L2|| XVI. Até Chegar No Chão

347 71 157

Pensando que abrir minhas asas no céu paulista seria um erro que chamaria muita atenção mesmo sendo noite (eu estou caindo de um prédio, acho que já isso já chama a atenção por si só), resolvo estender meus braços durante a queda e me agarrar ao p...

Ops! Esta imagem não segue as nossas directrizes de conteúdo. Para continuares a publicar, por favor, remova-a ou carrega uma imagem diferente.

Pensando que abrir minhas asas no céu paulista seria um erro que chamaria muita atenção mesmo sendo noite (eu estou caindo de um prédio, acho que já isso já chama a atenção por si só), resolvo estender meus braços durante a queda e me agarrar ao parapeito de uma sacada qualquer. 

O impacto é forte, mas me equilibro para contrariar a gravidade que me puxa com força intensa de quem quer me reter para si. Assim que me estabilizo, ergo um pouco para averiguar se há alguém na sacada daquele apartamento. 

Ninguém. 

E que bom, pois já está extremamente desconfortável e estranho planar por essas janelas com as minhas partes de baixo de fora. 

Subo na sacada, me escondo em sua escuridão e recupero meu fôlego. Após controlar a adrenalina, continuo pulando de sacada em sacada o mais rápido e sorrateiramente possível para não chamar muito a atenção dos moradores do prédio de Dimitri.

Vou fazendo isso até chegar no chão.

Certa de que muita gente me viu fazendo isso, olho ao meu redor com cuidado, torcendo para que não tenha ninguém ali. 

Mas claro que tem, então faço a melhor cara de paisagem que consigo, mesmo com os olhares confusos que os possíveis vizinhos de Dimitri me lançam, dou sorrisos e tchauzinhos. Mesmo tendo pulada da sacada mais próxima, acho que me olham assim por causa do que eu visto. Ou melhor dizendo, não visto. Estou só de camisa social masculina. Sem calças, roupas de baixo ou sapatos, com o cabelo insanamente armado em revoltos cachos e visíveis marcas no corpo do pequeno romantico re-encontro que acontecera alguns minutos atrás no apartamento do meu ex.

Tenho que ir para bem longe daqui. 

Pensando árduamente em voltar para Adaris, imagino que talvez não seja o melhor momento. O que estaria me esperando lá? Descobriram o que fiz? Se Dimitri já sabe, quem mais já deve saber? Só de pensar nas possíveis repercussões de meus atos, meu corpo estremece. 

Caminhando, um pensamento óbvio cruza minha ativamente confusa mente assim que me lembro que a adaga em posse de Dimitri hoje era a mesma que...

Por Guendri...  

Algo que eu gostaria de entender é por quê raios Alexis apareceu no apartamento de Dimitri naquele exato momento? Dimitri contou tudo a ela? E por quê não pareceu brava comigo? Não que eu tenha visto muito dela, mas tenho certeza de que se ela sabe de tudo, não estaria tão calma como estava.

Respiro fundo e praguejo repetidamente.

Se para Adaris não posso voltar imediatamente, preciso me foragir por enquanto, talvez até ficar nesse mundo por um tempo. Ao menos até conseguir me recuperar e entender o que realmente está acontecendo.

Há uma única humana que provavelmente pode me ajudar no momento, Dona Martinha, mãe da Jaqueline e dona de uns dos estabelecimentos mais curiosos do bairro chamado Bixiga. Eu confio nela o suficiente para ao menos me oferecer algum entendimento do que Dimitri falou sobre eu ter sumido por cinco anos.

ADARISOnde as histórias ganham vida. Descobre agora