Capítulo VIII - Episódio 29

5 0 0
                                                  

— Anita, — gritou Guido, logo que ocuparam a primeira seção do Distrito Operário. — A situação está um pouco complicada.

— Desembucha — respondeu ela, sem paciência.

— O caminho daqui até a Cidade Alta terá que ser feito pelo portão oeste. O portão leste e o central estão inacessíveis.

— Como assim?

— O portão central está ocupado por rebeldes. Não nós, mas pelos refugiados. Além da guarda, se movimentarmos nossas tropas para aquele lado, poderemos ser atacados por eles também. O portão leste está ocupado pela guarda e pelo exército. Os refugiados e o exército estão em conflito, é questão de tempo para o exército ocupar o portão central.

— Então temos que ser rápidos, pois precisamos tomar o quartel também.

Anita organizou dois batalhões para a próxima missão. Um levaria os canhões por solo para arrombar o portão oeste, e outro, com soldados mais ágeis e experientes, invadiriam o quartel, subiriam para as ameias da muralha da Cidade Alta e levariam canhões menores até o portão da torre.

Era a Torre de Pedra que precisavam derrubar para garantir a vitória sobre o regime da Costa Vazia.

Anita e Shidra Muhhab seguiram liderando o batalhão que faria a invasão pelas muralhas. Andaram pelo Distrito Operário sem muitas complicações. Tomar o quartel também foi fácil, havia poucos guardas ali, e os que estavam, foram facilmente dominados pelo poder dos "cospe fogo".

Sobre a muralha, lutaram contra soldados e Incineradores e, por fim, chegaram até a portão, onde com apenas um tiro de canhão, conseguiram derrubar a porta. Sob eles, o outro batalhão derrubava o portão oeste e avançava pela Cidade Alta.

Até então, estava tudo dando certo.

O pelotão de Anita avançou para dentro da Ala Mestra, com as armas estourando e derrubando os Incineradores que eram encontrados pelo caminho.

Na teoria, sabiam o caminho. Entretanto, nenhum deles havia posto o pé daquele ponto à frente. A guarda nunca entrava na torre.

Anita guiava o grupo pelos corredores e escadas. Andavam concentrados, quando alguém a puxou pelo braço. Sobre a bandana vermelha, viu olhos e cabelos conhecidos.

— Luan!

— Anita! — Disse ele, aflito. — O que está acontecendo? Por que tudo isso?

— Luan, saia daqui. Volte para casa.

— Como posso voltar para casa, Anita, com tudo isso acontecendo? Você roubou Derris?

— Derris queria vender por dinheiro. Eu entreguei ao meu povo.

— Você traiu seu amigo, Anita! Você sabe o peso disso? Existe uma palavra no dialeto do povo do seu sangue...

— Não me chame disso! — Anita gritou, empurrando Luan para trás, que quase caiu desequilibrado.

— Uma hora você se arrependerá, Anita. Você está fazendo tudo do jeito errado.

Sem dizer mais nada, Luan desapareceu, deixando-os ali. Shidra fez um sinal para Anita, e o grupo seguiu em frente.

O plano de agora em diante era simples, entretanto, desafiador. O grupo precisaria assegurar as entradas da Ala Mestra que, por consequência, asseguraria também a Torre da Visão. Assim haveria duas áreas da Torre de Pedra sob o controle dos Terras-Ruis.

Ao chegar no nível do solo, encontraram as portas já lacradas, com enormes colunas de pedras. De alguma maneira, os magos já tinham se adiantado e prevenido a entrada deles até o Círculo de Pedra e a algumas sessões da Ala Mestra.

A saga dos filhos de Ethlon I - Porto das PedrasOnde as histórias ganham vida. Descobre agora