L2|| XXIII. Nada Doce Lar

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Sobrevoar pela cidade de São Paulo

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Sobrevoar pela cidade de São Paulo. Ouvi uma vez que essa cidade nunca dorme e realmente, daqui de cima posso confirmar e observar sua beleza noturna de ferro e concreto moldados pelo calor e a vontade humana. Estes sabem desmontar e submeter os elementos as suas disposições como ninguém, transformando rústico em encantador, agradável aos olhos e útil a todos os outros sentidos. 

Anjinho sobrevoa sem problemas e por causa das suas abilidades como caçador interdimensional, não somos vistos por ninguém. Me seguro nele o mais forte que posso, tentando me manter firme enquanto ele paira por entre os muitos prédios altos e baixos, num vôo panorâmico e rápido. 

Em poucos momentos ele desacelera por cima de uma rua sem saída. Com breves e curtos círculos de asas abertas me indicando que chegamos, pousa suas garras no asfalto de concreto, na frente de um pequeno e peculiar prédio de aparentemente três andares. 

A área é residencial. Eu nunca estive por esses lados e por isso hesito em descer. Não sei exatamente por que me trouxera aqui mas acabo por confiar nele e deslizar de suas costas assim que ele se começa a se inclinar, indicando para eu fazê-lo. 

Quando eu coloco meus pés no chão, Anjinho rapidamente se envolve naquele pó circular vermelho e preto e se transforma num cachorrinho novamente. Latindo daquele jeito desgraçado, ele começa a me pedir para seguí-lo. 

Era só o que me faltava. 

— Que raio de lugar é esse, Anjo? — Digo baixinho, ciente de que agora podemos ser vistos e ouvidos. 

Dou uma rápida estudada na rua escura e vazia, me certificando de possíveis companhias se escondendo nas sombras de muros e árvores. Creio que estamos sozinhos, apesar da loja no andar térreo do prédio onde Anjinho quer entrar ainda estar aberta. 

Sigo o animal cautelosamente. Ele realmente parece estar certo de onde está indo. Quando chego próximo a porta que leva a uma escadaria, o portão de ferro da loja é fechado com tudo de repente e eu sobressalto, olhando para o lado.

— Noite, Verena. — Um homem semi-careca diz ao me ver. Acho que é o dono do estabelecimento fechando sua loja, e por algum motivo me conhece. Eu não me lembro dele, mas mesmo assim devolvo o boa-noite com um sorriso largo e para evitar mais conversa ou que alguma claridade o faça ver com detalhe o que estou vestindo, subo correndo as escadas atrás de Anjinho. 

Eu nunca vi esse lugar na minha vida mas sigo o Anjo até o segundo andar. Ele começa a latir em frente a uma das portas de madeira pintadas de vermelho. Eu faço um sinal para ele ficar quieto, na esperança de que nenhum morador ou moradora do lugar não fiquem bravos com os latidos diabólicos. 

Mas Anjinho não cala a boca. Eu bato na porta para qual ele late algumas vezes mas não ouço nenhuma resposta. O falso cachorrinho continua fazendo aquele som infernal e apenas para calar a boca dele coloco a mão na maçaneta, entendendo que ele quer que eu abra a porta do lugar.  

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