele, sem nem ao menos olhar para mim.

          — Estou me referindo ao dinheiro!

          Ele me olhou com um rosto animado. O mesmo olhar que uma criança dá a um adulto quando tem a oportunidade de explicar e falar sobre algo que ela adora. No momento que vi aquele sorriso radiante, já soube que ele iria falar alguma idiotice. Bem, eu não estava errado.

          — Eu posto semanalmente uma light novel na internet, e pago três pessoas para xingarem minha história de "lixo" nos comentários! Vendo aquilo, eu penso em como posso me tornar melhor, e um dia chegarei ao ponto em que estarei tão bom que, mesmo pagando, eles não poderão chamar o que escrevo de lixo!

          Esse ponto nunca vai chegar! Se eu recebesse dinheiro por uma simples palavra uma vez por semana, eu xingaria não somente a light novel, mas o próprio Jacob de lixo. Se bem que eu xingaria ele de graça também...

          Ignorando a burrice do garoto a minha frente, decidi ir direto ao assunto:

          — Você iria me ensinar magia hoje, não?

          Ele emitiu um "ah!", como se tivesse esquecido. E então, levantando-se da cadeira, Jacob caiu de repente, desabando no chão antes de poder firmar os pés. Corri até ele e o ajudei a se deitar de barriga pra cima.

          — Você está bem? O que acabou de acontecer? — Eu estava atonitamente confuso.

          Segurando minha manga e exibindo uma careta de dor, Jacob disse, de maneira entrecortada:

          — Eu... eu bati meu joelho na quina da mesa.

          Olhei para o joelho dele, de início preocupado, mas logo a irritação tomou conta do meu rosto. Sem estar mas nervoso, olhei para ele e disse:

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