L2|| XXVI. Como Uma Vela Ao Vento

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Fraqueza é mais que um drenar de esforços físicos

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Fraqueza é mais que um drenar de esforços físicos. É uma fatiga mental que se alastra por cada canto de sua consciência e faz morada sem ter sido convidada. Um esgotar emocional que suga mais que vontades e ânimos.

É um corpo que morre por quê o coração definha. 

Meu coração. Meu corpo.

Como uma vela ao vento, sua chama se esvai e ele já não é mais o mesmo. E entre constantes piscares mais prolongados do que sei que é o normal -entre outros reflexos que se protelam- posso sentir o calor me escapar, os sentidos pararem de funcionar e uma por uma, partes de mim desfalecerem, despedindo-se de mim num adeus do qual eu não consigo responder de volta.

Apostei minha vida num impulso incontrolável de fazer o que era certo. Desde o começo a coloquei a frente de tudo para conseguir salvar meu mundo, Adaris. Minha casa. Meu lugar. E mesmo assim, mesmo sentindo agora o peso da real ameaça que isso era e mesmo após tudo que perdi...

... a verdade é que eu faria tudo de novo. E de novo.

Sentada no chão de Viár, um dos braços de Afonso me mantém recostada contra seu peito. O ouço ligar para Dimitri por um aparelho do mundo humano que não sei bem como, mas funciona aqui. Também não sei exatamente o que falam, mas as poucas palavras que trocam são ecos que posso ouvir retumbarem dentro de seu peito.

Ao término da ligação, ele comenta que vai me levar para o "Hotél" e me chama de "fada de Adaris" mais uma vez. 

— Me chamo Caliandrei. — A fraqueza não me impediu de reforçar isso, já que ele parece ter aversão a se remeter a mim pelo meu nome. 

Mas ele me ignora.

Antes que eu possa perguntar que lugar é esse tal de Hotél, novamente Afonso abre um portal com meu sangue e em seguida me ergue em seus braços, sem nenhuma dificuldade. Acho que o ouvir murmurar alguma desculpa pela dor que acha que me causou ao cortar minha mão novamente. Mas não sinto mais nada em meus braços. Ou pernas.

Ou em boa parte de meu corpo.

Reparo novamente que o portal se abre para ele com mais rapidez do que eu costumava fazer, diferente das diretrizes que a Sombra me dera. Adoraria saber como ele faz isso, como pode manipular a magia que estava comigo com apenas alguns pingos de meu sangue e algumas palavras antigas. Isso só re-enforça a idéia de que esta magia negra nunca foi mesmo minha, já que qualquer um pode ter o controle dela, possuindo-a ou não. 

Ou seria essa só uma especialidade de Dimitri e seus sócios? 

Quem mais pode controlá-la além de mim e da Sombra? Com o que a Sombra sempre me disse sobre controlar a magia ou esta me controlaria... estaria essa viva por si só, apenas me usando como um receptáculo? 

Nunca ouvi falar de magias assim.

Febril, posso sentir minha pele umida contra o terno de tecido pesado que Afonso me emprestou.

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